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terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Ano novo...


… cabelo novo.

Nos últimos anos deu-me para deixar crescer o cabelo. Simplesmente apeteceu-me.
Acabei por ficar com uma juba comparável, sem exageros, à da Vénus de Botticelli, visto que me cobria totalmente as costas.
E é giro ter cabelos extra-longos, brincar com eles, entrança-los, mas com o passar do tempo dar-lhes a manutenção devida começa a ser uma maçada. Só o gesto básico de pentear é algo para durar uns vinte minutos: primeiro, de cabeça para baixo, soltando e desembaraçando gentilmente os fios de cabelo com os dedos; depois aplicando um creme e penteando-os com um pente de madeira de dentes largos.
A lavagem passa a meia-hora entre aplicar shampoo, creme hidratante, amaciador, e massagens e enxaguamentos entre cada operação.

Então, há um par de dias, estava eu a olhar para o frasquinho de creme de pentear e para o meu pente especial de corrida, quando decidi que era dia de tirar umas férias capilares.

Cortei-o, mais coisa menos coisa, pelos ombros.

A sensação de ausência de peso é indescritível. Perder tanto cabelo de uma só vez dá um pouco aquela sensação de membro fantasma.

Se acreditarmos em rituais de entrada no ano novo, espero que esta sensação de leveza seja um bom mote e prenúncio para o que me espera em 2019. Acho que precisamos todos de um pouco de leveza nas nossas vidas.


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Hoje é dia de cabelo...





Acho que de forma a compensar a treta de pele e, (o facto de ser pitosga), que me saiu na rifa da genética, nasci com bom cabelo. É forte, grosso, liso e de um castanho natural que sempre gostei - uma espécie de mistura de fios de vários tons e luminosidades.


Se lhe tivesse que apontar um defeito, seria o facto de me ter aparecido o primeiro branco para aí com nove anos de idade.


Pinto-o só muito de vez em quando, por vários motivos: nunca encontrei uma tinta cujo resultado me agradasse tanto quanto a minha cor natural, não me envergonho dos meus brancos e por isso só o pinto quando me apetece uma mudança, não gosto de abusar de produtos químicos, não tenho pachorra nem feitio para idas frequentes ao cabeleireiro...


Quanto ao corte, o mais radical que fiz nos últimos anos foi tê-lo pelo queixo, numa espécie de bob.
O usual é ter o cabelo longo, ou muito longo (já chegou a meio das costas), e acabar por usá-lo, invariavelmente, preso num rabo de cavalo - por hábito, porque é prático, porque gosto de me ver e porque odeio a sensação de cabelo na cara.


O tal "bob" era a tentativa de me preparar para um penteado curto, o tal chamado de pixie. Ando há pensar nisto há uma vida!

Hoje tenho hora marcada no cabeleireiro, mas pela minha expressão (se a pudessem ver, claro está) mais se diria que tenho marcação é no dentista.


Talvez entendam melhor a minha atitude se vos contar que esse corte de cabelo aos 17 anos surgiu por necessidade. Uma das muitas profissionais capilares lá da aldeia onde cresci, fez-me uma pelada e calou-se caladinha. Lembro-me de achar estranha a quantidade de laca (não uso disso), e o passar do espelho (aquele que nos permite ver a nuca) numa manobra demasiado rápida.
Só ao chegar a casa é que a minha mãe, ao querer ver o meu novo corte, deu conta. E lá fomos nós de urgência para a Lúcia Piloto.


Foi um pixie bem caro!




Adiante, tivesse sido ontem, mal me deu as ganas de ir tratar do cabelo, teria sido bem mais fácil, possíveis arrependimentos à parte.


Mas como era preciso hora marcada, lá se foi a coragem que se tem quando se faz algo por impulso.


Acho que ainda não é desta. Fico-me pelo básico e olha lá!


O corte em si não é o problema, é a execução que me aflige: ainda não encontrei uma cabeleireira em quem consiga confiar plenamente. E quando decido arriscar, normalmente arrependo-me, portanto evito pedir algo complicado.
O que dá origem a um ciclo vicioso: não se pede mais do que o básico ao profissional por se duvidar das suas competências, logo o profissional também não adquire mais competências porque ninguém lhe pede mais do que o básico. Provavelmente nem pondera aumentar as suas qualificações através de formação: para quê se a sua vida profissional não passa daquilo?

Mas também quem é quer ser boneco de testes?!


Não é que tenha mais histórias de peladas, (se bem que já me cortaram uma orelha), mas sempre achei que, em especial as mulheres são exploradas pelos cabeleireiros, pagam fortunas, e a qualidade da execução fica normalmente aquém.




Já corri muitos salões e a conclusão que chego, é que continuarei a ir ao cabeleireiro pontualmente.
O dinheiro, esse, confesso que me dá muito maior satisfação gastá-lo num par de idas a um bom restaurante, do que num salão. Vá-se lá entender, gostos!