Mostrar mensagens com a etiqueta 100 motivos para não ter filhos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 100 motivos para não ter filhos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 28 de março de 2016

100 motivos para não ter filhos #4: A mãe que eu seria, segundo o meu marido.



Após mais uma caminhada em família, em que eu tenho 50 micro avc's de cada vez que o marido solta o Kiko, podemos gozar, finalmente de uma pausa para café.

Momento que ele aproveita para o centésimo discurso sobre eu ter que aprender a descontrair, que há vários locais até bastante seguros onde posso soltar o cão e etc. O blá blá blá do costume, a que eu respondo, de forma costumeira, com um redondo e exclamativo não. Acrescento uns quantos "jamais!", "nem pensar nisso!", "comigo, é sempre com trela!", para ver se a mensagem segue suficientemente explícita e directa.

Suspira uns quantos "ah, coitadinho" e derivados, aos quais eu retribuo com "não sei qual é problema. É pela segurança dele. Aliás, se tivéssemos crianças, também andariam com trela".

(Sim, que eu sou apologista das trelas para crianças.)

"Eu sei." - diz ele. "Até aos 25."
Rimo-nos.

"És uma mãe galinha. Super protectora. Fazes-me lembrar a mãe dos Goldbergs. Tal e qual!"

"Opá! Faltam-me os chumaços e os jeans de cintura subida!"

(O pior, admito, é que ele é capaz de ter razão. Tenho "algumas" parecenças com a Beverly. Para quem não conhece esta série cómica, foi totalmente baseada na infância do autor. As personagens não são exactamente fictícias, mas retratos da sua família. Logo, a Mrs Goldberg é bem real.)














quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

100 motivos para não ter filhos #3: Liberdade reprodutiva vs condições




Desculpem-me a franqueza, mas tenho que desabafar o seguinte: não entendo como há gente neste planeta que teima em trazer crianças ao mundo para viverem em condições que, muitos de nós não consideram aceitáveis nem para os animais que são criados para alimento.


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

100 motivos para não ter filhos #2: Pilhas do chinês.



Eu não tenho muita energia. Costumo dizer, para brincar com a situação, que há pessoas que nasceram com pilhas Duracell, enquanto eu tenho daquelas muito rascas da loja do chinês.

Com o passar dos anos tive que aprender, por tentativa e erro, a dosear a energia que tenho, e isso implica uma gestão minuciosa de tempo e tarefas, saber dar prioridade a umas e, inevitavelmente adiar outras. Porque se não o fizer o castigo será uma miscelânea de dores e uma exaustão que se sente como um pedregulho em cima das costas, da qual a caminho dos quarenta já não me refaço com tanta facilidade como aos vinte.

É uma coisa que me acompanha desde sempre. Já em criança quando tinha um dia mais puxado o cansaço acumulava-se nas pernas, e estas doíam-me tanto que me impediam de dormir. Tenho uma memória longínqua dos meus pais a esfregarem-me as pernas com qualquer coisa para me aliviar, e eu a chorar de dores e exaustão.
Recordo com espanto e incredulidade a época em que, simultaneamente, trabalhava em Cascais, estudava em Lisboa, namorava e saía com os amigos. Também me lembro que mal me sentasse no autocarro ou no comboio, ou até no cinema, apagava.

Esta fragilidade, este defeito de fabrico, que é bem real e castigador, é para mim um tremendo entrave a muitas coisas, uma delas a maternidade. Assim o considero.

A minha Mãe é muito enérgica, activa e dinâmica. E é assim que imagino todas as mães. Bem, pelo menos as "boas" mães, as capazes. Aliás, imagino que a função assim o obrigue. O tempo é escasso e há sempre muito muito muito para fazer, que nunca deixa de ser muito mesmo quando dividido com pai e avós, e há que chegar a tudo, obrigatoriamente.

Costumam dizer que se arranja sempre maneira. Já me disseram isso várias vezes no que toca a esta questão, o que me levou a sacar de uma balança imaginária para ponderar a mesma.
Para além das coisas não serem lineares como nos querem fazer crer às vezes, uma das conclusões a que cheguei é que estou a anos-luz de querer filhos na medida necessária para anular o outro prato da balança. Nesse outro prato, entre outras coisas, está esta coisa da energia e do cansaço, e é um calhau com um peso bastante considerável.

É que o que se regista no plano físico pesa também no psicológico. Pesará sempre na psique todo e qualquer mal estar.
Não acredito que tenha energia suficiente para alimentar o papel de mãe de forma satisfatória, especialmente sem negligenciar, grosseiramente até, os outros papéis e pessoas da minha vida, inclusive eu própria.
Não acredito que uma mãe, (ou pai), que viva exclusivamente para esse papel seja a melhor das mães. Alguém que se esqueça de si próprio, que menospreze as várias facetas e pessoas da sua vida, está a dar um péssimo exemplo.
Quantas mulheres, (especialmente mulheres), conheci ao longo da vida que, chegando a uma certa idade estão gastas, amargas, com uma expressão constante no rosto de dor e cansaço? Muitas zangadas com a família, o mundo, o destino e a própria vida porque deram tudo de si, e a agora não vêm chegar o retorno esperado!
A prole cresceu e tem a própria vidinha e não lhes dá nem um décimo da atenção e dedicação que esperavam, porque o que deram e que agora esperam não é a dose recomendada. Deram demais, deram tudo sem que lhes fosse pedido que assim o fizessem, e nunca haverá retorno para tal investimento quando colocamos todas as sementes em campo alheio e nos largamos, qual terreno ao abandono.






terça-feira, 10 de novembro de 2015

100 motivos para não ter filhos #1: A introdução ou o grande motivo para se ter filhos


Decerto já estão carecas de saber que não temos filhos, e que se trata, não de uma imposição, mas de uma opção.
Talvez um dia mudemos de ideias. Talvez não. É bom sentir a liberdade das opções em aberto.

Antes que fiquem totalmente horrorizados com o título desta nova rubrica deixem-me contar-vos o seguinte: um dia passeava-me numa livraria quando, me deparei com um livro que aos meus olhos me pareceu totalmente inovador e excêntrico quando comparado ao que esperamos encontrar relacionado com a temática "filhos". Prometia o título exactamente isto: a enumeração de n motivos para não se ter filhos.
A autora, (não me recordo do nome), confessava que após anos a sentir que tinha que justificar a sua opção perante os muitos que se indagavam sobre esta, decidiu meter mãos à obra e esmiuçar o tema.

Quer se concorde ou se discorde da opção em si, assim como dos argumentos que a sustentam, acho que a exposição desses mesmos argumentos são uma grande mais valia. A existência de pessoas que não se identificam com o papel de progenitores causa verdadeira estranheza a muitos dos que optaram pela outra via. Dessa estranheza resultam sempre algumas elações mal fundamentadas e longe da verdade, como a ideia que as pessoas que optam por uma vida sem filhos simplesmente não gostam de crianças, o que poderá aplicar-se a algumas, mas certamente não a todas.

Igualmente não podemos depreender que todos aqueles que são Pais gostam de crianças. Alguns gostam, outros não. Assim como nem todos os que são Pais têm vocação para a coisa. Lá está, não existe universalidade em todas as premissas.

Agora que olho para o título o número 100 enche-me os olhos e parece-me uma tremenda empreitada. A escolha foi ditada de forma aleatória e pelo meu gosto por números redondos. Logo se vê no que isto vai dar.

Quanto aos motivos para se ter filhos, para mim há um único que é de valor e o único que seria o nosso guia, caso mudássemos de via: o Amor.
Poderão vocês pensar: "Dah, mas existe outro?!" - e eu responder-vos-ia que certamente o mundo é hoje mais permissivo para com o Amor, mas que ao longo da História da Humanidade, (incluindo o tempo presente), somam-se mais crianças que foram geradas com outros motivos e para com outro fim do que pelo mais nobre dos motivos.

Ao longo dos tempos gerar filhos sempre foi uma das formas predilectas para se obter mão-de-obra barata, quer fosse para a Agricultura da Idade Média ou para as fábricas da Revolução Industrial, etc.
Durante o Império Romano, as famílias com três ou mais filhos tinham benefícios fiscais. Três filhos significaria um número suficiente para responder à elevada taxa de mortalidade, garantir a continuação da linhagem da família e engrossar o exército de Roma.
Até a China, no presente, revê a política do filho único simplesmente porque precisa de mão-de-obra.

Já houve quem, indagando sobre a nossa opção, se saísse com "quem cuidará de vós quando forem velhos?". As imensas histórias sobre idosos ao abandono só ilustram que ter filhos não assegura a presença destes enquanto cuidadores. No entanto, o medo da velhice e de certa forma o egoísmo de se querer garantir que, por obrigação filial, haverá um providenciador/ cuidador foi por incontáveis gerações, (e ainda é), um grande motivo para gerar descendência.
Ainda ontem vi o filme "Como água para chocolate" e lá estava um excelente exemplo disto mesmo: a mãe que não permitia que a filha mais nova casasse porque o seu papel seria cuidar dela na velhice.

Ainda há quem seja gerado por uma sede de poder, como se passa no caso das famílias reais. Porque se imiscuiu na mente de muitos, e por demasiado tempo que, existem linhagens especiais que, por tal, devem ocupar um lugar cimeiro de supremacia em relação aos outros, e que esse hábito terá continuidade havendo descendência.

Há muitos, mas muitos mais, exemplos. Mas acho que já consegui ilustrar suficientemente bem a minha perspectiva, na qual defendo o Amor como o único motivo nobre para se gerar filhos, e que ao longo da nossa existência enquanto espécie muitos têm sido gerados por motivos que considero mui pouco ou nada nobres.