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quinta-feira, 23 de maio de 2019

coisas da casa: O que fazer com os espaços "mortos"



 Dita a lógica que quanto menor for a área de uma divisão, mais esforço deve ser despendido em aproveitar o espaço existente. Já que não podemos, por artes mágicas, acrescentar alguns metros às divisões, podemos imaginar formas de aproveitar os "espaços mortos", aqueles cantos que à partida parecem impossíveis de aproveitar.

Ontem dei por mim a olhar para um dos "espaços mortos" da nossa cozinha, e a imaginar como o poderia aproveitar.
Refiro-me especificamente ao espaço que fica por trás da porta quando esta está aberta, que nunca foi propriamente utilizado porque nunca me ocorreu que realmente coubesse lá algo que fosse funcional, que servisse as minhas necessidades, e não bloqueasse a circulação.

Essa mesma parede tem uma particularidade estrutural: uma reentrância ao longo de dois terços do comprimento da cozinha, com treze centímetros de profundidade e quase dois metros e trinta de altura. E pela primeira vez ocorreu-me que poderia tirar partido dessa assimetria. Que naquele "espaço morto" poderia muito bem caber um armário alto.

Peguei na fita métrica e comecei por medir a distância entre a tomada e o início da reentrância, o que deu sessenta e quatro centímetros. A esses sessenta e quatro centímetros de largura, juntem-se duzentos e vinte e sete de altura, e trinta e três de profundidade - estas são as medidas, ao centímetro, do espaço que poderia ser ocupado pelo tal armário, sem tapar qualquer tomada, ou causar incómodo na circulação.

Fiquei realmente surpreendida com as medidas: onde parecia não haver espaço algum, até há muito. O suficiente para um armário generoso, e com muita arrumação se pensado ao pormenor, e mandado fazer à medida.

E eu que até gosto de desenhar móveis, comecei de imediato a rabiscar.
As laterais do móvel teriam ter furinhos ao longo de toda a altura, preenchidos com aqueles pequenos suportes para prateleiras, para que estas sejam fáceis de mudar de posição.

A capacidade de armazenamento poderia ser aproveitada ao máximo se se usar também o lado interior da porta do armário para arrumação. Tanto poderia servir para as vassouras, esfregonas, panos e detergentes, como para especiarias, garrafas, enlatados e outras mercearias.







O potencial é imenso e o limite é a imaginação e a necessidade: poderia ser um despenseiro, de forma a ter todos os mantimentos próximos mas escondidos; poderia organizar todos os tachos, caçarolas, tabuleiros, frigideiras e tampas, ou toda a louça de servir - pratos, travessas, copos; ou todos os tupperwares, ou ainda todos os pequenos electrodomésticos.  Ou ainda para ocultar os baldes de lixo e de reciclagem, guardar todos os produtos de limpeza.



















sexta-feira, 11 de novembro de 2016

coisas que gosto: Bons ventos sopram de Espanha, ou "dar vida à idade"



Gostava tanto que encarássemos a terceira idade como se fossem umas férias por tempo indeterminado, em que todos os dias fossem vividos ao máximo, numa personificação do carpe diem, enquanto a saúde e a vida o permitir.

O conceito é de uma tremenda simplicidade: porque não aproveitar da melhor forma a liberdade que representa o fim das obrigações familiares e compromissos profissionais?

Felizmente começam a proliferar notícias sobre pessoas que decidem tomar as rédeas da própria vida, e tomam decisões sobre como querem viver na velhice. Decisões que têm por base o desejo de independência e felicidade e desembocam em projectos inspiradores, como o relatado nesta notícia que nos chega de Cuenca, Espanha.

Motivados em grande parte pelo desejo de não querer passar a última fase da vida rodeados de estranhos ou "ser uma carga para os filhos", dois casais de amigos que se conheceram anos atrás numa excursão, decidiram viver juntos numa república autogerida em Cuenca - Convivir. A sua decisão entusiasmou e incentivou muitos mais a juntarem-se ao projecto.

Convivir é um condomínio, uma residência com todos os atributos específicos das residências para idosos, desde os serviços a pormenores arquitectónicos específicos para a terceira idade como as casas de banho, botões de emergência, etc.
No entanto, Convivir não é um lar de idosos mas um projecto de coshousing: projectado por arquitectos com a ajuda e intervenção directa dos sócios da cooperativa.

Elogia-se o ambiente juvenil, a forma como se mantém activos através da partilha de tarefas, de workshops diversos organizados pelos próprios como forma de partilhar o conhecimento de cada um, que no caso de Convivir pode significar tanto uma aula de risoterapia como de macramé. Sentem-se bem, felizes, e independentes. Guiam-se pelo lema "dar vida à idade". E isso é o mais importante.

Existem alguns projectos similares por todo o mundo. Também em Portugal existem residências onde o objectivo é uma maior qualidade de vida. Os preços que podem rondar, para além do investimento na residência, uma mensalidade de mais de 2000 euros por casal, faz com que seja impossível todos terem acesso a este estilo de vida.
O importante é que cada vez mais pessoas se mostram interessadas neste tipo de soluções, querem decidir de forma activa como viverão as suas vidas até ao último momento. Será esse interesse que vai alimentar mais e melhores conceitos, novas ideias, e por isso, acredito que quando for a nossa altura de tomar as rédeas da nossa velhice, não faltarão opções, até mais económicas, que permitam a todos os cidadãos viver a terceira idade com um espírito de férias, focando na felicidade e no que nos faz bem.






sexta-feira, 19 de agosto de 2016

coisas da casa: Algo que hei-de sugerir aos meus vizinhos...


Ao longo dos anos tem crescido o meu apreço pelo uso de madeira na arquitectura, na decoração.

É um material nobre, belo, que transmite uma sensação de conforto e dá um toque acolhedor a qualquer espaço.

O uso da madeira voltou a estar na voga, seja no interior ou no exterior dos edifícios. O carácter que esta providencia é múltiplo, e dependendo da cor, do corte e afins tanto se pode conseguir um ar rústico, como algo bastante sofisticado.

Adoraria revestir a varanda a madeira, tecto e paredes. Acho que é uma opção que, para além de tornar aquele espaço mais convidativo e bonito, creio que seria uma mudança estética positiva que teria reflexo no valor do próprio prédio se todos alinhassem nesta mudança.

Alguns exemplos:

 
 
 
 
 






 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

coisas da casa: As casas inclusivas



No Museu das Comunicações, que fica na Rua do Instituto Industrial, nº 16, em Lisboa, foi inaugurada, em 2003, a "Casa do Futuro Interactiva".
É uma exposição permanente onde o cenário de uma casa serve para apresentar o conceito de domótica através de um conjunto de várias tecnologias com funções várias, desde a segurança, entretenimento, inteacção à distância, entre outras.

Esta foi a primeira fase do projecto. Na sua segunda fase, este humanizou-se e evoluiu para o que é a "Casa do Futuro Inclusiva", que a página da Fundação descreve da seguinte forma:

"Apelar à consciência social, em especial à das gerações vindouras, para a problemática da deficiência e da velhice, desdramatizando-a e aceitando-a, foi o que levou a Fundação Portuguesa das Comunicações a renovar esta exposição.

A «Casa do Futuro» tornou-se Inclusiva, isto é, humanizou-se. Pessoas com necessidades especiais ligadas à mobilidade, à cognição, à visão, à audição e à fala, têm hoje, à sua disposição, tecnologias preparadas para as ajudar a integrar-se mais facilmente no seu universo de vida.

Para tal, foi necessário criar novos espaços e alterar alguns dos existentes, introduzindo-se novos equipamentos e funcionalidades e foi acrescentada a «Suite da Avó». O objetivo deste quarto é demonstrar que, com as novas tecnologias, os idosos podem usufruir de melhores condições de conforto, de vigilância e de comunicação junto das suas famílias."






Todas as pessoas, inclusive as idosas e as portadoras de deficiência, merecem viver numa casa e num mundo que esteja adaptado ás suas necessidades, de forma a possibilitar o máximo de conforto, qualidade de vida e autonomia.
Da mesma forma que as nossas casas não estão preparadas à priori para a chegada de um bebé, também estas precisam de sofrer alterações para se adaptarem às necessidades impostas quer pela idade, quer pela saúde.
Enquanto a grande maioria dos edifícios, de habitação e outros, não forem criados de raiz de forma a serem considerados inclusivos e capazes de servirem da melhor forma a pessoa em todos os estágios da sua vida, é importante falar sobre este tema.
Mais importante ainda é inspirar o mercado a satisfazer esta enorme necessidade e lacuna, seja através de gabinetes de arquitectura e profissionais de obras que alarguem a sua actividade, tornando-se também especialistas em preparar habitações para pessoas de idade ou portadoras de deficiência, seja também através da disponibilização dos produtos que permitem esta mesma adaptação no máximo possível de lojas, de forma a que sejam totalmente acessíveis.

Quando falamos em pessoas idosas, (e faço questão de incidir uma especial atenção neste nicho, visto termos uma população envelhecida), uma casa adaptada às suas necessidades faz a diferença do mundo. Algumas mudanças permite-lhes prolongar uma vida autónoma. Nunca devemos desvalorizar a importância que tem nas nossas vidas, na nossa psique, na nossa felicidade, esta capacidade. Na mesma medida, quanto mais autonomia tiver a pessoa idosa, menor a carga para os seus cuidadores.


Algumas das alterações aconselhadas numa casa pensada para pessoas idosas:


- Camas, sofás, cadeiras e cadeirões devem ter uma altura que permita a pessoa ter os pés bem assentes no chão quando sentada.
- As camas articuladas são uma opção mais confortável, por também facilitarem os movimentos, para todos os idosos, mesmo aqueles que não se encontram acamados.
- O quarto da pessoa idosa deve estar o mais próximo possível da casa de banho, e preferencialmente situar-se no piso térreo.
- Não devem existir tapetes pois é muito fácil para um idoso tropeçar. Caso existam devem ser de pêlo curto e estarem colados ao chão com fita adesiva de face dupla.
- Na casa de banho a banheira deve ser substituída por duche, preferencialmente um em que a base seja plana e antiderrapante. Neste deve existir um banco e corrimões.
- Idealmente a sanita deverá ser elevada em cerca de 10 centímetros e possuir barras de apoio laterais. Existem assentos especiais caso não seja possível ou não se queira trocar a sanita.
- O pavimento da habitação deverá ser antiderrapante especialmente em zonas como a casa de banho, e de circulação.
- As maçanetas e puxadores deverão ser de modelo alavanca e nunca esféricas.
- As paredes deverão ser de cores claras. Cores vivas e contrastantes deverão ser utilizadas em pormenores como maçanetas, puxadores, tomadas, interruptores, degraus e outros obstáculos.
- O aquecimento deverá ser providenciado através de ar condicionado e nunca através de equipamentos que podem dar origem a acidentes como braseiras eléctricas, aquecedores a gás, etc.
- É importante que toda a habitação seja bem iluminada, mas que a escolha de luzes não encandeie. Nas zonas de circulação, em particular no percurso entre o quarto e a casa de banho são aconselhadas luzes com sensores de movimento.
- As portas deverão ser largas e o espaço de circulação preservado.
- É importante que tudo esteja à mão, todos os armários, especialmente os de cozinha devem ser repensados. Tomadas e interruptores também devem estar ao mesmo nível.
- Os electrodomésticos que funcionem a gás devem ter sistema de segurança como válvula corta-gás.
- As torneiras monocomando são as mais aconselhadas.
- Alguns móveis, como a mesinha de cabeceira, devem ter os cantos arredondados e estarem fixos à parede.

Mais aqui.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

coisas que gosto: Maravilhosa nanotecnologia!



Michio Kaku é um famoso físico teórico japonês. Considerado um dos maiores físicos teóricos da actualidade, Kaku é tão conhecido pela sua Teoria das Cordas, da qual é co-criador, como da sua paixão por sci-fi e presença em variados documentários e programas televisivos.

Ontem apanhámo-lo num divertido programa em que se propunha a desenvolver uma forma de construir um sabre de luz como os do Star Wars, que partilho convosco mais abaixo.

Uma das questões remetia-se à imensa quantidade de energia necessária para alimentar tal arma, similar à utilizada para sustentar uma pequena cidade. A segunda questão em relação à fonte de energia era a sua dimensão: o que seria capaz de produzir tamanha energia que coubesse num punho de 12,5 cm?
A resposta encontra-se na nanotecnologia.

Mais especificamente em biliões de nano cabos supercondutores, feitos de carbono, que é uma das três matérias vivas mais abundantes, em conjunto com o hidrogénio e o oxigénio. Os cientistas ainda não conhecem exactamente as razões porque nano cabos feitos de carbono de replicam tão rapidamente em laboratório.

Kaku não conseguiu materializar um sabre de luz, mas idealizou um plano para a sua construção usando tecnologias que poderão ser viáveis e aplicáveis em cinquenta anos. Quem sabe, menos.
Desde ontem que não consigo deixar de pensar nas inúmeras aplicações desta "fonte de energia".

As sociedades humanas não existem sem energia, mas o uso de combustíveis poluentes, radioactivos, tóxicos, nunca foram uma escolha sensata, nem para a nossa espécie, nem para nenhuma outra forma de vida deste planeta.

Quando a ideia expressa neste programa se materializar teremos finalmente acesso a energia limpa, quase ilimitada.
Imagino-nos a carregar uma bateria do tamanho dos cartões sd que utilizamos nos telemóveis e máquinas fotográficas, inseri-la numa qualquer ranhura de um veículo ou de casa e esta ser mais que suficiente para todos os nossos gastos energéticos, sem quaisquer emissões poluentes ou perigos para a saúde ou meio-ambiente. E, a custos mínimos, logo acessível a todas as pessoas, independentemente do país onde vivam, pois o carbono abunda no universo.






segunda-feira, 21 de março de 2016

coisas da casa: O corredor



Não sei se convosco se passa o mesmo, mas há uma arquitecta/ designer de interiores que habita em mim. O raio da entidade é tão opinativa que tem sempre uma palavra a dizer sobre todos os espaços que visito, conheço ou vislumbro. Seja habitação, espaço comercial ou qualquer outro, lá está ela a sussurrar-me ao ouvido sobre que paredes deitava abaixo, o que acrescentaria, o que modificaria aqui e ali.

Claro está, a nossa casa não é excepção.

Fosse fazer-lhe a vontade por aqui e em nome do design e da imaginação, a intervenção seria de tal forma geral, que de antigo só ficaria a carcaça.

Honestamente adoraria fazer-lhe a vontade, nem que fosse para ter aquela sensação de realização, de ver as ideias ganharem vida, passarem do abstracto para a realidade. Até porque algumas das ideias, perdoem-me a falta de humildade, são realmente boas.
O que me trava é que obras em casa, para além de significarem um enorme dispêndio de dinheiro e tempo, são sinónimo de grandes chatices e dores de cabeça. Elevadas ao cubo numa casa que se encontra habitada. Credo! Cruzes canhoto! Só de pensar é coisinha para fazer esmorecer a vontade.

Um dos espaços que mais gosto nesta casa é a zona de hall de entrada e corredor. Os primeiros proprietários, que apanharam a casa ainda na fase de construção, tiveram várias divergências com o construtor ao nível da estética e exigiram várias modificações, pelas quais estamos gratos. Não fossem as suas exigências e teríamos armários castanhos na cozinha ao invés de brancos, e o corredor seria revestido a azulejo ao invés de lambri de madeira, que é uma opção que, tendo em vista o padrão de azulejos escolhido, nos agrada muito mais.

Agora as tendências são outras, mas durante muito tempo não havia casa construída em Portugal que não levasse com os proverbiais azulejos nas áreas de circulação.
Nada tenho contra a azulejaria portuguesa, pelo contrário, apenas acho que muitos construtores conseguiram ser pródigos em escolhas infelizes, (com tanto padrão bonito, como é possível escolher tamanhos mamarrachos!).
É importante haver consonância entre a identidade, a alma da casa e as escolha destes pormenores.

Adiante.

O grande ponto forte do meu corredor é ter uma largura bastante simpática. Assim sendo, permite-nos não só ter uma zona de bengaleiro, mas também algum espaço para arrumação sem que a circulação fique comprometida.

Mesmo assim, acho que o espaço está mal aproveitado, que tem potencial para muito mais. E acho importante, especialmente em casas que não primem pelas grandes dimensões, dar o devido valor a cada centímetro. Preferencialmente de uma forma que não sacrifique a estética.

Nas zonas de passagem os revestimentos são importantes para proteger as paredes de danos e sujidade. É muito mais fácil a limpeza e manutenção de um qualquer revestimento, seja madeira, azulejo ou outro, do que uma parede simplesmente estucada ou pintada.

Imagino as paredes neste espaço, à excepção de uma, totalmente revestidas a ardósia. Gosto de materiais naturais, e os espaços onde predominam a pedra sempre me transmitiram uma agradável sensação de conforto e bem estar, para além de os achar visualmente apelativos.

Manteria o tecto falso em madeira porque sou fã destes tectos pela sua facilidade de manutenção, aspecto e porque permitem personalizar a iluminação, colocando-se tantos focos de luz quantos os desejados e onde se desejam.

Mesmo assim, o grande pormenor da mudança residiria em ocupar toda uma parede com um móvel feito à medida.
Há anos, vi num qualquer artigo de decoração sobre a casa de um arquitecto, uma estante que passou, para mim, a ser "a" estante. Estava construída de forma tão perfeita que, para os menos atentos, parecia somente uma parede revestida a madeira, completamente lisa, sem quaisquer rococós. A ausência de adereços salientava a beleza natural da madeira. Se a memória não me engana, (já que não consigo reencontrar o dito artigo nem por nada), um extra de criatividade e interesse visual residiam no facto da estante estar dividida em cubículos iguais, (não se notando tratarem-se de portas), onde se iam alternando a direcção dos veios da madeira, ora na horizontal ora na vertical.

Adoraria ver uma parede específica do corredor ocupada com uma estante do género, com compartimentos adequados às nossas necessidades. Porque uma estante é tudo o que quisermos e necessitarmos.
Imagino-a com um nicho onde possamos colocar largar as chaves, os telemóveis e o correio. Com arrumação para sapatos, malas, casacos. Com compartimentos especiais onde arrumar a bicicleta, as pranchas, os patins. Com espaço extra para livros e tantas outras coisas. Tudo organizado, escondido, detrás de uma peça de inequívoca beleza.

E para quem não aprecie o look natural da madeira porque não colar-lhe a impressão de um dos quadros favoritos? Já imaginaram ter em casa um Miró, um Kandinsky, um Almada Negreiros ou Vhils do tamanho de uma parede?








terça-feira, 24 de novembro de 2015

Bucket list #7: O Parque do Kiko



Se encontrasse aqui mesmo ao lado de casa, um qualquer terreno de tal forma baratinho, tipo ao preço da chuva, quase dado, (nunca é demais o ênfase no "baratinho"), comprava-o. Investia numa vedação robusta, num portão, procedia à sua limpeza e "desparasitação", (não sei que termo se utiliza em relação a terrenos), de forma a dar cabo das pulgas, carraças e afins.

Chamar-lhe-ia o "Parque do Kiko".
Seria um espaço onde poderíamos ir brincar, correr, sem trela, sem perigo de atropelamentos, nem interacções com outros cães que não sejam desejadas naquele momento, sem lixo.

Teria todo o gosto em que o acesso ao Parque do Kiko fosse aberto a outros cães, num horário abrangente mas definido. Todos seriam bem vindos desde que seguissem as "regras da Ana". Sim, que o parque seria do Kiko, mas as regras, essas são da dona.

Não seriam regras complicadas. Basicamente, consistiriam em deixar o espaço limpo, apanhar os dejectos do animal, não estragar nem retirar nada do que lá se encontrasse. Os que soubessem seguir estas simples normas de conduta, que não vão além do bom senso e práticas básicas de civismo, seriam mais que bem vindos a usufruir connosco do parque.
Quem não fizesse caso das "regras" acabaria por perder, em último caso, o direito de acesso. Afinal, um dos motivos porque a criação do mesmo se encontra na minha "bucket list" é porque estas regras, que para mim são importantes, não são seguidas nos espaços públicos.

Acima de tudo este meu desejo surge porque sinto e acredito que espaços destes fazem muita falta. Locais cuidados e vedados, onde os animais possam andar sem trela, sem qualquer perigo para si e para terceiros. Onde possam, em liberdade, gastar toda aquela energia que vão acumulando, especialmente os que estão confinados a apartamentos e pequenos espaços. Onde os donos, especialmente os tão neuróticos como eu, possam retirar maior prazer dos momentos ao ar livre com os seus patudos, porque naquele espaço estariam protegidos de  muitos dos perigos potenciais que nos deixam num estado de sempre alertas e, consequentemente de mau humor, como o trânsito, o lixo, etc.
Infelizmente acredito que sem iniciativa privada muito dificilmente veremos um grande número de parques caninos no nosso país. Isto porque, se nem há fundos para espaços para crianças, quanto mais para animais não é?

Imagino, ao longo do tempo, este espaço a crescer e a ser melhorado, passo a passo, conforme a carteira, (sobretudo a carteira!), a imaginação e a vontade iriam permitindo, com a implementação de coberturas para criar sombra no Verão e proteger da chuva no Inverno e candeeiros solares de jardim para permitir a sua utilização à noite.

Quem sabe até uma piscina para eles.

Imagino muitas coisas, um enorme potencial que se estende para lá da linha do horizonte, como uma possível parceria com uma escola de treino canino e a possibilidade de ali organizar uma ou duas aulas de treino de obediência, e outras modalidades, por semana.
Imagino-me a emprestar o parque ao canil do meu município e às associações, para que, pelo menos uma vez por semana pudessem trazer alguns dos seus animais para aulas de obediência e, para se divertirem, contribuindo para a sua felicidade e aumentando, quem sabe, a possibilidade destes virem a ser adoptados.

No meu íntimo sei que seria um espaço nascido de um desejo um pouco egoísta de querer providenciar o melhor para meu patudo, mas que me encanta sobretudo pela sua capacidade quase infindável e lírica de ser um projecto altruísta, seja pelo desejo de providenciar o mesmo conforto a muitos outros animais, tenham eles dono ou não, de aumentar o nível de consciência para com o bem estar animal, de providenciar momentos de pura alegria entre humanos e animais, de criar uma casa para um grupo de trabalho com ideias solidárias, positivas, de inspirar outros a fazerem o mesmo, mais e melhor até!

Agora, onde raios anda esse terreno baratinho?!






terça-feira, 15 de setembro de 2015

coisas de opinar: As minhas 5 palavrinhas sobre o futuro da Síria


Existe um cartoon escrito por Audrey Quinn e ilustrado por Jackie Roche que tem corrido mundo.
Intitula-se "Syria's Climate Conflict" e explica de uma forma sucinta e clara as origens de todo o conflito sírio e de como escalou ao ponto de se tornar uma crise com implicações tão extensas.

Já não me recordo como, ou através de quem, tomei conhecimento deste cartoon mas, foi-me de uma tremenda serventia para ficar a saber um pouco sobre um país, o seu povo e este conflito.

Há traços que nos distinguem enquanto pessoas. Um dos meus traços é que não resisto a pensar numa solução quando me deparo com um problema. Infelizmente não será tão útil quanto ser alguém que avança e mete as mãos na massa, mas é assim que sou.

Fiquei a remoer no tal cartoon, em toda aquela informação. Quando se fala em mais de 4 milhões de sírios que procuram refúgio noutros países, e dos mais de 7 milhões que se movimentam dentro das fronteiras sírias na tentativa de fugir da violência, temos uma ideia da proporção de todo este horror, da urgência da necessidade do apoio das restantes comunidades internacionais no tempo presente mas, também, na necessidade de pensar no futuro, de forma a poder devolver aos que tiveram que fugir, aquela que é a sua terra.

Sem mais delongas, as 5 palavrinhas que definem o processo de um melhor futuro para a Síria são:

Paz - o essencial primeiro passo.

Democracia - como já disse alguém, não perfeita, mas bate aos pontos um qualquer ditador.

Dessalinização - Mais uma vez o Mar Mediterrâneo teria um papel determinante nesta história, mas desta vez como fonte de água potável, (obtida através deste processo), possível de ser usada para consumo humano, animal, para irrigação de culturas. O sal obtido no mesmo processo poderia ser comercializado, quiçá mesmo exportado, e ser mais uma fonte geradora de emprego e rendimentos.

Florestação - Plantar árvores numa zona árida pode parecer um contrassenso, mas é um gesto que pode ajudar e muito a transformar totalmente um ecossistema, a regredir a desertificação, a combater a seca.
Um exemplo de que isso é possível é a história de  Yacouba Sawadogo, o homem que plantou uma floresta no deserto do Burkina Faso. Fica aqui o link.

E por último, Hidroponia. Conceito que aqui já falei como sendo uma das coisas que realmente gosto, por ser, também, uma solução perfeita para o cultivo de alimentos em zonas áridas, pois precisa de uma pequena fracção da água normalmente utilizada na agricultura.


Esta é a minha visão.










quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A melhor empresa do mundo #3: "Nevzat, o patrão que vendeu a empresa e deu €216 mil a cada funcionário"



Basta uma única pessoa para surgir uma ideia, desenhar um conceito. Mas depois, na prática, toda uma equipa é fundamental para o sucesso. Daí ser tão justo que os frutos do sucesso sejam repartidos.

É bom ter uma notícia para partilhar que fala disto mesmo:

"Nevzat Aydin decidiu vender a sua Yemeksepeti, uma empresa turca de encomendas online e entrega de refeições ao domicílio, a uma companhia alemã do mesmo ramo, a Delivery Hero.

Segundo a CNN, o negócio foi fechado por 530 milhões de euros. Mas a notícia não é esta, ainda que o negócio seja financeiramente relevante. O que tem feito de Aydin notícia é o facto de ter decidido distribuir 25 milhões por 114 trabalhadores.

Em média, cada empregado recebeu 216 mil euros. No entanto, este valor varia consoante a produtividade e o “futuro potencial na empresa” de cada um. Só os trabalhadores com mais de dois anos de contrato é que foram elegíveis para o bónus.

Para Nevzat Aydin, cofundador da empresa, o sucesso da Yemeksepeti “não aconteceu do dia para noite e muitas pessoas participaram nesta viagem com o seu trabalho e talento”. “Alguns choraram, outros gritaram e houve ainda quem escrevesse cartas de agradecimento. Houve muitas emoções, porque mudámos a vida das pessoas. As pessoas [agora] podem comprar casas, carros... Podem fazer imediatamente algo que nunca conseguiriam com um ordenado de 900 ou 1500 euros. Foi uma coisa boa. Gostaria de ter a capacidade de lhes dar mais”, contou Aydin.

A Yemeksepeti foi fundada há 15 anos e entrega mensalmente mais de três milhões de refeições e opera nos Emirados Árabes Arábia Saudita, Líbano, Omã, Qatar, Jordânia, Jordânia e, claro, na Turquia. O conceito da empresa passa pela encomenda de refeições online que depois são entregues no local e à hora escolhida pelo cliente.

Com a venda da Yemeksepeti, Nevzat Aydin mantém o cargo de diretor-executivo e passa também a ocupar uma cadeira no painel da administração da Delivery Hero."

in Expresso








segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A melhor empresa do mundo #2: O transporte de e para a empresa







A quantidade de automóveis que circulam diariamente são um problema.
Segundo dados de 2006, o número total de veículos a circular no nosso país são cerca de 5,6 milhões. Diz-se, igualmente, que Portugal é dos países da Europa com mais automóveis por habitante.


Lisboa e Sintra são os dois municípios com maior densidade populacional do país. O primeiro com cerca de 519 mil habitantes, e o segundo com cerca de 419 mil, (dados de 2005).
Não será então de estranhar que a IC 19 seja das vias com maior tráfego. Aliás, até já foi considerada das mais congestionadas da Europa, para além de ser apelidada igualmente a "mais perigosa" a nível nacional.


Outras vias, como a A5 não são excepção.
Qualquer pessoa que já tenha experimentado qualquer um dos trajectos saberá bem a frustração de estar parado no trânsito a caminho do emprego, por exemplo.




Esta situação é um problema que se reflecte:


- No bem estar do indivíduo. O stress que resulta de vivenciar o trânsito regularmente tem custos para a saúde. Na óptica de interesses das próprias empresas, esse stress afecta perniciosamente o desempenho do trabalhador, como é natural. Outra manifestação são os possíveis acidentes, e as suas consequências.


- No meio ambiente. Pela poluição gerada pela quantidade de gases libertados para a atmosfera. Pelo gasto de recursos finitos como o combustível fóssil.


- Na economia. Cada veículo significa um pacote de custos para o seu proprietário, que engloba desde os custos de aquisição, manutenção, seguro, combustível. Um imenso desperdício quando verificamos que, a bordo de cada automóvel, vai geralmente uma só pessoa.


- No tempo. É um despedício infeliz de vida, (porque tempo é vida), o tempo que cada pessoa passa no trajecto casa-trabalho / trabalho-casa. Chegam a ser horas diariamente.




1 - Não serão os transportes públicos a solução?


Infelizmente, (ainda) não.
Em muitos casos, a nossa rede de transportes públicos entende-se mais propriamente como parte do problema do que da solução.
Há pessoas que não podem abdicar da viatura própria porque não existe transporte público que sirva aquele trajecto, ou porque não há compatibilidade com os horários praticados, ou ainda porque a viagem entre os pontos A e B implicam uma série surreal de transbordos que resultam numa perda inacreditável de tempo.
Quem não tem outra hipótese, conhece esta realidade, para além dos atrasos, greves e afins.
Hoje em dia, os preços dos transportes são também tão elevados que, este torna-se um bom argumento para não abdicar do conforto do próprio automóvel.


Embora sejam muito bons quando comparados com o que existe noutros países, ainda não se tornou possível desenvolver um modelo de transportes públicos suficientemente rápido, dinâmico, eficiente, confortável, de modo a ser visto como uma excelente alternativa ao carro para a maioria da população.




2 - A bicicleta


Nos últimos tempos houve um "boom" em relação ao interesse para com a bicicleta. Indo mais além da prática desportiva, há quem a use como meio de transporte, e nota-se o interesse de mais pessoas em querer usá-la para esse fim.


A bicicleta é o meio de transporte mais barato. Por 500 ou 600 euros adquire-se um modelo bastante decente. Quantia que significa apenas alguns meses de passe dos transportes públicos.


É também o mais saudável, e não polui.


Se não aumenta já de forma exponencial o uso da bicicleta para este fim é porque as empresas não possuem condições para tal.






A melhor empresa do mundo teria um estacionamento para bicicletas.


Onde estariam abrigadas das condições climatéricas, e em segurança.






A melhor empresa do mundo teria balneários completos.


Estes estariam equipados com zona de cacifos, duches, e sanitários.






3 - Mas decerto que nem todas pessoas pensam locomover-se em bicicleta. E as outras?




A melhor empresa do mundo possui um serviço de transporte colectivo para os seus funcionários.


Um autocarro de dois andares transporta simultaneamente cerca de 90 pessoas. Isso significa menos 90 viaturas na estrada, ou tornar disponíveis, para outros utentes e em determinado momento, 90 lugares nos transportes públicos.


Um autocarro de dois andares tem a mesma pegada ecológica que um autocarro de um só piso, que transporta  cerca de 40 pessoas. Portanto é uma solução amiga do ambiente.


Significa uma solução económica, porque mesmo que cada trabalhador pagasse somente 50 euros pelo passe combinado dos transportes públicos, (que os há bem mais caros), uma empresa não gastaria 4500 euros por mês neste serviço.
Isto fazendo a conta a 50 euros por apenas 90 trabalhadores. Quanto mais pessoas a utilizarem o mesmo autocarro, maior a poupança.


Significa igualmente menos stress na vida dos funcionários. Como não vão a conduzir podem aproveitar a viagem para relaxar, ouvir música, ler, dormir.
Para os que teriam que andar de transportes, significa o fim das esperas ao sol, chuva e frio, dos atrasos, do perder os transbordos por um par de minutos.






4 - Como gerir os custos destes benefícios?




Reduzir custos é fundamental.


O primeiro passo, em relação aos autocarros do serviço de transporte colectivo de funcionários, é diagnosticar se é mais vantajoso para a empresa a aquisição dos mesmos, ou o aluguer.


Depois, a melhor estratégia para reduzir custos é rentabilizar esses benefícios.


Como?


Vendendo esses benefícios como serviço a outras empresas próximas geograficamente.
No caso do autocarro, significaria colocar à disposição das mesmas, o serviço de transporte colectivo dos seus trabalhadores, mediante pagamento. Praticando um preço per capita competitivo, mas que ainda assim, ajudaria a diminuir os custos com os benefícios que apresentamos aos nossos funcionários. Quem sabe até mitigá-los por completo, e gerar lucro.








Imaginem se todas empresas aderissem a este sistema. Autocarro a autocarro, viagem a viagem, estariamos a retirar centenas, milhares de veículos automóveis das estradas.


Que acham? Gostam da ideia? Gostariam de a ver implementada na vossa empresa?









sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A melhor empresa do mundo #1: O horário de trabalho e a produtividade





Aqui há tempos falei-vos que um dos meus sonhos, (coisa improvável de suceder), que era ter o capital, (grana, pilim, carcanhol), necessário para abrir uma empresa, onde pudesse implementar as teorias que venho desenvolvendo ao longo dos anos sobre as mudanças que acho necessárias para a evolução da sociedade.
Como um estudo científico em ambiente controlado, numa espécie de placa de Petri, que, em caso de sucesso, poderia significar uma inspiração para um novo modelo vigente, quiçá global.
Podem ler o post aqui.


Serve esta nova rubrica para vos apresentar esses conceitos com mais detalhe.






- Na "melhor empresa do mundo", seria instaurado o horário semanal de 30 horas.






-Porquê? Qual a motivação?

Porque nada existe isoladamente no Universo. Todas as acções implicam obrigatoriamente reacções que vão para além de si. As repercussões das mudanças no ambiente laboral ecoam em todos os outros ambientes da vida humana. Deduzo logicamente que, se implementarmos mudanças positivas no universo do trabalho, colheremos frutos positivos nas restantes áreas.


A missão deste conjunto de medidas no ambiente laboral, é a longo prazo, construir um mundo melhor. Começar a fazê-lo em pequenos passos, porque não há que subestimar o efeito borboleta.




- Porquê as 30 horas?


Numa visão mais utópica, talvez possível daqui a 500 ou mil anos, eu defendo um horário de 20 horas semanais. 30 parece-me um meio termo fazível entre o que imagino como ideal, e o que seria possível implementar na nossa realidade.
Na minha visão, uma sociedade verdadeiramente avançada e produtiva, é aquela em que existe um elevado índice de auto-sustentabilidade, em que ninguém está totalmente dependente do salário como hoje em dia.


Para mim, as 20 horas estão longe de significar uma sociedade de gente dedicada ao dolce far niente. Pelo contrário, significa antes trabalhar 4 horas por dia numa qualquer empresa, e ter outras 4 horas diárias para dedicar à produção dos próprios alimentos na horta do agregado familiar, fazer a lida doméstica, participar activamente na educação dos filhos, e apoiar os idosos da família, e ainda poder seguir a sua vocação como segunda ocupação. Imaginem por exemplo, um mecânico de carreira, pintor de vocação; ou um designer cantor, um enfermeiro tecelão.




- Como seria implementado?


No momento da sua contratação, cada trabalhador teria a liberdade de escolher entre três modalidades de horário:
1) Ou trabalha 5 dias por semana, 6 horas por dia.
2 ) Ou, passa a ter 3 folgas semanais. Trabalhando 4 dias por semana, 7,5 horas por dia.
3) Ou ainda existe a opção de intercalar, entre semanas, a modalidade 1 e 2.




- Quais os benefícios para o trabalhador desta prática?


Em primeiro lugar, a liberdade de escolher a própria modalidade de horário de trabalho resulta numa maior harmonia entre o trabalho e as restantes faces da vida da pessoa.


Há que sublinhar que a estipulação das 40 horas semanais e das duas folgas foi um tremendo avanço civilizacional, e uma vitória. Hei-de vos trazer em breve mais sobre este tema, como era a vida antes das 40 horas, o enquadramento histórico, tudo isso.


As 40 horas permitem tripartir o dia em parcelas iguais para o trabalho, o descanso e actividades várias, inclusive de lazer.


Actualmente o ser humano é mais complexo, numa sociedade que também o é.
Como exemplo, se olharmos para os desafios da parentalidade, o passado e o tempo presente apresentam realidades muito distintas. Hoje em dia "cama, mesa e roupa lavada" fica muito aquém do que é exigido aos pais. Espera-se da parte destes uma participação extremamente activa na vida dos filhos, como nunca antes na história da nossa espécie, em casa, na escola, nas actividades extra-curriculares, etc.
E isso requer sobretudo tempo e disponibilidade, que se tornaria uma missão menos difícil com uma diminuição das horas dispendidas a trabalhar.


Em resumo, menor horário de trabalho significa mais tempo para a família, aumentando a qualidade das relações com os filhos, com a cara metade, significando também mais disponibilidade para os pais, para quem essa atenção será tão significativa no seu envelhecimento.
Tempo para si próprio em actividades de auto-realização sejam hobbies, prática desportiva, etc. Mais tempo para a gestão da casa e todas as burocracias da vida moderna.
Tempo para aprender, continuando a sua formação, o que resultará também num benefício para a própria empresa.




- Quais os benefícios para a empresa? Esta não veria a sua produtividade ameaçada?


"Produtividade é produzir mais em menos tempo, com menor custo e maior eficiência."


Estar presente não significa ser produtivo. O mesmo se pode dizer em relação às horas de trabalho: mais não significa melhor.


Felizmente já começam a existir empresas, também por cá, que o percebem.
Que proibem a presença dos empregados após o horário laboral.
Que em vez de aplaudirem aqueles que ficam até tarde, (o que tantas vezes significa dar graxa às chefias ao invés de produtividade, ou uma empresa esclavagista que conta com poucos para fazer o trabalho de muitos), entendem que tal significa que há um potencial problema que necessita de ser diagnosticado e resolvido o quanto antes. Que se interrogam em tal análise porque pessoa X não conseguiu cumprir os objectivos diários nas horas devidas. Objectivos demasiado ambiciosos? Falta de condições na empresa? Falta de know how ou motivação?


Assim se comportam as empresas da nova guarda!

Quando se fala em produtividade são factores como as boas condições de trabalho, a capacidade de motivar os trabalhadores, a existência de comunicação, o limitar a burocracia a um mínimo, a existência de infraestruturas e ferramentas adequadas, formação e know how, salutar ambiente de trabalho e a boa organização e gestão que contam.




Como empreendedora, consideraria o horário de 30 horas, um excelente investimento que me traria como retorno trabalhadores felizes, motivados, e dispostos a dar o seu melhor.




Que acham?





quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Bucket list #5: A melhor empresa do Mundo e arredores





Tenho imensos sonhos. Muitos deles são inconcretizáveis até ao dia em que, por um golpe de sorte de outro mundo, me venha parar às mãos um senhor jackpot do euromilhões, ou algo assim.


Há uma imensidão de pessoas para que dizem que se dedicariam ao dolce far niente caso lhes saísse a sorte grande.


Como de costume, eu sou como o salmão - nado contra a corrente.


Adoraria, (mesmo a sério), ter a capacidade financeira para poder testar as minhas teses, as ideias que vou tendo, nas quais acredito e que, por enquanto, não podem passar da forma abstracta.


Uma delas é a construção, de raíz, da que seria "a melhor" empresa do Mundo!


Eu sei, dito assim parece no mínimo descabido, uma parvoeira. Deixem-me explicar melhor:


A "melhor" empresa do Mundo defino-a não só como sendo a fabricante de um produto ou prestadora de um serviço bestial, mas aquela que se preocupa como nenhuma outra o fez até agora com o Índice de Felicidade no Trabalho, que se preocupa com o tamanho da sua Pegada Ecológica, e tem como missão gerar valor na sociedade, a começar pela comunidade onde está inserida.


Ser pioneira no mundo, fazer chegar ao mercado embalagens de produtos com um selo de garantia "aqui trabalham pessoas felizes". Inspirar outros a caminhar nesse trilho! Até sinto borboletas no estômago só de pensar nisto, caramba!


Como virgiana, e sendo estas ideias o meu legado, é claro tenho uma descrição muito mais detalhada sobre isto, que depois partilharei convosco.




Oh, Euromilhões onde andas tu?!

sábado, 27 de setembro de 2014

coisas que gosto #15: Hidroponia





Sou uma pessoa curiosa por natureza, questiono-me sobre como o mundo funciona e vou à procura das respostas.


Um dos rituais que adoptei há muito tempo, e que faço questão de manter, consiste em aprender uma coisa nova todos os dias. Faz parte da minha rotina diária tal qual como lavar os dentes, beber um copo de água ao acordar, ou qualquer um das dezenas de gestos automáticos e essenciais do dia-a-dia.


É que eu não consigo viver sem pensar, sem fabricar ideias. Ao longo dos anos fui acumulando ideias em cadernos e mais cadernos, (sim, sou do século passado, e ainda conservo o hábito de escrever à mão), que hoje se amontoam numa pilha de dimensão respeitável. Esse monte de escritos e rabiscos é o meu legado.
Em suma, o conhecimento é o combustível das ideias.


O que é que isto tem a ver com Hidroponia? Tudo!
Sem curiosidade nunca teria descoberto este tema, pelo qual me apaixonei.




De uma forma bastante concisa e simplista podemos definir a Hidroponia como a técnica de cultivar plantas sem solo.
As plantas são colocadas em canais ou recipientes, (muitas vezes em calhas de pvc), onde circula uma solução específica de água e um cocktail de todos os nutrientes que estas necessitam.


As vantagens em relação à Agricultura tradicional são várias:


- O solo não é homogéneo, existem no mesmo terreno zonas com mais nutrientes e outras com menos.  Na Hidroponia todas as plantas têm igual acesso aos nutrientes necessários ao seu desenvolvimento. Como consequência temos produtos mais uniformes, maiores e até mais robustos.


- As plantas cultivadas por meio hidropónico estão sujeitas a menos pragas, visto que geralmente estas têm como origem, o solo.


- Grande poupança de recursos. Em termos de água falamos de uma poupança em torno dos 50 a 70%. Em termos de nutrientes, idem, visto que é tudo medido e usado rigorosamente. Não há desperdício.
Um produtor português hidropónico de morangos avança que, em vez de gastar 60000 litros de água na rega de um hectare, bastam-lhe 2500 litros, e produz durante todo o ano. Fenomenal, não?!
(Podem ler mais aqui ).


- Maior produção, durante um período mais alargado. Há quem diga que a Hidroponia "rende três vezes mais". Isto porque não se está dependente da qualidade do solo e do clima como na Agricultura tradicional.


- Não há necessidade de solo, por isso qualquer zona, independentemente da localização ou dimensão está apta para a prática de Hidroponia. Estamos a falar de poder cultivar alimentos em varandas, terraços, em zonas onde o chão seja cimento, em locais do mundo onde nunca se imaginou que a agricultura fosse possível.


- O trabalho em redor de uma cultura hidropónica é uma fracção do necessário na Agricultura tradicional. Para começar não é necessária a dura tarefa de preparar o solo, nem nada relacionado.
Na Hidroponia grande parte do trabalho consiste em controlar o sistema automático de rega e a saúde das plantas, garantir que a solução de nutrientes está perfeitamente equilibrada. Mesmo a colheita é exponencialmente mais fácil e menos trabalhosa, a começar pelo facto que as calhas onde as plantas estão, se encontram ao nível da cintura.
Isto significa que pouco mais de meia dúzia de pessoas são suficientes para uma área de cultivo enorme.


Só para que tenham a noção deixo aqui o link, (aqui ), de uma notícia que nos fala sobre como graças à Hidroponia, agricultores conseguiram, com sucesso, produzir hortaliças com água dessalinizada no meio do deserto mais árido do mundo!






Estou mesmo apaixonada por este conceito! Acredito que a Hidroponia é a solução para erradicar de uma vez por todas a fome no mundo.
Eu que sempre defendi a tese que todos nós deveriamos cultivar pelo menos parte dos nossos alimentos, vejo aqui uma forma possível de traduzir essa ideia para a realidade, quer habitemos no campo ou na cidade.


Além disso, se alguém me perguntar, enquanto profissional de marketing, sobre uma ideia de negócio viável eu sugiro, com todo o entusiasmo e ênfase, a Hidroponia.

























quarta-feira, 28 de maio de 2014

A importância de saber justificar





Lembram-se de quando éramos miúdos, na escola, e os professores insistiam para "justificarmos as nossas respostas"? Já pensaram na razão de ser dessa insistência?


Acompanhem-me, por favor, neste exercício:


Imaginem que vos pedem para elaborar qualquer coisa: uma refeição, um projecto, um objecto, uma ideia. A sério, isto aplica-se mesmo a qualquer coisa.
E vocês reflectem sobre como elaborar o que vos foi pedido e fazem-no.
Quando apresentam a vossa "coisa" dizem-vos que não gostam, que não concordam. Mas não se justificam. Não vos apresentam nem as razões que sustentam a sua discordância, e muito menos de como responderiam ao desafio proposto no vosso lugar, que alternativas sugeriam, quais os objectivos e como pensam lá chegar.




Digam lá que não sentiriam que é como estar a falar para uma parede!


Não confundir com a situação que é um debate entre pessoas que têm opiniões formadas, embora totalmente distintas sobre um tema. Como adultos sabemos que existe uma imensa validade em concordar em discordar. Além disso, um diálogo entre pessoas com perspectivas diferentes cria uma oportunidade para todos alargarem os seus horizontes.




Falo da frustração que é ir para uma troca de ideias munida dos amigos "O quê", "Quando", "Como", "Porquê", "Quem" e calhar com quem acha que uma mão cheia de "Nãos" é um Royal Flush.


Recentemente cometi o erro (oh para mim a bater com a cabeça na parede!) de tentar trocar impressões com quem defendia a abstenção nestas últimas eleições.
O discurso era de festa: viva a democracia, fora a partidocracia, está na hora de apresentar novas soluções, os que não foram votar é são os bons e espertos, e por aí fora...


Epá, sim senhor, desejo por um novo paradigma de sociedade, mais evoluído em todo o seu semblante? Também partilho. Afinal, quantos mais cidadãos activos no seu papel, com o intuito de melhorar a nossa sociedade, melhor para todos.

Então quais são mesmo essas "novas soluções", o que têm em mente? - perguntam vários, num misto de curiosidade e esperança que houvesse por ali um projecto, ou no mínimo um esboço, fruto de reflexão e planeamento estratégico, uma visão coerente.

"Mudamos a Constituição. As alterações deverão ser discutidas por todos nós".  Não houve aprofundamento sobre a questão, mesmo a pedido de várias famílias.


Da minha parte, desejo-lhes sorte. Talvez consigam reunir 6 178 640 indivíduos, (nº de eleitores portugueses que se abstiveram), no próximo pic nic com o Tony Carreira, e possam aproveitar para redesenhar a Constituição da República.






Estas situações não são pontuais, e estão longe de ocorrer somente entre nós, "cidadãos comuns", treinadores de bancada da política.


Por volta de 2011, entrava-se numa qualquer livraria, e todos os destaques incidiam em milhentas publicações sobre a crise. Foram tantos os políticos, economistas, sociólogos, antropólogos, etc, que decidiram publicar a sua visão sobre o novo contexto macro-económico que viria assolar a Europa.


Cheguei a ler alguns. Tantas as capas que prometiam no seu interior, não só uma análise aprofundada sobre a crise, as razões do seu aparecimento, mas também uma visão pessoal de como a solucionar.


Ora, tratando-se de profissionais da coisa, uma pessoa pensa que há-de sair de ali uma coisa com cabeça, tronco e membros, tim-tim por tim-tim. Mas não.
A incapacidade para a justicação é transversal. Digamos que somos todos mestres em preliminares, mas muito poucos conseguem levar a coisa até ao fim. Digamos que as trocas de ideias são muito como coitos interrompidos.


Para esta gente apresentar possíveis soluções não é diferente de constatar o óbvio e enumerar exigências:


- Queremos uma sociedade justa; queremos o Serviço Nacional de Saúde a funcionar bem; and so on...


Sim, sim, já sabemos isso tudo e é tudo muito lindo, mas como?! Não dizem. Nunca dizem!






E eu depois de ler algumas destas publicações e ficar irritada, (que apenas sou o que sou, mas que não gosto de ser só garganta, e não estou à espera que façam tudo por mim), meti mãos à obra:


Por exemplo, em relação ao Sistema Nacional de Saúde e os seus imensos problemas financeiros, fui ler um Orçamento de Estado. A observação desses dados permite concluir que grande parte da despesa é para com fornecedores.


Quem são os fornecedores? Laboratórios farmacêuticos. O tipo de empresas que alcançam dividendos astronómicos, que praticam uma política de preços com umas margens de lucro brutais, e moralmente discutíveis, tratando-se da área da saúde.

Uma das medidas possíveis: Promover a existência de laboratórios do Estado que forneçam aos Hospitais o maior número possível de produtos e medicamentos, com uma margem de lucro mínima.

O investimento para tal é menor do que se espera, visto já existir o Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos, que poderiam ser uma das infraestruturas utilizadas para este fim.


Tal possibilitaria igualmente fazer chegar medicamentos a um preço muito mais baixo, ou at´gratuitamente, às camadas de utentes mais fragilizadas, como os idosos que auferem pequenas reformas, ou utentes que estejam dependentes de apoio financeiro do Estado para a aquisição de medicamentos.


Acredito que tal fomentaria uma melhor gestão de recursos, diminuiria o buraco financeiro dos hospitais, pouparia dinheiro ao Estado, e facilitaria o acesso ao medicamento e à saúde por parte de toda a população.







sábado, 17 de maio de 2014

Desejos #2





Que todas as localidades de Portugal estivessem unidas através de uma rede de ciclovias / pedovias.


Não seria fantástico poder percorrer todo o território nacional, a pé ou de bicicleta, com toda a segurança e conforto?


O investimento necessário para tal deverá ser colossal, mas acredito que tendo em conta os benefícios, valeria a pena. Só assim por alto, ocorre-me:


- Maior segurança para os peões e os ciclistas, em especial para iniciantes, crianças e idosos.
- Mais pessoas a praticarem exercício físico, (caminhada, corrida, ciclismo, etc). Menos sedentarismo, mais actividade, logo uma população mais saudável.
- Mais tempo passado ao ar livre, em família, entre amigos, etc.
- Menos viaturas a circularem: mais economia, menos poluição, menos trânsito.
- Mais pessoas a utilizarem a bicicleta como meio de transporte.




Concordam comigo? Lembram-se de mais possíveis benefícios?