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sábado, 7 de janeiro de 2017
coisas sobre mim: Das resoluções de ano novo
Não guardo a tomada de resoluções para o ano novo. Sou mais de improvisos.
Não há quem me conheça tão bem quanto eu, portanto sei melhor que ninguém que não é por ditar uma lista de pontos, apelidá-los de algo tão sério quanto resolução, que me fará concretizá-los. Pelo contrário: sei tão bem o que a casa gasta, que fazê-lo seria convidar o meu lado rebelde a sabotar aqueles propósitos, só porque sim. Afinal quem sou eu para me dizer o que fazer?! Ou seja lá o motivo que leva os rebeldes a serem-no.
Também faço resoluções, não têm é hora marcada para acontecer. Aparecem. Entenda-se por estas alterações, grandes ou pequenas, que começam no pensamento e derivam na acção, motivadas por um qualquer desejo. É comum e bastante popular o desejo de se querer ser simplesmente melhor.
Há mais ou menos década e meia, adoptei como resolução que iria sorrir mais, sorrir muito, sorrir sempre, independentemente de receber esses sorrisos de volta. Hoje, essa resolução é-me intrínseca, faz parte mim, e nem me imagino a conseguir ser de outra maneira.
Mais ou menos na mesma altura decidi igualmente que iria tomar atenção nos pequenos detalhes do mundo, procurar beleza nas pequenas coisas, reparar em flores, pequenos pormenores que nos passam geralmente despercebidos. Isso deu-me combustível para ultrapassar uma das épocas mentalmente mais desafiantes e complicadas que já tive. E hoje é uma das minhas filosofias de vida.
Também passei a dizer mais vezes "amo-te". Não precisa ser literalmente um "amo-te", pode ser outra qualquer expressão, mesmo que meio tonta mas que o expresse. Faço-o todas as manhãs quando o marido sai para trabalhar, por exemplo.
Este ano, após ter abordado uns vizinhos sobre algo que me incomodava grandemente, surgiu mais uma. Na minha mente tinha imaginado um diálogo racional e sereno. Saiu uma discussão emocional. Não gostei.
Como nunca mais quero perder a serenidade, independentemente do que se passa do lado do receptor, então decidi, que quando estou "naquela semana" em que por questões sobretudo biológicas e hormonais sou toda emoção e temperamento, então basicamente vou fugir de diálogos, debates, negócios, reuniões e etc durante essa altura.
Estou resoluta.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Desejo de ano novo #7: Cuidar dos Cuidadores, Parte 1.
Se há realmente um ponto comum que nos une é que, todos nós, sem excepção possível, necessitamos de cuidados. Seja quando nascemos, durante a infância, na doença e na velhice. Alguns, infelizmente, têm deles necessidade por toda a vida, seja por incapacidade física, psicológica ou intelectual.
Que seria de qualquer um de nós se não existisse quem abraçasse esse papel de cuidador e nos providenciasse as atenções necessárias?!
Da mesma forma, haverá pelo menos um contexto na vida, em que qualquer um de nós será chamado a vestir o papel de cuidador, seja para os filhos, para os pais, para a cara-metade, para outra qualquer pessoa ou até animal...
É raro que o ser humano, (não interessa o contexto geográfico, histórico ou qualquer outro), envergue outro papel que seja tão abrangente, necessário e fulcral como é o de cuidador.
Por isso, é no mínimo bizarro, estúpido e contraproducente que os prestadores de cuidados sejam tão ignorados e forçados a viver uma realidade tão estéril em apoio, compreensão e empatia. Não só por ser uma realidade que inevitavelmente baterá a todas as portas, mas também por ser das funções mais exigentes e fatigantes emocional e fisicamente.
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Desejo de ano novo #6: A liberdade de deambular
Adoro dormir. De tal forma, que continua a ser das minhas coisas favoritas de todos os tempos e não acredito que haja, num tempo próximo ou longínquo, qualquer indício de mudança.
Um dos principais motivos porque adoro o sono, talvez até o principal, são os sonhos. O mundo no plano de Orfeu parece-me tão real quanto o deste lado: sonho a cores, com som, e juro que até já houve umas quantas vezes que também tive a impressão de sentir cheiros e impressões tácteis. Sonhar é vivenciar uma aventura, em que o argumento costuma bater aos pontos os da grande tela. O meu ponto de vista move-se como a câmara num filme, ora em grandes planos, ora em close-ups, ora do ponto de vista de uma qualquer personagem.
A experiência é tão real e inequivocamente tangível que, por vezes se torna difícil discernir qual o mundo onírico e o real, não fosse no primeiro possível levantar vôo sem esforço algum e fazer pouco de todas as leis da Física que regem o nosso lado da existência.
Não é por falta de amor à vida deste lado, mas o mundo de lá bate este aos pontos. Sobretudo porque nele a liberdade reina suprema e não existe medo nem consequências de maior. Em comparação, este mundo é uma prisão.
Enquanto sonho posso, embora de forma virtual, vivenciar o meu lado intrépido, explorador e aventureiro. Posso ser uma espécie de Indiana Jones ou Lara Croft e embrenhar-me selva adentro, descobrir zonas ainda inexploradas, dar com o caminho para o El Dorado, viajar ao centro da Terra, sondar o fundo dos oceanos a bordo do Nautilus, chegar à Atlântida, viajar no tempo e espaço...
Acordada sou a perfeita antítese de tudo isto. É o meu lado cauteloso e medricas o regente. Certamente também por uma questão de feitio, mas sobretudo pelo lugar que fizemos do mundo.
Adoraria que vivêssemos num mundo onde as fronteiras estivessem abertas e existisse segurança para sermos livres de deambular por aí, ao sabor da vontade, ao ritmo do improviso. Que pudéssemos pôr uma mochila às costas, e sozinhos ou acompanhados, fossemos viver aventuras, conhecer gentes, hábitos e culturas, explorar cenários, encher os olhos com outras vistas, sem os perigos e os danos que infligimos aos nossos semelhantes.
Acho triste, frustrante e mais uma prova que a estupidez é um dos nossos traços dominantes, que enquanto espécie tenhamos sobrevivido a vários períodos de quase-extinção, a eras glaciares, ao apetite de animais selvagens, à doença e sabe-se lá mais o quê, apenas para nos tornarmos a nossa maior ameaça.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Desejo de ano novo #5: Ode ao Ócio ou a necessidade de ressuscitar as noções de Scholé e Licere.
A história da Humanidade está repleta de conquistas, coisas grandes e pequenas, todas elas mais ou menos fundamentais, mais ou menos notadas, que vieram contribuir para a sobrevivência e evolução da nossa espécie.
Se de todos esses milhões de peças que vieram contribuir para o bem estar e desenvolvimento do Homem tivesse que eleger uma lista de dez favoritas, encontraria, sem pestanejar, um lugar de honra para o Ócio.
Há muito para dizer sobre o Ócio, mas começo por afirmar que a sua existência é a derradeira prova da vitória da nossa espécie sobre um manancial de sérias adversidades.
De vez em quando gosto de assistir a um dos muitos programas que existem sobre sobrevivência. Lembro-me de um em particular que me fez pensar como deveria ter sido difícil a vida para os humanos nos primórdios, e do milagre que é a sobrevivência, prosperidade e evolução da nossa espécie. O anfitrião do programa encontrava-se sozinho num qualquer local onde se sabe que existiram tribos há muito tempo atrás. Era um daqueles locais ermos onde a passagem do tempo não implica obrigatoriamente grandes mudanças ao cenário.
Todos os dias ele tinha que fazer uma escolha sobre o que era mais prioritário naquele momento: abrigo, calor, água ou alimento. A maior dificuldade consistia no facto da fonte de água potável se encontrar distante da fonte de alimento, assim como do local mais seguro para a construção de um abrigo, e por fim do local onde se encontrava material combustível para fazer fogo. Qualquer uma das viagens era essencial à sobrevivência, mas difícil tanto pela distância, como pelo dispêndio de energia e a influência do calor, frio e vento castigadores e inclementes.
Portanto, chegar a um estágio da nossa existência em que se vê ser possível dedicar tempo ao Ócio tanto na sua vertente contemplativa como de lazer é o mais claro indício de prosperidade. O momento em que se deixou simplesmente de sobreviver para passar a viver. Para mim, uma das maiores vitórias de todos os tempos.
Sobre o Ócio, diz Schopenhauer:
"O Verdadeiro Ócio
A verdadeira riqueza é apenas a riqueza interior da alma, tudo o resto traz mais problemas do que vantagens (Luciano). Alguém assim rico interiormente de nada precisa do mundo exterior a não ser um presente negativo, a saber, o ócio, para poder cultivar e desenvolver as suas capacidades espirituais e fruir a sua riqueza interior. Portanto, requer propriamente apenas a permissão para ser ele mesmo durante toda a sua vida, a cada dia e a cada hora. Se alguém estiver destinado a imprimir, em toda a raça humana, o traço do seu espírito, haverá para ele apenas uma felicidade e infelicidade, ou seja, a de poder aperfeiçoar as suas disposições e completar as suas obras - ou disso ser impedido. O resto é-lhe insignificante. Sendo assim, vemos os grandes espíritos de todos os tempos atribuírem o valor supremo ao ócio. Pois este vale tanto quanto o homem. A felicidade parece residir no ócio, diz Aristóteles, e Diógenes Laércio relata que Sócrates louva o ócio como a mais bela posse.
Também corresponde a isso o facto de Aristóteles declarar a vida filosófica como a mais feliz. De modo semelhante, diz na Política: "Poder exercer livremente as próprias aptidões, sejam elas quais forem, é a verdadeira felicidade", o que coincide com a sentença de Goethe em Wilhelm Meister Quem nasceu com um talento, para um talento, encontra no mesmo a sua mais bela existência. Todavia, possuir ócio é estranho não só à sorte comum, mas também à natureza comum do homem, pois o seu destino natural é o de empregar o seu tempo com a aquisição do necessário para a sua existência e a da sua família. Ele é um filho da necessidade, não uma inteligência livre. Em conformidade com isso, o ócio logo se torna um fardo para o homem comum, por fim um tormento, se ele não conseguir preenchê-lo com os fins artificiais e fictícios de toda a espécie, mediante o jogo, a distração e passatempos de todo o tipo. Pelos mesmos motivos, o ócio também lhe traz perigo, pois com acerto se diz difícil é a quietude no ócio. Por outro lado, um intelecto que exceda em muito a medida normal também é uma anomalia, portanto, inatural. No entanto, uma vez que existe, o homem que dele dispõe, para poder encontrar a sua felicidade, precisa justamente daquele ócio que, para os outros, ou é inoportuno, ou é pernicioso. Quanto a ele, sem o ócio, será um Pégasus sob o jugo e, portanto, infeliz. Mas se as duas anomalias se encontram, a exterior e a interior, então é um caso de grande felicidade. Pois aquele assim favorecido levará uma vida de tipo superior, a saber, a de quem está eximido das duas fontes opostas do sofrimento humano, a necessidade e o tédio, ou do laborar preocupado pela existência e a incapacidade de suportar o ócio (isto é, a própria existência livre), que são males dos quais o homem escapará apenas quando eles se neutralizarem e se suprimirem reciprocamente."
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
Também corresponde a isso o facto de Aristóteles declarar a vida filosófica como a mais feliz. De modo semelhante, diz na Política: "Poder exercer livremente as próprias aptidões, sejam elas quais forem, é a verdadeira felicidade", o que coincide com a sentença de Goethe em Wilhelm Meister Quem nasceu com um talento, para um talento, encontra no mesmo a sua mais bela existência. Todavia, possuir ócio é estranho não só à sorte comum, mas também à natureza comum do homem, pois o seu destino natural é o de empregar o seu tempo com a aquisição do necessário para a sua existência e a da sua família. Ele é um filho da necessidade, não uma inteligência livre. Em conformidade com isso, o ócio logo se torna um fardo para o homem comum, por fim um tormento, se ele não conseguir preenchê-lo com os fins artificiais e fictícios de toda a espécie, mediante o jogo, a distração e passatempos de todo o tipo. Pelos mesmos motivos, o ócio também lhe traz perigo, pois com acerto se diz difícil é a quietude no ócio. Por outro lado, um intelecto que exceda em muito a medida normal também é uma anomalia, portanto, inatural. No entanto, uma vez que existe, o homem que dele dispõe, para poder encontrar a sua felicidade, precisa justamente daquele ócio que, para os outros, ou é inoportuno, ou é pernicioso. Quanto a ele, sem o ócio, será um Pégasus sob o jugo e, portanto, infeliz. Mas se as duas anomalias se encontram, a exterior e a interior, então é um caso de grande felicidade. Pois aquele assim favorecido levará uma vida de tipo superior, a saber, a de quem está eximido das duas fontes opostas do sofrimento humano, a necessidade e o tédio, ou do laborar preocupado pela existência e a incapacidade de suportar o ócio (isto é, a própria existência livre), que são males dos quais o homem escapará apenas quando eles se neutralizarem e se suprimirem reciprocamente."
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
O Ócio divide-se em duas categorias: o Scholé e o Licere. O primeiro remete-nos aos grandes filósofos atenienses como Aristóteles, ao tempo passado na Ágora em contemplação e debate, exercícios que deram frutos ainda tão significativos na edificação das sociedades e do Homem de hoje. Por isso, Scholé, palavra grega para "lugar de ócio" deu origem ao termo escola.
A noção de Licere, do latim, tal como o nome indica remete-nos ao lazer, à folga e descanso.
Foi no liceu, numa aula de História, a primeira vez que ouvi falar dos filósofos da Antiga Grécia e dos seus lugares de ócio, do quanto este conceito era considerado sublime e essencial. Marcou-me. Quis que existissem máquinas de viajar no tempo para regressar a essa época e lugar. Achei que seria vida para mim. Que o passar do tempo não significa forçosamente evolução e ali estava a prova. A nossa sociedade não vive o Ócio, despreza-o, não o entende, confunde-o com preguiça mesmo quando ainda hoje saboreamos os seus frutos, e isso é um claro sinal de estupidificação e regressão.
Este mundo não é para muitos, inclusive para Pensadores. Ou nos curamos ou este mundo não será para ninguém.
Para mim também não é. Sempre me senti uma tartaruga num mundo lebre. Este ritmo não é o meu. O tempo foge e não há forma de o apanhar.
Voltámos a ser, embora com outras roupagens, o homem primitivo que não tem tempo de viver, pois anda no lufa-lufa da sobrevivência. Mas agora que somos animais com consciência, sabê-lo torna-lo mais difícil.
Urge abrandar o passo do mundo, apostar no slow-living, na calma, dar tempo ao tempo. Há que viver o Ócio, e ao contrário do que se passava na Grécia Antiga, democratizar este conceito, não haver apenas uma elite a poder disfrutar deste à custa de trabalho escravo.
Tal é possível: ao contrário do que nos querem fazer crer não há qualquer necessidade de qualquer um de nós trabalhar 40 horas semanais. Muitos dos empregos existentes são absolutamente insignificantes para a sobrevivência da espécie. Também não há falta de recursos. Estes apenas estão mal distribuídos.
Diminua-se a carga laboral para três dias semanais. Dois dias para a folga, em parte vulgarmente usada para o labor doméstico e familiar. E sobram dois dias em que o mundo se dividiria: um dia para viver o Ócio sem qualquer preocupação material, e o outro para servir as necessidades materiais daqueles que estariam a vivenciar o seu dia de Ócio.
E comecemos todos por vivenciar o Licere, exercício precioso de "dolce far niente" para limpar a mente, copo que transborda de tão cheio com tantos afazeres, compromissos, preocupações e mil pensamentos que nos poluem e tolhem a mente. Com o copo vazio poderemos semear a semente da Scholé, e ver que frutos surgirão.
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Desejo de ano novo #3: Direccionar a minha raiva a quem a merece.
Ontem à noite chateei-me com o Kiko. Hoje de manhãzinha cedo voltei a chatear-me com o Kiko.
E se há coisa que eu não gosto mesmo nada é de me chatear com ele. É um bom cão, adoro-o e odeio que hajam momentos em que demonstre algo menos nobre que esse amor que lhe tenho.
Mas é inevitável passar-me dos carretos. Assim como é inevitável ficar triste e de consciência pesada por tê-lo feito. Porque embora me expresse emocionalmente com a mesma subtileza que o Hulk, até sou bastante racional e sei que feitas as contas, se não fossem as pessoas não teria que me chatear com o meu cão nem um décimo das vezes.
Ele não tem a culpa que as pessoas sejam porcas. Que as ruas estejam minadas de dejectos caninos, lixo de toda a espécie e restos de comida. Que são tudo coisas que o atraem pelo olfacto e que ele quer explorar. A ele, não lhe passa pela cabeça, que não deve meter tal objecto na boca porque é cortante, que deve resistir a ir aos restos de comida que alguém deixa supostamente para os animais abandonados, mas que não se quer dar ao trabalho de os deitar no lixo após algum tempo e lá ficam meses.
Não entendo esta gente que se acha muito solidária e generosa por deixar restos na rua para os animais, mas que, por deixar a coisa a meio e nunca mais se ralarem com os saquinhos que deixam esquecidos pelas ruas, podem muito bem ser os grandes causadores do envenenamento de um qualquer animal. Porque senhores, caso não saibam, a comida estraga-se e torna-se imprópria para consumo! Imaginem que bem deve fazer a um qualquer ser vivo, um esparguete à bolonhesa há meses na rua!
Sim, há que matar a sede e a fome dos animais errantes. É um dever moral, e um acto de generosidade e amor com o próximo, mas há formas correctas de o fazer.
Não fossem as pessoas com os seus hábitos, o seu lixo, os seus animais à solta, os nossos passeios seriam um deleite. Bastaria um puxão ocasional pela trela para lembrar o Kiko que não deve ir para a estrada ao invés dos mil e quinhentos a que sou obrigada para que não abocanhe uma qualquer porcaria. Que inevitavelmente ele acabará por ser bem sucedido, e acabarei, como esta manhã, com os dedos na sua boca, a berrar-lhe que largue, com um nó na garganta e lágrimas nos olhos porque o que é demais também cansa, e há dias que estamos assim e pronto.
Acho que após um ano disto, 2016 será o ano em que perderei totalmente as estribeiras e a vergonha e começarei a interpelar as pessoas quando apanhar alguém em flagrante numa destas situações.
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Desejo de ano novo #2
Ver, com estes olhinhos, as mais diversas e nobres causas solidárias receberem METADE da atenção, energia e dinheiro que a nossa sociedade dedica ao futebol.
Só metade dos 400 milhões de euros que a NOS gastou na compra dos direitos televisivos do Benfica, somada à metade dos 500 milhões que se pensa que a mesma entidade pagará ao Sporting, daria para realizar verdadeiros milagres.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
cromices #102: Logo a mim, que nunca me engano e raramente tenho dúvidas.
Talvez eu tenha finalmente cruzado o ponto de não retorno nisto da senilidade e esteja oficialmente xexé.
Ia jurar que no primeiro dia do ano era costume o comércio encerrar. Que as bombas de gasolina e algumas salas de cinema eram a excepção.
Andou o marido a insistir comigo para irmos dar uma volta praticamente desde manhã cedo. Eu, resoluta em ficar por casa, especialmente depois de ter ido levar o Kiko à rua com frio, chuva e uma ventania que fazia voar lixo e folhas à nossa volta e, parecia querer arrancar toldos e tudo o que estivesse à mão de semear, inclusive o meu gorro, tentava desmontar essa vontade. "Mas não sabes que hoje está tudo fechado?! Queres ir onde fazer o quê?! Ainda por cima com este tempo!".
Não sentia vontade de sair para o frio só para constatar que estava tudo fechado.
A meio da tarde havia sido vencida pelo cansaço e lá fomos com o Kiko até à praia. Pelo caminho foi um fartote de riso e gozação pois em todas as ruas haviam restaurantes, cafés, esplanadas em funcionamento.
E o trânsito para a praia?! O estacionamento cheio. A quantidade de pessoas que partilharam a mesma ideia!
Mas foi bom e valeu a pena, mesmo com frio e vento.
A ver se para o ano me lembro que, afinal, agora os costumes são outros. Que há o que fazer e onde ir. Só espero é que para o ano não me troquem as voltas.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
cromices #64: Vou manter a tradição pela metade.
Refiro-me, é claro, ao dia de hoje: o último dia do ano, o reveillon.
Comecei uma dieta especial há anos: a de cortar com as promessas, e isso inclui, especialmente, as tradicionais resoluções de ano novo.
Não sou boa com promessas. Acho que quando começamos uma frase com "havemos de" já é meio caminho andado para algo ficar, na melhor da hipóteses, pela metade. Pelo dito e não feito.
Porque se é algo que queremos mesmo fazer, fazemos e ponto.
Talvez não no momento imediato, porque a vida, infelizmente, não se rege só de vontades. Mas, haver vontade é iniciar o trilho para a realização de algo, não ficar apenas pelas frases soltas.
Também eu, no passado, me dedicava neste dia do ano a reflectir sobre as tais resoluções, o que faria de diferente no novo ano, a elaborar a lista de acções, grandes e pequenas, mais ou menos mundanas, que fariam de mim, na teoria, uma "melhor" pessoa.
No entanto, nunca deixei de fumar, nem nunca me cheguei a inscrever num ginásio ou qualquer actividade desportiva, deixei de ter mau feitio ou atingi outro qualquer objectivo por efeito de uma dessas listas.
Pelo contrário. Concluí que esta tradição é um subproduto de uma qualquer parte do nosso cérebro que se dedica à culpa. É um exercício onde nos apontamos o dedo, debruçamo-nos sobre os aspectos mais negativos da nossa personalidade, as coisas que lá por dentro achamos que ficaram por fazer, por cumprir, em que errámos. Pois, se assumimos nesse instante querer fazer mais e melhor, de certa forma, estamos a considerar que não foi feito o suficiente e bem.
A evolução pessoal é desejada e necessária. Digo o mesmo quanto à reflexão sobre a própria natureza e as consequências dos próprios actos, mas considero-a mais benigna se feita em pequenas doses, ao longo do ano. Não há pastilha para a azia que resolva tal enfartamento se se guarda o festim para um único dia.
E, se é dia para se celebrar, para "entrar com o pé direito", abraçar o conceito de mais um ano de vida, (embora o nosso conceito de tempo seja apenas uma percepção partilhada, a vida é um óptimo motivo para se celebrar), para quê e como fazê-lo devidamente após uma sessão de auto-culpabização?!
A única tradição que mantenho é a minha transmissão de votos: desejo-vos (nos) um Bom Ano!
Que cada ano novo seja em tudo melhor que aquele que finda, para todos nós! De coração. Sem promessas.
Até para o ano!
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