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quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Vila d'Ana #1
Vila d'Ana é o meu lugar imaginado, portanto não só leva o meu nome - por falta de melhor inspiração no momento, embora até nem soe mal, como tudo neste tem exclusivamente a ver com o meu gosto e as minhas convicções.
É um lugar abstracto, o compêndio de todas as ideias, e cadinhos que fui apanhando aqui e ali, cuja soma forma a ideia de um lugar que gostaria que fosse real, e onde penso que gostaria de viver.
A melhor maneira de chegar a Vila d'Ana seria de comboio. De preferência a bordo de uma das novas composições não poluentes, com motores movidos a hidrogénio, como os Coradia iLint, de fabrico alemão que transitam na Baixa Saxónia desde este ano.
A grande, imensa vantagem destes novos comboios é que emitem apenas vapor de água para a atmosfera, o que significa zero poluição e, ainda são mais silenciosos que os comboios convencionais.
Houvesse forma de unir esta tecnologia amiga do ambiente a um comboio réplica do Hogwarts Express, (cuja designação no "mundo real" é "The Jacobite"), e seria ouro sobre azul.
Haveria melhor forma de começar ou terminar o dia, do que partir ou regressar a Vila d'Ana a bordo de algo assim, enquanto se toma um café, chá ou chocolate quente e se desfruta do cenário?!
segunda-feira, 7 de agosto de 2017
coisas da casa: Shangri-La, a filosofia do bliss e a casa de hóspedes pt.1
(Disclaimer: as fotos utilizadas para ilustrar este texto foram retiradas da internet. Gracias.)
Será mais por vício, ritual de escapismo, ou até mera curiosidade em ver se existe no mundo real a materialização daquilo que considero a casa ideal, o meu Shangri-La, que me leva, volta e meia, a esmiuçar todo e qualquer site de mediação ou promoção imobiliária que me ocorra.
Lembro-me de um quarto motivo: é que existindo, não se deseja que esta escape. Até pode escapar, mas que seja por um motivo sólido, que por desatenção ou desconhecimento seria realmente um infortúnio.
Até à data nunca me deparei com um anúncio que me indicasse existir a materialização fiel do produto imaginado.
O mercado apresenta-me casarões em lotes minúsculos, e eu procuro exactamente o oposto: uma casa de menor área num lote que se pode considerar de generosas dimensões quando se compara com o que há por aqui.
O mercado apresenta-me casas com uma grande área total mas divididas em minúsculas divisões, que perante as minhas necessidades e gosto se tornam redundantes, inúteis e pouco práticas.
Imagino uma casa térrea, em rústico tradicional português, daquelas com bons ossos, boa estrutura, como aquelas pessoas que atingem o auge da beleza após algumas décadas, num feliz amadurecimento. Duas ou três colheres de sopa de carácter, não mais, para deixar espaço a uma nova e pessoal interpretação. Porque sei que algumas obras são inevitáveis, não gostaria é que isso implicasse uma total reconstrução do espaço. Algumas modificações, melhorias, inclusão daqueles pormenores que entram no campo do gosto pessoal e são necessários para transformar algo em nosso, sim, mas não acredito ter a tolerância e stamina necessárias para passar por todo um processo com início numa demolição.
Um pé direito não abismal, mas algo generoso: dizem que tectos baixos oprimem a psique, que limitam os sonhos e as aspirações, já os demasiado altos dão dores de costas a quem não delega as tarefas domésticas.
Ainda dos tectos, variedade: abóbodas, abobadilhas, lisas ou revestidas a tijolo burro, tectos com vigas de madeira recuperada, sólidas, robustas, e de preferência exalando aquele perfume a cedro que tanto gosto.
Janelas assumidas, mais do que simplesmente buracos que cumprem a função de deixar entrar luz. Uma ou outra com bancos de pedra embutidos como nas casas de antigamente, as chamadas namoradeiras; um par de vitrais que pinte com várias cores a luz que entra. Nada de motivos palacianos, eclesiásticos ou modernistas.
Vestidas com portadas, (quem sabe até daquelas com pequenos corações recortados), e parapeitos com floreiras. Portadas de madeira nua, ou pintadas de qualquer cor que me apeteça. Talvez amarelo luminoso, azul celeste, verde floresta, ainda não me decidi.
Janelas eficientes e estrategicamente colocadas: dos chamados túneis de luz ou janelas cúpula, que permitem a entrada de luz natural pelo telhado, a serem usadas sem parcimónia. Porque permitem aproveitar a luz natural para iluminar todo e qualquer recanto, durante todo o dia sem acréscimo na conta da electricidade. Aliás, até ajuda à poupança, (nas vertentes financeira e ecológica), e permite o luxo de se observar o céu nocturno no conforto de casa.
Obrigatoriamente uma na casa de banho - de vez em quando quererei banhos de imersão iluminados pela lua cheia.
Só porque sim, apetece-me uma janela em frente à sanita: soa-me a felicidade suprema ir à casa de banho enquanto se contempla um cenário de idílicos verdes, mas em total privacidade.
Pode parecer estúpido, mas conhecem a expressão "bliss"? O grande objectivo é mesmo esse: aplicar a filosofia em que se transformam todos os recantos da casa e actos mais básicos da existência em momentos prazeirosos.
Cantarias, aduelas e todos os rodapés em granito bujardado, que eu gosto do aspecto rústico, genuíno, com textura e um aspecto intocado. Se der para reaproveitar pedra antiga, melhor ainda.
O mercado apresenta-me casas de vários andares e mais divisões que aquelas que preciso ou quero, em lotes ridiculamente pequenos e a preços estapafúrdios filhos da especulação, muitas a precisarem ainda de uma modernização ou até renovação total. Nada disso me serve ou tenta.
Não preciso de uma casa enorme - demasiado grande só servirá para dar mais trabalho e despesa, tanto em impostos como em manutenção. Com vários andares corro o risco de não ser apropriada para a velhice - escadarias não são amigas do séniores, e eu faço questão de só mudar, (se mudar), de casa mais uma vez na vida. Também por isso não pode ser "uma" casa, mas "a" casa.
Nem grande, nem demasiado pequena. Aconchegada sem ser acanhada, soa-me bem.
Para duas pessoas e um cão basta um único quarto - mas que seja um bom quarto, com walking closet, (que eu teimo em não dispensar porque entre roupa, sapatos, roupa de cama e atoalhados há muito que arrumar e eu prefiro uma divisão quase espartana, clean, sem armários à vista).
O meu marido, (e há-de haver mais pessoas como ele), revira os olhinhos quando falo de walking closets como se fosse fruto de caganças. Pelo menos até ao momento em que lhe expliquei que a base de um bom walking closet é simplesmente espaço, alguns metros quadrados. Que com alguma criatividade e engenho fica-se com uma coisa bonita e funcional pela fracção do preço de um bom armário, com muito mais arrumação e que se pode ir modificando de acordo com as nossas necessidades.
Um quarto sobretudo com espaço de circulação suficiente em redor da cama para circular confortavelmente uma cadeira de rodas ou qualquer outra geringonça geriátrica, (ou tão simplesmente para andar com o aspirador sem desancar o bicho nas esquinas dos móveis).
Porque desconhecendo o que a vida nos trará, penso na velhice. Não só penso como planeio, tal é a minha natureza.
Gosto que seja a cor ou textura a encher o espaço ao invés de traquitanas, por isso a paleta usada aqui poderia bem ser azul meia-noite com uns toques de verde pavão e caramelo, ou não. Ou um quarto com paredes de pedra. Apetites... Não devíamos ter receio de brincar com a cor e materiais.
As habitações normalmente não estão pensadas para acompanhar as pessoas em todos os estágios da vida e é pena, para além de ser insensato e estúpido. Quero uma casa que nos possa servir bem em todas as idades e condições.
Assim sendo, e seguindo a mesma filosofia, também nos basta uma única casa de banho, juntando num amplo e luminoso espaço um duche de boas dimensões, banheira, e restantes sanitários. Linhas limpas, tudo muito funcional, pragmático e minimalista. Escolha de peças, revestimentos e afins com base na intemporalidade. Preocupação com uma boa circulação de ar para evitar acumulação de vapores e humidades. Escolha de materiais de pavimento e revestimento de grandes proporções para ter o mínimo de juntas possível - há coisas melhores na vida onde gastar o tempo do que andar com uma escovinha a esfregar mil juntas de azulejos.
Cozinha de fusão: rústica em dois terços do seu dna, o resto simples mistura daquilo que se gosta, quer tenha por base o industrial, minimalista, ou qualquer outro estilo.
Não gosto de exaustores, mesmo daqueles que nos cativam pela beleza das suas linhas depuradas e ultra-modernas. Aquele barulho, embora variável de modelo para modelo, mas constante e inevitável tira-me a tesão para cozinhar. Tornar inaudível aquele "plop... plop... plop" que sai da panela, que nos indica que se está a atingir aquele ponto de espessura e depuramento desejado, por aquele "vuuuuuuuuum". Epá, não!
Gostaria de uma chaminé grande, teatral. Larga o suficiente para que debaixo da mesma tenhamos espaço suficiente não só para a placa, como para uma zona de preparação e ter à mão especiarias, colheres de pau e mil outras coisas da arte dos tachos.
Se precisarem de uma referência para perceber melhor do que falo, lembrem-se das chaminés das cozinhas palacianas / conventuais ou das antigas casas pombalinas.
Acho-as lindas e só de as ver dá-me vontade de ir para a beira do fogão!
Uma ilha nas mesmas proporções, com tampo em mármore branco. Espaço onde qualquer receita poderá ser confeccionada a duas, quatro ou muitas mãos.
Base de armários em alvenaria, portas que passam despercebidas.
Um par de armários altos - louceiro e despenseiro encastrados.
Abdicar dos tradicionais armários de cozinha de parede em nome da harmonia. Demasiados estímulos ao nível dos olhos, especialmente quando desinteressantes esteticamente, dão a sensação de poluição visual, de claustrofobia, de se estar rodeado de tralha e de que o espaço se comprime.
Preferia usar esse espaço para mais janelas, um pequeno jardim vertical de aromáticas, um par de objectos decorativos como umas cerâmicas Bordallo Pinheiro ou aqueles potes antigos de farmácia...
Comunicação com a sala através de uma grande porta de correr tipo celeiro, dando a opção de se ter um todo um espaço comum, ou divisões separadas conforme a necessidade, vontade, momento.
As refeições tomadas sobre uma mesa com um tampo feito de um disco de árvore, absolutamente perfeito na sua natural imperfeição. Iluminada por lâmpadas Edison.
Frigorífico, máquinas de lavar, secar, detergentes, objectos vários de limpeza, e afins tudo encontra o seu lugar numa divisão adjacente à cozinha, - um misto de despensa, com lavandaria, com mud room - que por sua vez tem a sua porta para o exterior, e seria o local perfeito de entrada em casa nos dias chuvosos, quando se vem com sapatos sujos, ou acompanhados de um cão que precise urgentemente de um banho.
Falar da que seria a minha casa ideal é acrescentar-lhe obrigatoriamente uma torre. Com janelas em toda a volta para que se possa acompanhar toda a viagem do sol, do nascer ao ocaso. Para ver as estrelas, com ou sem telescópio.
Com varanda em seu redor, e uma porta de acesso a um pequeno terraço. Voltando à filosofia do "bliss", porque não perder um bocadinho a cabeça ,e colocar lá um jacuzzi para banhos de bolhinhas ao pôr do sol?
Tentar praticar ao máximo a autonomia e eficiência, a começar pela energética, através de painéis solares fotovoltaicos, uso de leds, candeeiros solares, aparelhos eficientes...
Usar de um bom número de boas práticas ecológicas. Ter um contentor de compostagem onde os resíduos orgânicos possam ser reaproveitados como fertilizante natural. Quando falo de resíduos falo das sobras da cozinha. Acho que não me estou a ver a usar uma casa de banho seca.
Em matérias de casa de banho sou muito cocó - é o lado virginiano picuínhas: de tal forma que nem me imagino confortável numa casa desligada da rede de esgotos, com fossa séptica. É bom cultivar o desapego, e parece-me muito mau feng shui viver paredes meias com um contentor de merdum. Nheca, nheca, nheca!
(continua...)
Será mais por vício, ritual de escapismo, ou até mera curiosidade em ver se existe no mundo real a materialização daquilo que considero a casa ideal, o meu Shangri-La, que me leva, volta e meia, a esmiuçar todo e qualquer site de mediação ou promoção imobiliária que me ocorra.
Lembro-me de um quarto motivo: é que existindo, não se deseja que esta escape. Até pode escapar, mas que seja por um motivo sólido, que por desatenção ou desconhecimento seria realmente um infortúnio.
Até à data nunca me deparei com um anúncio que me indicasse existir a materialização fiel do produto imaginado.
O mercado apresenta-me casarões em lotes minúsculos, e eu procuro exactamente o oposto: uma casa de menor área num lote que se pode considerar de generosas dimensões quando se compara com o que há por aqui.
O mercado apresenta-me casas com uma grande área total mas divididas em minúsculas divisões, que perante as minhas necessidades e gosto se tornam redundantes, inúteis e pouco práticas.
Imagino uma casa térrea, em rústico tradicional português, daquelas com bons ossos, boa estrutura, como aquelas pessoas que atingem o auge da beleza após algumas décadas, num feliz amadurecimento. Duas ou três colheres de sopa de carácter, não mais, para deixar espaço a uma nova e pessoal interpretação. Porque sei que algumas obras são inevitáveis, não gostaria é que isso implicasse uma total reconstrução do espaço. Algumas modificações, melhorias, inclusão daqueles pormenores que entram no campo do gosto pessoal e são necessários para transformar algo em nosso, sim, mas não acredito ter a tolerância e stamina necessárias para passar por todo um processo com início numa demolição.
Um pé direito não abismal, mas algo generoso: dizem que tectos baixos oprimem a psique, que limitam os sonhos e as aspirações, já os demasiado altos dão dores de costas a quem não delega as tarefas domésticas.
Ainda dos tectos, variedade: abóbodas, abobadilhas, lisas ou revestidas a tijolo burro, tectos com vigas de madeira recuperada, sólidas, robustas, e de preferência exalando aquele perfume a cedro que tanto gosto.
Janelas assumidas, mais do que simplesmente buracos que cumprem a função de deixar entrar luz. Uma ou outra com bancos de pedra embutidos como nas casas de antigamente, as chamadas namoradeiras; um par de vitrais que pinte com várias cores a luz que entra. Nada de motivos palacianos, eclesiásticos ou modernistas.
Vestidas com portadas, (quem sabe até daquelas com pequenos corações recortados), e parapeitos com floreiras. Portadas de madeira nua, ou pintadas de qualquer cor que me apeteça. Talvez amarelo luminoso, azul celeste, verde floresta, ainda não me decidi.
Janelas eficientes e estrategicamente colocadas: dos chamados túneis de luz ou janelas cúpula, que permitem a entrada de luz natural pelo telhado, a serem usadas sem parcimónia. Porque permitem aproveitar a luz natural para iluminar todo e qualquer recanto, durante todo o dia sem acréscimo na conta da electricidade. Aliás, até ajuda à poupança, (nas vertentes financeira e ecológica), e permite o luxo de se observar o céu nocturno no conforto de casa.
Obrigatoriamente uma na casa de banho - de vez em quando quererei banhos de imersão iluminados pela lua cheia.
Só porque sim, apetece-me uma janela em frente à sanita: soa-me a felicidade suprema ir à casa de banho enquanto se contempla um cenário de idílicos verdes, mas em total privacidade.
Pode parecer estúpido, mas conhecem a expressão "bliss"? O grande objectivo é mesmo esse: aplicar a filosofia em que se transformam todos os recantos da casa e actos mais básicos da existência em momentos prazeirosos.
Cantarias, aduelas e todos os rodapés em granito bujardado, que eu gosto do aspecto rústico, genuíno, com textura e um aspecto intocado. Se der para reaproveitar pedra antiga, melhor ainda.
O mercado apresenta-me casas de vários andares e mais divisões que aquelas que preciso ou quero, em lotes ridiculamente pequenos e a preços estapafúrdios filhos da especulação, muitas a precisarem ainda de uma modernização ou até renovação total. Nada disso me serve ou tenta.
Não preciso de uma casa enorme - demasiado grande só servirá para dar mais trabalho e despesa, tanto em impostos como em manutenção. Com vários andares corro o risco de não ser apropriada para a velhice - escadarias não são amigas do séniores, e eu faço questão de só mudar, (se mudar), de casa mais uma vez na vida. Também por isso não pode ser "uma" casa, mas "a" casa.
Nem grande, nem demasiado pequena. Aconchegada sem ser acanhada, soa-me bem.
Para duas pessoas e um cão basta um único quarto - mas que seja um bom quarto, com walking closet, (que eu teimo em não dispensar porque entre roupa, sapatos, roupa de cama e atoalhados há muito que arrumar e eu prefiro uma divisão quase espartana, clean, sem armários à vista).
O meu marido, (e há-de haver mais pessoas como ele), revira os olhinhos quando falo de walking closets como se fosse fruto de caganças. Pelo menos até ao momento em que lhe expliquei que a base de um bom walking closet é simplesmente espaço, alguns metros quadrados. Que com alguma criatividade e engenho fica-se com uma coisa bonita e funcional pela fracção do preço de um bom armário, com muito mais arrumação e que se pode ir modificando de acordo com as nossas necessidades.
Um quarto sobretudo com espaço de circulação suficiente em redor da cama para circular confortavelmente uma cadeira de rodas ou qualquer outra geringonça geriátrica, (ou tão simplesmente para andar com o aspirador sem desancar o bicho nas esquinas dos móveis).
Porque desconhecendo o que a vida nos trará, penso na velhice. Não só penso como planeio, tal é a minha natureza.
Gosto que seja a cor ou textura a encher o espaço ao invés de traquitanas, por isso a paleta usada aqui poderia bem ser azul meia-noite com uns toques de verde pavão e caramelo, ou não. Ou um quarto com paredes de pedra. Apetites... Não devíamos ter receio de brincar com a cor e materiais.
As habitações normalmente não estão pensadas para acompanhar as pessoas em todos os estágios da vida e é pena, para além de ser insensato e estúpido. Quero uma casa que nos possa servir bem em todas as idades e condições.
Assim sendo, e seguindo a mesma filosofia, também nos basta uma única casa de banho, juntando num amplo e luminoso espaço um duche de boas dimensões, banheira, e restantes sanitários. Linhas limpas, tudo muito funcional, pragmático e minimalista. Escolha de peças, revestimentos e afins com base na intemporalidade. Preocupação com uma boa circulação de ar para evitar acumulação de vapores e humidades. Escolha de materiais de pavimento e revestimento de grandes proporções para ter o mínimo de juntas possível - há coisas melhores na vida onde gastar o tempo do que andar com uma escovinha a esfregar mil juntas de azulejos.
Cozinha de fusão: rústica em dois terços do seu dna, o resto simples mistura daquilo que se gosta, quer tenha por base o industrial, minimalista, ou qualquer outro estilo.
Não gosto de exaustores, mesmo daqueles que nos cativam pela beleza das suas linhas depuradas e ultra-modernas. Aquele barulho, embora variável de modelo para modelo, mas constante e inevitável tira-me a tesão para cozinhar. Tornar inaudível aquele "plop... plop... plop" que sai da panela, que nos indica que se está a atingir aquele ponto de espessura e depuramento desejado, por aquele "vuuuuuuuuum". Epá, não!
Gostaria de uma chaminé grande, teatral. Larga o suficiente para que debaixo da mesma tenhamos espaço suficiente não só para a placa, como para uma zona de preparação e ter à mão especiarias, colheres de pau e mil outras coisas da arte dos tachos.
Se precisarem de uma referência para perceber melhor do que falo, lembrem-se das chaminés das cozinhas palacianas / conventuais ou das antigas casas pombalinas.
Acho-as lindas e só de as ver dá-me vontade de ir para a beira do fogão!
Uma ilha nas mesmas proporções, com tampo em mármore branco. Espaço onde qualquer receita poderá ser confeccionada a duas, quatro ou muitas mãos.
Base de armários em alvenaria, portas que passam despercebidas.
Um par de armários altos - louceiro e despenseiro encastrados.
Abdicar dos tradicionais armários de cozinha de parede em nome da harmonia. Demasiados estímulos ao nível dos olhos, especialmente quando desinteressantes esteticamente, dão a sensação de poluição visual, de claustrofobia, de se estar rodeado de tralha e de que o espaço se comprime.
Preferia usar esse espaço para mais janelas, um pequeno jardim vertical de aromáticas, um par de objectos decorativos como umas cerâmicas Bordallo Pinheiro ou aqueles potes antigos de farmácia...
Comunicação com a sala através de uma grande porta de correr tipo celeiro, dando a opção de se ter um todo um espaço comum, ou divisões separadas conforme a necessidade, vontade, momento.
As refeições tomadas sobre uma mesa com um tampo feito de um disco de árvore, absolutamente perfeito na sua natural imperfeição. Iluminada por lâmpadas Edison.
Frigorífico, máquinas de lavar, secar, detergentes, objectos vários de limpeza, e afins tudo encontra o seu lugar numa divisão adjacente à cozinha, - um misto de despensa, com lavandaria, com mud room - que por sua vez tem a sua porta para o exterior, e seria o local perfeito de entrada em casa nos dias chuvosos, quando se vem com sapatos sujos, ou acompanhados de um cão que precise urgentemente de um banho.
Falar da que seria a minha casa ideal é acrescentar-lhe obrigatoriamente uma torre. Com janelas em toda a volta para que se possa acompanhar toda a viagem do sol, do nascer ao ocaso. Para ver as estrelas, com ou sem telescópio.
Com varanda em seu redor, e uma porta de acesso a um pequeno terraço. Voltando à filosofia do "bliss", porque não perder um bocadinho a cabeça ,e colocar lá um jacuzzi para banhos de bolhinhas ao pôr do sol?
Tentar praticar ao máximo a autonomia e eficiência, a começar pela energética, através de painéis solares fotovoltaicos, uso de leds, candeeiros solares, aparelhos eficientes...
Usar de um bom número de boas práticas ecológicas. Ter um contentor de compostagem onde os resíduos orgânicos possam ser reaproveitados como fertilizante natural. Quando falo de resíduos falo das sobras da cozinha. Acho que não me estou a ver a usar uma casa de banho seca.
Em matérias de casa de banho sou muito cocó - é o lado virginiano picuínhas: de tal forma que nem me imagino confortável numa casa desligada da rede de esgotos, com fossa séptica. É bom cultivar o desapego, e parece-me muito mau feng shui viver paredes meias com um contentor de merdum. Nheca, nheca, nheca!
(continua...)
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quinta-feira, 27 de outubro de 2016
coisas que gosto: Os Afrescos personalizados de Patrick Commecy.
Os meus amigos partilham coisas bem giras nas redes sociais.
Algumas cativam-me tanto que passam imediatamente para a minha lista de gostos pessoais, como é o caso do que vos trago hoje.
Patrick Commecy é um artista francês que, em conjunto com a sua equipa de artistas muralistas, dedicam-se à criação de murais absolutamente espantosos através da técnica de trompe-l'oeil.
Esta, serve-se de truques de perspectiva, para que formas de duas dimensões pareçam ser tridimensionais.
A empresa de Commecy, A.fresco, (cliquem no link para conhecer e ver muito mais), dedica-se desde 1978 à realização de murais gigantes "à medida" dos seus clientes, sejam estes localidades, empresas, particulares. Até à data já realizaram mais de 300 destas obras, algumas até premiadas, em território francófono.
Para fazer um mural "à medida" os artistas inspiram-se na identidade daquele lugar, na sua história, costumes e usos, habitantes, fazendo com que cada obra seja única e adequada ao local onde se insere. Para além da mestria e do enorme talento, este é um dos pontos que me cativou.
Estas obras de arte são mesmo mágicas: num momento temos uma fachada, ou uma parede cega de um qualquer edifício, feia, desinteressante, maltratada, para se passar a ter uma valiosa adição ao património cultural do lugar, suficientemente belo até para atrair visitantes, e sem dúvida para aumentar a satisfação de quem lá habita.
Eu cá adoraria ter alguns destes murais na minha aldeia. Com a qualidade obtida por estes artistas, e uma temática em volta da fauna e flora do lugar, o rio que aqui nasce, a serra, os indícios romanos e medievais da história do lugar, tenho a certeza que o resultado seria fantástico.
Então, sem mais demora, aqui vos deixo alguns exemplos. Atentem ao antes e depois:
Uma festa medieval:
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Vida de cão: O cenário de férias com que sonhamos
No Verão passado comecei uma pesquisa exaustiva sobre locais onde poderíamos ir de férias com o Kiko. Foi, de certa forma, infrutífera porque não chegámos a encontrar nenhum destino apelativo.
Decidimos não nos ralar muito com isso: o Kiko ainda era, aos nossos olhos, demasiado novo e com muito para aprender antes de embarcarmos em grandes aventuras.
Por outro lado, não nos desagrada passar férias mesmo por aqui, porque em redor existem inúmeras atracções, cenários e actividades capazes de preencher mais que satisfatoriamente o horário de qualquer veraneante.
Há dias recomecei a pesquisa. A primeira impressão, ao digitar o que procuro no motor de busca, é que no espaço de um ano houve um boom no que toca às ofertas a pensar nos animais de estimação.
Fui direcionada para um qualquer site com um mapa interactivo do território nacional onde, supostamente, apareciam alojamentos onde animais eram aceites.
Ao pensar numa primeira experiência com o Kiko queremos algo por um curto período e que não diste demasiado de casa.
Encontrei um clube de campo inserido em território alentejano. À primeira vista pareceu-me ouro sobre azul: espaço a rodos, um cenário maravilhoso, um conceito de turismo de natureza sem dispensar os confortos que aqui a "je" aprecia, como o spa.
Enviei um mail à unidade hoteleira para confirmar se aceitavam animais, e a questionar sobre que condições existiam para estes.
Podem-se rir à vontade, que nós por cá rimo-nos a bandeiras despregadas com o meu mail: é que no meu contacto para além de perguntar se realmente aceitavam animais, perguntei se haviam espaços onde estes poderiam andar sem trela, se existiam actividades pensadas para estes e até a disponibilidade da cozinha do hotel lhe preparar refeições.
A resposta foi que não aceitavam animais, logo a informação presente no outro site não era fidedigna.
Sim, porque no passado, na minha primeira pesquisa deparei-me com unidades cujo conceito de aceitação de animais de estimação é a existência de, algures na propriedade, de um canil, com jaulas e chão de cimento onde os donos deixam a bicheza enquanto usufruem do espaço.
Ora isso para nós não é aceitável. Não é de todo o cenário que imaginamos de férias em família.
Sim, porque o Kiko é família.
Segundo a nossa forma de pensar um espaço onde os animais estão interditos em todas as áreas com excepção do tal "canil" não se pode considerar que aceite animais no verdadeiro sentido. E não estamos dispostos a pagar, (na maioria dos casos, bem), para que o Kiko esteja numa situação que fica um mundo aquém das condições que tem em casa.
Em conversa esboçámos o que gostaríamos de encontrar, o espaço que nos permitiria as verdadeiras férias em família que desejamos. E seria mais ou menos assim:
Imagino uma propriedade num qualquer cenário campestre, onde existissem bungalows, chalés ou casinhas espalhadas por vários pontos, suficientemente afastadas umas das outras para que os hóspedes se sintam à vontade, num ambiente de total sossego e privacidade.
Onde cada bungalow teria o seu pátio. Um espaço exterior de simpáticas dimensões, esteticamente agradável e ladeado por uma vedação bem alta, que impedisse o animal mais tresloucado de entrar ou sair. Onde alguns possuíram piscina privada para quem preferisse.
Os bungalows teriam uma cozinha funcional, mas na propriedade existiria restaurante para quem dispensa cozinhar nas férias.
Existiria um mini mercado na propriedade.
O restaurante teria uma zona de esplanada que os donos poderiam usufruir com os seus animais, um par de cercados onde poderíamos brincar com os patudos sem trela, quem sabe até uma piscina para cães e outras actividades pensadas para estes, em grupo ou individualmente para evitar stresses entre animais.
Para os donos várias actividades, incluindo a existência do belo spa com massagens, piscina, banho turco, sauna e afins.
Ouro sobre azul seria a existência do serviço de dog-sitting, para que os donos pudessem ir dar uma volta ou fazer uma qualquer actividade com a garantia que o animal estaria sob o cuidado de alguém experiente.
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terça-feira, 11 de novembro de 2014
coisas que gosto #19: Portas com Arte
Hoje, na minha deambulação pela blogo-vizinhança, encontrei no espaço da D. Rainha do blog "A Rainha e a Ervilha", algo que me deixou inspirada.
Tratava-se de uma porta pintada de azul, povoada por um cardume de sardinhas que ao invés de escamas vestiam padrões típicos de azulejos. Para coroar esta obra, versos de Vitorino Nemésio, da sua "Correspondência ao Mar". Podem ver como é linda, aqui.
De cada vez que vejo uma porta assim interrogo-me porque não somos recebidos por Arte e Poesia em todas as moradas!
Eu, que passo 90% da minha vida a pensar, muitas vezes imagino como seria, aos meus olhos e sentidos, o melhor local para se viver. Entrego-me à fantasia dos pormenores e, garanto-vos, nesse meu lugar imaginado, as casas receberiam-nos com portas com arte, como se todas elas fossem um portal para um sítio, quiçá, mágico.
Tenho a crença profunda que o lugar da Arte é também, e sobretudo, nas ruas. Por todo o lado. Não só em livros, galerias e museus.
Mal comecei a estudar Publicidade, já tinha a certeza que, se um dia tivesse que escrever uma tese, esta seria como a Publicidade poderia desempenhar também um papel na democratização das Artes, ser um veículo destas. Imaginava outdoors e mupis a suportarem obras de Vermeer, Rubens e Van Gogh, e muitos outros, aumentando o apelo visual de locais, tantas vezes tão desinteressantes.
Porque o Mundo seria melhor se em todas as esquinas, a Alma humana encontrasse alimento. Porque acima de tudo a Beleza, que nos chega através da expressão artística, é isso mesmo: alimento espiritual que nos eleva e faz de nós melhores. Não é coincidência que a Beleza seja uma das Três Graças!
Já chega de verborreia! Deixo-vos com portas com Arte, e de como estas têm o poder de melhorar um pedaço de mundo.
O top "Bored Panda" das portas mais bonitas do mundo, aqui!
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