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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Cheira-me que 2014 vai ser atarefado...



Sabem aquelas pessoas que ou são atenciosas, amáveis e descontraídas, ou são pragmáticas e eficazes, mas nunca conseguem ser tudo isto em simultâneo?
Tipo um médico que anda de cara fechada e sem passar cartão a nada nem a ninguém que não seja o caso clínico em mãos naquele momento. De quem as pessoas se queixam da pose austera, caústica até, e que a resposta que lhe sai é: "prefere que lhe segure na mãozinha e lhe diga palavras amáveis, ou que me concentre no meu trabalho?"

Pois sou assim.

2013 foi o ano em que me tentei descontrair ao máximo. Fui avestruz, adiei, não fiz, não quis saber. Tentei evitar ao máximo as preocupações, muitas vezes através de uma atitude de não é comigo, há mais gente no mundo, desenmerdem-se, não estou cá, façam de conta que não existo.

Não foi tão fácil como parece. Sempre me foi difícil não controlar, talvez porque ao longo da vida, quando afrouxava um bocado, havia sempre um car#&*$ que não cumpria o seu papel e lixava tudo.

Mas quando finalmente se consegue abraçar a atitude em que se deixa fluir, é tão bom! Mesmo!
Ahhhh, e os momentos de dolce far niente!

 Esplanei muito (o que gosto deste verbo!). Li quantos livros me apeteceram, lamentando apenas que o meu apetite para a leitura não tenha sido tão voraz como já foi. Ouvi boa música, tive bons momentos com boas pessoas. Também tive pachorra para conversas da chacha como é digno das pessoas atenciosas e amáveis.
Reflecti muito, ri-me ainda mais. De mim, de tudo e de todos, inclusivé do que não é politicamente correcto.
 Fiz tudo quanto achei que deveria fazer não dando ouvidos a mais nada nem a ninguém que não fosse a minha consciência.

Fez-me bem. Já consigo respirar fundo e sentar-me com um pose verdadeiramente descontraída, afrouxar os músculos, quando antes parecia que os ombros colavam-se às orelhas e que tudo o resto quedava-se hirto.


Quando 2014 se aproximava senti nas entranhas que este seria um ano de pragmatismo.

Como se tivesse tirado férias e regressasse ao escritório para encontrar a secretária submersa em pilhas de coisas que ninguém fez.

Peço já, de antemão, desculpas pela cara fechada do alter ego pragmático, sarcástico e contundente.
Antes que encarne o bicho de vez, olhem, Bom Ano! Haja saúde!





quinta-feira, 9 de maio de 2013

O choque eléctrico


Hoje o meu dia começou mais cedo que o costume. Quando tocou o primeiro alarme do telemóvel em jeito de despertador, já eu estava à espera que me atendessem numa sucursal da Edp.

Parti de casa bem cedinho, com uma pasta onde levava facturas actuais, antigas, alguns documentos, um bloco de notas e até uma calculadora. Porque quando vou à guerra gosto de ir preparada.

É que ontem, ao olhar para a factura da electricidade ia-nos dando a travadinha. Primeiro, a sensação de incredulidade que se tem ao olhar para o valor cobrado, uma exorbitância!
O verdadeiro choque eléctrico fez-se sentir após uma minuciosa análise da factura - uma das parcelas, referente a um período de somente cinco dias, acusava um consumo energético superior ao que gastamos em dois meses!


Em minutos, passámos de atónitos a pensativos - mas que raio andámos a fazer nessa semana?!
E a conclusão foi, nada. Nada de diferente, nada que justificasse algo assim.
É que para consumir aquelas centenas de kilowatts em cinco dias teria que se ter passado algo de extraordinário por aqui - no mínimo uma rave com um grandioso espectáculo de luz e som e, não posso dizer que tal tenha ocorrido.

A seguir, vem a indignação. Sim, porque somos daquelas pessoas que teimam em cultivar, na medida do possível, (que isto é uma casa de família e não um mosteiro franciscano), a nossa versão de equilíbrio entre conforto e consciência económica e ambiental.

Sempre tivemos a preocupação de escolher electrodomésticos com uma elevada eficiência energética, usamos lâmpadas economizadoras, temos os equipamentos ligados a tomadas múltiplas com botão de corte de corrente, e todas as noites, temos o cuidado de as desligar para evitar os consumos escondidos dos aparelhos. Não temos equipamento de ar condicionado, e só recorremos a aquecedores ou ventoínhas quando se torna desagradável não o fazer, sempre que possível lavo a roupa a 40º, e não tenho feitio para ocupar serões a passar a ferro. Não temos o hábito de ter tudo ligado ao mesmo tempo - ou está a ser usado, ou então, desliga-se.
Temos todos estes cuidados, e ainda outros, e é natural que nos indigne receber uma factura assim.

Fomos logo comparar com o valor do contador e lá estavam, todos aqueles watts como consumidos. O que não pode mesmo ser!
Encontrei através do google, várias queixas sobre contadores traidores, inimigos da sua família, que por defeito originavam facturas astronómicas. Com a simples troca de contador, várias pessoas viram a sua conta da luz passar para menos de metade, sem qualquer restrição da sua parte no uso dos equipamentos da sua casa.

Desde ontem à noite que andamos lunáticos em volta do contador. Hoje já fui espreitá-lo uma meia dúzia de vezes, a ver se o apanho com a boca na botija.
Na realidade, ontem fizemos um teste. Entre a hora do jantar e hoje de manhã, intervalo em que agimos de forma exactamente igual a todas as outras noites, gastámos 2 kw. Experiência que comuniquei à comercial que me atendeu.
Pois é, se numa noite normal gastamos 2kw, expliquem-me então como se justifica um dispêndio de sessenta vezes mais.

Ficou o diagnóstico do contador marcado para amanhã. A ver vamos o que isto vai dar...