segunda-feira, 31 de março de 2014

Coisas de uma virginiana #1: As férias





Dizem que não há ser tão analítico e organizado quanto o nativo de Virgem.


Por aqui, há de tudo: momentos em que posso contestar, e outros em que me rendo às evidências.
Vou-vos relatar algumas das minhas "cenas virginianas", a começar por um tema que a todos nos é querido: as férias.


Para uma virgiana não existem férias. Não verdadeiramente.
Estar "de férias" significa descontrair, relaxar ao máximo, sintonizar o cérebro numa velocidade a meio gás e usufruir, apreciar, deixar fluir, o que é impossível para alguém sob a influência deste signo.
Quando muito, ou finge-se estar-se imbuído desse espírito por respeito a quem nos acompanha, (também na esperança que a coisa pegue), ou realmente consegue-se uma postura menos anal, porque fizemos bem o trabalho de casa, temos tudo sob controlo e podemos, finalmente, degustar a tal bebida enquanto sorrimos à "Mona Lisa", saboreando uma vitória contra os imprevistos e a ineficácia alheia.


O trabalho de casa são os preparativos para as férias e, juro-vos que este é um dos momentos em que este signo brilha com todo o seu fulgor. Quem nunca assistiu a tal coisa, é bem capaz de ficar encadeado!


Este ritual começa semanas antes da partida. O número certo de semanas depende de quão longe, exótico e desconhecido é o destino.


Se já houver uma decisão tomada em relação ao destino, já é meio caminho andado. O que todos os outros desconhecem, é que isso significa que tal localização já foi pesquisada e analisada até à exaustão.


Se a vossa cara-metade é deste signo, e se vos perguntar que tipo de actividades estão a pensar fazer nas férias, não é por acaso nem tem nada de inocente. A verdade é que conforme a vossa resposta, a/o virginiana/o irá plantar-se, o mais discretamente possível para não passar por obsessivo-compulsivo, em frente ao pc até ter um programa elaborado, pormenorizado, e ainda umas quantas alternativas.


A vossa resposta, em conjunto com a previsão metereológica, também será levada em consideração para fazer as malas.


Se forem como eu, no momento em que estão prontos para sair de casa, para além de toda a bagagem, irão com o fiel caderno/ pasta/ moleskine em punho: lá constará não só o trajecto (indo de carro), com detalhes sobre distância, tempo estimado, portagens, caminhos alternativos.
A morada do hotel, coordenadas, (mesmo que vocês insistam que é por isso que inventaram os gps, nós gostamos de nos sentir preparados e à prova de azares), contactos, número de reserva.
Não será esquecida uma lista generosa de restaurantes: as suas moradas, coordenadas, horários, preços médios, especialidade, ordenados por classificação e distância. Repetido para todas as atracções sejam museus, galerias, o que for.




Confesso, que me dá um imenso prazer, quando o marido pergunta onde vamos comer ou o que vamos fazer naquele momento, e eu saco vitoriosa do meu caderninho, e lhe apresento aquele rol de possibilidades, onde no meio estão algumas pérolas, escondidas aos turistas que seguem despreparados.












Caso para dizer: Murphy - 0, Virginianos - 1.