segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A lição das formigas



Todos os dias aprendo algo. Aprendi através de um incontável número de pessoas ao longo do tempo, por vezes através das pessoas mais insuspeitas.
Mas, no lugar pioneiro de toda esta pirâmide de professores, estão os meus pais.
São deles que recebemos as nossas primeiras lições, e entre estas estão algumas das mais importantes que poderemos aprender ao longo da vida.
Hoje, com a maturidade que a minha idade me permite, dou valor redobrado ao que me transmitiram.

Hoje partilho um pouco do que aprendi com eles sobre economia:


Com eles aprendi que a poupança é um dever, independentemente da nossa capacidade financeira.

Como é óbvio não desejamos nenhum azar ou infelicidade na vida, mas todo o indivíduo deve construir um pé de meia para enfrentar o que quer que se apresente. Que as coisas não acontecem só aos outros.

A discernir o que é ou não prioritário, importante, essencial.

Que não se falham com as obrigações, pois entre as coisas mais valiosas estão a honra, a palavra, o bom nome.

Que o ego é uma besta cara e difícil de manter satisfeita. Muitos dos que lhe obedecem cegamente, esquecem-se que quando a panela se apresenta vazia, ou se está em risco o telhado sobre a cabeça, de pouco ou nada vale o carro fantástico à porta e objectos afins.

As cigarras são arrogantes, quando apregoam o direito a serem como são.

Algumas cigarras são invejosas, que se espantam com o resultado do labor das formigas. Não compreendem que a poupança requer disciplina, abnegação, rigor, recusa em satisfazer todos os desejos hedonistas, e de consumo.

Algumas cigarras são egoístas. Serão sempre um peso para as formigas, pois estas são sempre procuradas, na infelicidade e no azar, para que partilhem o que amealharam. Evitaram preocupar-se ou prevenir-se, talvez já contando com a presença e a natureza da formiga.

Algumas cigarras são duplamente arrogantes. Julgam que a formiga tem o dever de partilhar. Que está no seu pleno direito usufruir do que não é seu.




Num mundo de cigarras, os meus pais são formigas.
E são tantas as vezes que vi a fábula de Esopo ganhar vida.
E não, a maioria das cigarras não aprende a lição. Isso é ficção. Simplesmente um toque à la Hollywood.