sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

caixa de ressonância





coisas sobre mim: A primeira coisa comprada



Ainda se lembram da primeiríssima coisa que compraram com o vosso primeiro salário?

Eu lembro.

Anos 90. Na loja de música que havia (há?) no Túnel do Tamariz, o album "K" dos Kula Shaker - o título que iniciou a colecção musical adquirida com o meu próprio dinheiro. O segundo e terceiro álbuns que adquiri foi dos Led Zeppelin e dos The Cult.

Ainda hoje adoro esses álbuns e bandas.





Um par de calduços para... #1: A "velha chata" e a distribuição de calduços.



O meu marido profecia que irei ser uma velha chata, uma daquelas muito difíceis de aturar, senão impossíveis.
Eu digo-lhe que está a ser simpático, pois já nasci assim, e é uma condição que piora exponencialmente de ano para ano.

Não há tratamento possível. É uma condição genética que herdei sobretudo do meu pai. Está-nos no sangue a incapacidade de ficarmos impassíveis, de não demonstrar, quando algo nos mexe com os nervos. Até não seria nada de especial, não fosse gigante a lista daquilo que nos enerva.

Como tal, e porque não tenho qualquer desejo de ser a pessoa que anda a distribuir brutas festinhas nas nucas de estranhos por este país fora, mais vale satisfazer este ímpeto de forma virtual e somente imaginada, através desta nova rubrica.

O primeiro par de carinhos no cachaço vão para as pessoas que, estando a transitar numa berma estreita, mesmo quando se cruzam com mais alguém, preferem continuar lado a lado, para não perder um minuto de conversa, do que se colocarem em fila indiana e cederem de forma cívica metade do passeio para quem também faz dali o seu caminho naquele momento, obrigando muitas vezes o outro peão a contorná-las pela estrada.

Encontro muitas destas. Ainda há uns dias me deparei com duas mulheres que vinham, lado a lado, na palheta, e não demonstravam qualquer intenção de se desviarem de mim. Páro mas não me movo do meu pedaço de calçada. Recuso-me a ceder todo o passeio a quem não demonstra ter problemas de idade, locomoção, ou qualquer motivo que realmente o justifique, como ir com um carrinho de bebé.
Fico ali quieta, especada, em protesto silencioso. Mentalmente ecoa "Oh minha besta, ou ganhas asas e passas por cima ou desvias-te!"


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Vida de peixe: Dos móveis para aquários


Desculpem-me os apreciadores, mas se há peça de mobiliário com a qual embirro são os típicos modelos de móveis à venda em lojas da especialidade para servirem de suporte aos aquários.

Não questiono de forma alguma a sua utilidade. Para além da função de sustentação, foram pensados para guardar não só todos os produtos e acessórios do aquariófilo, e todo o equipamento como filtros externos e afins, de forma a ficar tudo arrumadinho e longe da vista.

Portanto não é com a "função" que embirro, mas com a "forma". Não há maneira simpática de o dizer: acho-os feios, ponto.
Sobretudo porque me fazem lembrar mobiliário de escritório, daquele chapa 5. Desde as linhas, à escolha dos tons do folheado, aos puxadores, tudo me faz lembrar algo que se encontra num qualquer canto de uma empresa com uma impressora em cima. Não me traria prazer algum ter um desses na sala e ter que olhar para ele a toda a hora.

Como se diz, gostos são gostos, e não se discutem.

Depois de levar com tanta careta da minha parte sempre que apontava para um desses móveis, o marido aquiesceu que talvez o melhor fosse dar um saltinho à Ikea, para ver se encontrávamos algo que pudesse servir de base ao aquário, e que fosse mais de encontro ao nosso gosto.

A nossa escolha foi a cómoda Brusali pelo toque de rusticidade, naquele branco escovado a contrastar com os puxadores negros.
Todos os cabos do aquário entram por um orifício nas costas do móvel, (que felicidade das felicidades, já vem pensado assim, não foi necessária qualquer bricolagem para além da montagem), para a primeira gaveta, que alberga confortavelmente e esconde da vista todos os interruptores e fichas. A segunda gaveta serve para guardar todos os produtos ligados ao hobby e sobra espaço com fartura.




Vida de peixe: Um guppy chamado Calígula, ou como nos metemos nisto.


Meses atrás o marido finalmente convenceu-me que talvez fosse giro termos um aquário. O sucesso esteve muito relacionado com o facto de ele ter acordado que toda a manutenção da coisa seria unicamente da sua responsabilidade. Que eu posso alimentar os bichos e dar-lhes atenção, e até dar-lhe uma mãozinha, mas que não conte comigo para mudas de água, limpezas de filtros e afins. Simplesmente não é tarefa que me cative, nem considero ter paciência e jeito.
Felizmente ele já demonstrou ter todos os requisitos: gosta de todas essas tarefas, e sai-se bem.

Decidimo-nos por um kit de iniciante: uma coisinha pequena com capacidade para 17 litros, que já trazia luz, termóstato, e filtro. Escolhemos o areão para o fundo. Um par de anubias, que são plantas anfíbias naturais e das muitas espécies existentes as de mais simples manutenção, portanto indicadas para alguém sem experiência. Uma gruta para que a bicharada tivesse um esconderijo, um par de produtos para o tratamento da água - um anti-cloro e umas gotinhas que ajudam à formação de "bactérias boas", essenciais à criação de um bom ecossistema, e o essencial termómetro.

Sei que o meu marido estava de olho em aquários não tão pequenos quanto aquele, mas deu-me razão quando argumentei que sem termos a certeza que iríamos gostar da experiência, ou até se teríamos jeito para a coisa, não valia a pena investir num maior ou mais complicado.

Passadas três semanas com o aquário montado - o chamado ciclo de maturação, - finalmente pudemos ir buscar os seus primeiros habitantes: um par de corydoras bronzeadas, cinco néons e um caracolito, que são espécies pacíficas, dão-se bem em aquários comunitários, e pequeninos, logo adequados a um aquário de reduzidas dimensões.
As corydoras como andam no fundo são excelentes para ajudar a manter o areão limpo, e o caracolito é o limpa-vidros de serviço, pois vai-se alimentando das algas que vão aparecendo.

O meu encanto e interesse aumentou exponencialmente quando os vi em casa, dentro do aquário que lhes havíamos preparado, enérgicos, e até curiosos em relação a nós. Desde o início que os alimento sempre por volta da mesma hora, e acho mesmo giro que saibam que é hora de jantar, que se agrupem e fiquem todos excitados.

Após um par de semanas, quando tivemos que ir comprar pastilhas para o filtro, aproveitámos para trazer mais alguns peixes. Os peixes não devem ser todos colocados ao mesmo tempo, foi-nos indicado que seria mais seguro ir adicionando-os em várias fases. Voltámos com um guppy macho e duas fêmeas (este rácio existe porque os machos são muito chatinhos), e mais um caracolito.

Passado pouco tempo decidimos investir num filtro melhor. É que nos primeiros dias um pequeno néon fez a impensável proeza de se enfiar dentro de um tubo, (ainda ninguém percebeu como), e quando demos por ele já estava morto. Deixámos de confiar no equipamento quando tivemos que ajudar o jovem guppy a desencostar-se das ranhuras do mesmo, e não perdemos tempo em trocá-lo por algo de maior qualidade e que nos parecesse à prova de acidentes.

Devo confessar que houve uma altura em que ambos nos arrependemos de nos metermos nisto da aquariofilia. É que para além daquele pequeno néon, perdemos também o guppy macho, uma fêmea e um caracolito, e ficámos muito desanimados com a perda dos bichinhos.

Respirámos fundo e trouxemos um par de platys e mais um guppy, para que a, agora fêmea, não ficasse sozinha.

Pelo que havia lido em sites e fóruns da especialidade, escolhi um peixinho pequeno, para que fosse jovem, e que fosse activo, como indicador de boa saúde. Um lindo guppy com uma enorme barbatana azul, com subtis traços amarelos e pintinhas negras, muito pequenino mas todo vivaço e enérgico. Aliás, o mais mexido de todos! Acho que os outros guppies devem ter feito uma festa quando se livraram daquele espalha-brasas.

Nunca tivemos a intenção ou sequer esperança de vermos crias. A verdade é que há um par de dias dei conta que já vamos na 3ª geração de guppies nascidos por cá: no total 4 juvenis que ainda não consigo discernir o género.

Mas desde que foi pai, o pequeno guppy para além de continuar a ser incrivelmente chato, passou a perseguir e a investir contra todos os outros peixes. Por essa atitude ganhou o nome de Calígula, e um apartamento de solteiro: uma maternidade onde o colocamos de castigo, para dar algum tempo de paz e sossego a todos os outros.

















domingo, 3 de dezembro de 2017

coisas de jogar: Este acessório vale a pena.


Depois de investir num suporte para o portátil que ajudasse à sua refrigeração - (lembrem-se que um dos mantras no que toca a tecnologias é "refrigerar é prolongar a vida dos equipamentos"), - ocorreu procurar algo do género para a consola.

Encontrámos um suporte para ps4 que, para além da função refrigeração, permite também ter lá os comandos arrumadinhos, e ainda os carrega.

Para além de todas estas óptimas funcionalidades, o que me deixa mesmo encantada, é dizer adeus a ter andar a saltar por cima do fio do comando, para entrar e sair da sala, (sempre que este ficava com pouca bateria havia que se ligar à consola), e que era coisinha para me andar a dar dos nervos.






sábado, 2 de dezembro de 2017

cromices #156: Anacronismo, multitasking ou déficit de atenção?



Quando estou em frente do pc, esta tela não é muito diferente de qualquer secretária que alguma vez ocupei, pelo caos que lhes imponho. As resmas de papéis, blocos e pilhas de livros foram trocadas, (nem que seja momentaneamente), por uma filinha de separadores no topo da tela, onde vou pululando num ritmo algo frenético, que para mim é normal, entre redes sociais, blogue, outros blogues, youtube, uns quantos artigos, um ou outro livro, e sabe-se lá o quê que me apeteça. Num ritmo onde se misturam entre os verbos ler, ouvir, ver e escrever.

A internet é um maravilhoso advento por conseguir acompanhar mentes que pululam, estas chatas que já estão a transitar para outra dimensão ainda nem acabaram um parágrafo ou refrão.

Acho que é sobretudo por isso que não consegui encontrar o entusiasmo necessário para integrar as videochamadas no meu dia-a-dia. Guardo-as para ocasiões pontuais, especiais, agendadas.
Estas impedem-me de pulular, tornam-me refém, e se me impedem de pulular fico inquieta. Uma mente inquieta por muito tempo, travada, obstruída, torna-se rapidamente uma mente maçada.
Uma mente não encontrando prazer em determinada acção simplesmente abstém-se repetir a acção que a maçou. Simples.

(É que na época do velhinho telefone fixo, uma pessoa sempre ia fazendo uns rabiscos no bloco de notas que lhe fazia companhia. Com a imagem nem isso nos é permitido. Congelamos a expressão e ai que nosso senhor dos bons modos e cortesias nos poupe de dar a entender que aquele tema não é o mais interessante do mundo.)

Impedem-me, (ao contrário das conversas, trocas de opiniões e cumprimentos através da palavra digitada que tanto aprecio), de andar a saltitar por outros universos, obrigam-me a abdicar da música de fundo, de deixar à fome os apetites de tanto fazer e pensar ao mesmo tempo, como se numa base quotidiana a comunicação fosse mais rica por estarmos especados a olhar uns para os outros através de um monitor.

Outra das vantagens da comunicação escrita, pelo trabalho que dá, (sim, vivemos na era em que as pessoas consideram que escrever é penoso e uma carga de trabalhos), faz com que nos esforcemos um bocadinho para que cada frase seja aproveitável.