quinta-feira, 21 de setembro de 2017

cromices #154: Um ritual de claridade



Não sei viver sem música. Sempre senti a necessidade de acompanhar todos os momentos com uma banda sonora, sem esquecer de dar alguns momentos ao silêncio, já que este é em si um bálsamo, um ritual de higiene para a mente, tal como o duche é para o corpo.

Nada disto é pouco usual ou peculiar. Acho que a maioria das pessoas gosta de ouvir música em variadíssimas ocasiões, e até a usa como uma ferramenta auxiliar enquanto trabalha, enquanto descontrai, e em outros momentos.

Talvez o que mude de pessoa para pessoa seja a escolha de repertório, o que cada um ouve em cada situação.

Sendo algo que já que fiz inúmeras vezes, mas em piloto automático, ontem apercebi-me conscientemente que quando quero/ preciso entrar num estado de acuidade mental, essencial à análise e resolução de problemas objectivos, a minha escolha recai no heavy metal. E nada como começar com um dos hinos de guerra dos Manowar, é que lá por ser uma batalha travada no campo do intelectual e do burocrático, não deixa de ser uma.



sábado, 16 de setembro de 2017

coisas da casa: Ventosas rulam!



Se passarem pela Ikea, na secção de apetrechos para casa de banho, nas proximidades das cortinas de duche e afins, encontrarão uma secção de linear com acessórios com ventosas, de cestos a toalheiros.

Quando os encontrarem notarão que uma das suas características é o seu design. Sim, estão longe de serem a coisinha mais bonita e estilosa, mas como se costuma dizer a beleza não é tudo, especialmente quando há outros atributos que a suplantam. Neste caso a função ultrapassa em muito a forma.

Se forem como nós, pessoas que detestam sequer a ideia de andar a furar paredes, especialmente as revestidas a azulejo, encontrar acessórios com ventosas (daquelas que funcionam, e não andam a descolar-se por dá cá aquela palha, que é o principal motivo porque não comprava coisas com ventosas há uma vida) é tipo a invenção da pólvora.

Optámos por alguns itens da gama Stugvik : uns toalheiros que ainda possuem a vantagem de serem extensíveis, (que é outro conceito ao qual me rendi com o varão da cortina de duche, que sim, cai muito de vez em quando, mas quando isso acontece é algo que se resolve em menos de um minuto e não implica ficar com uma parede estragada), uns ganchos para panos de cozinha, pegas e luvas, copo para escovas de dentes e um cesto.

Encontrámos um segundo propósito para o cesto. Não serviu para a ideia original de suportar shampoos e gel de banho, mas está a funcionar lindamente na cozinha, para colocar o detergente da louça e esfregões.

Agora gostava de encontrar exactamente o mesmo conceito, mas aplicado à serventia de pendurar quadros e outras peças decorativas nas paredes.


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

cromices #153: Eu, a pior cábula do mundo.


No total devo ter recorrido a cábulas não mais que meia-dúzia de vezes. Todas após o ingresso no ensino superior.

Aliás, se há coisa que me arrependo foi de não ter usado cábulas durante todo o meu percurso académico. Justifico-o com dois motivos:

1) O ensino de qualquer matéria há-de ter, (a meu ver), como principais objectivos a compreensão da mesma, a apetência para aprender mais, e o desenvolvimento da autonomia que permita a busca solitária pelo conhecimento ao longo da vida. Não há argumentos que justifiquem a validade da prática de decorar matéria de vários volumes, para depois chegar a um exame e debitar os mesmos para uma folha.

2) Tivesse eu adquirido prática nessa bela arte da cábula, não me teria sentido tão desajeitada e à rasca quando cedi à sua necessidade.

Deixo o meu agradecimento aos professores, que perante a minha falta de jeito e atrapalhação, ao nível de um Mr. Bean, optaram por fechar os olhos.

Deixem-me então partilhar um episódio para que percebam o porquê de me intitular a pior cábula de sempre.

1) Sala de aula cheia. Turma preparada e à espera que chegassem os professores para iniciarem todo o processo de exame. Eu, muito mais nervosa que o costume porque levava cábulas, sentia uns calores tremendos, e por causa dos nervos deu-me um ataque de riso quase histérico. Simplesmente não conseguia parar de rir.
Solta um colega: " O que se passa com a Ana?"
Retruca outro: "Está nervosa, trouxe cábulas". - "Ahhhhh, ok!"
Um mais próximo, passa-me a mão no ombro: "Respira fundo, vai correr bem."

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Lições da minha infância: A freira, os doces de alcaçuz, e a lição aprendida ao contrário.



Sempre que o meu pai regressava a casa do seu trabalho além-fronteiras, aproveitava a espera no aeroporto para se abastecer nas lojas duty free.
Se era obviamente uma ocasião feliz ter o meu pai em casa, saber que ele regressava com um carregamento de chocolates e outras coisas boas era ouro sobre azul.
Isto é mesmo o mundo através dos olhos de uma criança de dez anos.

Numa dessas ocasiões, houve uma novidade que me despertou mais a atenção que qualquer outra coisa: um saco de doces de alcaçuz, rolinhos numa miríade de cores gulosas com um recheio escuro.
Mal vi o rótulo reconheci o termo "liquorice" de o haver ouvido na tv, o que aumentou o meu interesse. Afinal ia experimentar algo de outra cultura, e isto há quase trinta anos não havia a oferta que temos hoje, em que em quase qualquer loja se encontra quase tudo de todo o lado.

Experimentei um, dois, e talvez o terceiro, e concluí que infelizmente alcaçuz não era para o meu palato. Os meus pais foram da mesma opinião.

Pensei que poderia haver quem gostasse. Que lá por eu não gostar, não significava que não fosse bom. Então lembrei-me, na ingenuidade própria da minha idade e na melhor das intenções, de levar aquele saco de doces para partilhar com a minha turma. Achei que seria positivo os meus colegas experimentarem algo de novo, quer gostassem ou não. Se pelo menos um deles gostasse do sabor era missão cumprida, bem melhor que os deitar fora só por não sermos apreciadores lá em casa.

Este episódio, historieta tão pequenina, desinteressante e irrelevante, ficou-me somente na memória por ter dado mote a duas lições: a que me tentaram ensinar, e a que realmente aprendi.

Confrontada pela rambóia de vinte e tal crianças a fazerem caretas com bocas cheias de alcaçuz, a Irmã achou por bem transmitir-me a lição que gesto bonito, assim mesmo bonito e de valor, é dar aos outros aquilo que mais gostamos, aquilo que consideramos que temos de melhor.

Ouvi caladinha. Abri os ouvidos, mas os dois, que é para aquilo poder entrar a cem e sair a mil.
Em primeiro lugar, porque claro que não gostei da desvalorização da minha boa intenção. Não esperava palminhas, mas um "olha, não gostei, mas obrigada na mesma" fica sempre bem.

Em segundo, porque mesmo só com dez anos, achei que a mensagem que me tentava incutir era do mais hipócrita que há.
Que era mesquinho exigirem-me, de certa forma, que eu partilhasse as minhas coisas favoritas, com um grupo de pessoas que nunca trouxe nada para partilhar.
Que ninguém, por exemplo, compra roupa nova e a doa, ficando a servir-se daquela que já tinha por casa, e que já nem lhe serve.

A lição que apreendi resume-se no velho adágio "nenhuma boa acção fica sem punição". Nunca mais levei nada para partilhar.






quarta-feira, 23 de agosto de 2017

coisas de jogar #10


Horizon Zero Dawn





Vida de cão: sumos para cães



Qualquer coisa que tenha adição de açúcares não deve ser dada aos animais. Nem sequer são uma boa opção para a nossa saúde, muito menos para a deles, por causa do seu metabolismo.
De vez em quando, como miminho, damos um bocadinho de sumo ao Kiko, mas daqueles que são são somente fruta espremida, sem qualquer corante nem conservante. Ele adora o de melão.

É uma escolha mais saudável quando em comparação com qualquer néctar ou sumo, que lhes sabe tão bem quanto a nós, especialmente em dias de calor. Mas sem exageros, nem na dose nem na frequência.

Coisas que me irritam: Da irresponsabilidade...



Temos por ritual, mal o marido chega a casa, de nos sentarmos na varanda a tomar um café e a falar sobre o nosso dia, aproveitando o bom tempo e aquele recanto que se tornou agradável graças às plantas, que cheiram bem, e que tanto cresceram, providenciando-nos assim alguma privacidade.

Não fosse esse hábito não teríamos dado conta que houve, durante o dia, um qualquer condutor incauto que embateu no candeeiro de iluminação pública.
Não seria nada de mais, nem motivo para alarme, não estivesse, graças ao embate, aquele grande globo de vidro e metal inclinado e prestes a cair no chão, somente apoiado numa extremidade da lâmpada.
Isto numa praceta bastante movimentada, onde passam constantemente veículos, pessoas, (muitas crianças), e animais. Agora imaginem aquele enorme apêndice cair em cima de alguém, que pelo estado da coisa seria algo para não tardar muito a acontecer.
Contactei imediatamente com a linha de avarias da EDP e comecei a exposição com "houve um otário...", e nunca senti que alguma vez o adjectivo me tivesse servido tão bem na comunicação.

Porque, meus amigos, bater toda a gente bate. Pode acontecer a qualquer um, e a isso chama-se aselhice, inexperiência, distracção, azar até. Mas ser irresponsável ao ponto de se causar o dano e não requisitar a intervenção da EDP, estando-se nas tintas para os outros, e para a desgraça que a queda daquele globo poderia causar... A alguém assim é até elogioso e caridoso ficar-me pelo otário.

O atendimento foi impecável, e por sorte o piquete estava nas proximidades, o que ajudou a que viessem resolver a situação em tempo recorde.

Agora só queria identificar a pessoa para lhe soletrar a palavra "O" na cara.