quarta-feira, 25 de março de 2015

coisas da casa: Um dos santos desta casa



Um dos santos da nossa casa é sem dúvida o meu sogro e, como tal, para além dos agradecimentos que faço sempre questão em proferir, merece também reconhecimento pelo tanto que faz por nós.

Eu explico: por falta de gosto, de jeito, de paciência, de tempo, de tudo e de nada, eu e o marido somos ambos uma espécie de azelhas no que toca à bricolage, aos arranjos domésticos, a toda essa cena do DIY.

O meu sogro adora todas essas coisas. Tanto que é profissional do ramo, com mais anos de experiência do que nós de vida. Deixa-me sempre boquiaberta porque parece que não há nada nesse contexto que ele não entenda e saiba fazer, sempre com laivos de perfeccionismo. Traço que cultiva em nós uma grande admiração pelo meu sogro.

Ainda me lembro da primeira vez que veio em nosso "resgate". Foi mesmo no início de termos comprado casa. Estávamos decididos a meter mãos à obra e pintar nós mesmos a casa.
Calhou o sogro passar por cá, quis dar uma vista de olhos, ver como estavam a correr as coisas. Quando viu o nosso jeitinho para as pinturas, aquilo deve-lhe ter mexido com os nervos, soltou um "Não é assim que se faz! Assim não fica nada de jeito!" e em menos de nada passámos ao papel de observadores e ajudantes, tipo "passem-me aí esse pincel".

No início da nossa aventura doméstica a dois, o marido evitava pedir ajuda ao pai para estas coisas, por uma questão de constrangimento, de não lhe querer pesar. "Coitado do meu pai" - dizia ele - "Já trabalha tanto... Não lhe quero dar mais trabalho. E já sabes que ele nunca se recusa." (Para mim, mais uma evidência, entre mil outras, que tenho um homem à maneira. Mas adiante.)
Hoje em dia, não hesitamos em rezar ao santo sogro, e imediatamente lá vem este em nosso auxílio.

Nestes últimos dias foi o esquentador. A maquineta andava a pingar água e a chama piloto teimava em continuar acesa mesmo com as torneiras fechadas.
Trocar de esquentador, especialmente se for um modelo ventilado, significa ter que investir para cima de 300 euros. Se tiver que ser, que remédio, mas que valeria a pena ver primeiro se aquilo tinha arranjo.
Pois ao meu sogro, entendido na matéria, bastou-lhe apertar umas coisas, trocar um o-ring, e voilá, maquineta como nova.

Ora digam lá se não é um verdadeiro salva-vidas digno de reconhecimento?!