sábado, 15 de março de 2014

Lembrança de Apolo em chamas ou, um argumento para a liberalização das drogas





Acho que não existe ninguém no mundo que não tenha perdido alguém para o buraco negro das drogas, seja um familiar, amigo, ou simplesmente um conhecido.


Durante a minha adolescência, morreram três pessoas do meu círculo alargado de amigos. Perderam-se definitivamente, sem retrocesso.
Acho que o mesmo se pode dizer daqueles que sobreviveram: perderam-se definitivamente, sem retrocesso. São uma sombra do que foram, envergam o fato pesado das marcas da dependência. Marcas indeléveis, visíveis no corpo e na psique, mesmo após o acto de enorme coragem de vencer a dependência.
São casos verdadeiramente raros aqueles que têm a benção de uma segunda oportunidade, de se apresentar ao mundo renovados, de ter outras realidades como cartão de visita, sem que a aparência os traia, ou que troquem velhos vícios por outros.




Também nós - todos aqueles que assistimos ao desperdício da vida - ficámos com uma cicatriz indelével, marca das suas histórias.


Igualmente quando penso neste tema, lembro-me de um rapaz, de quem nunca soube o nome.




Estaríamos nos anos 90. Eu, uma adolescente, ia com os meus pais em mais uma viagem até à casa dos meus avós.
No mesmo trajecto de todas as vezes, num mesmo semáforo que fechava sempre que lá passávamos, algures num ponto encardido de Lisboa onde a primeira reacção há-de ser sempre fechar os vidros e trancar o carro, lá estava ele: um jovem louro, com cabelo à Kurt Cobain, lindo, cheio de vigor, sorridente, a irradiar vida e luz e cor naquele ponto lúgubre da cidade, onde quem lá pára não é por bons motivos. Pululava por entre as várias viaturas, paradas no sinal vermelho, como se estar na rua a limpar os vidros dos carros em troca de alguns trocos fosse a melhor coisa do mundo.


Nem há palavras para como aquela contradição teve impacto em nós. A memória é volátil, e já lá vão uns bons anos, mas lembro-me do meu pai, quando abordado por aquele jovem, ter-lhe oferecido ajuda.
O rapaz sorria, e educadamente recusou. O meu pai despediu-se com um "tem cuidado, cuida-te", e com o sinal verde, fomos os três de coração apertado.


As viagens à casa dos meus avós ocorriam, mais ou menos, de dois em dois meses. Em todas as viagens víamos aquele jovem, no mesmo semáforo. Num período de cerca de um ano, talvez um pouco mais, assistimos à sua mudança: gradualmente foi-se a luz, a alegria, a vivacidade, a beleza. Em cada viagem, aquele jovem cada vez mais magro, macilento, cinzento, deixava de ser Apolo.


A última vez que o vimos, o jovem Apolo parecia um cadáver, esquelético como os protagonistas das fotos ilustrativas dos horrores do terceiro mundo, tinha imensas dificuldades em mover-se e parecia quase alheio ao que o rodeava.


Na viagem seguinte, e em todas as outras após essa, não o vimos mais.


Nunca deixarei de o lembrar, e de sentir tristeza com o seu destino, embora fosse um estranho. É impossível ficar indiferente ao desperdício da vida.




É também por ele que defendo a liberalização das drogas.
Se não é possível erradicar de vez o tráfico e o consumo das mesmas, parece-me preferível a existência de espaços assépticos e controlados pelo Estado, semelhantes a enfermarias, especificamente criados para serem o único local onde é permitido o consumo dessas substâncias. Para mim, antes assim do que a degradação de espaços públicos, de zonas que se transformam em locais chave de tráfico e consumo.
Defendo um cenário onde as drogas se vendam como um medicamento - melhor que seja o Estado a lucrar com a venda das mesmas do que os traficantes, podendo investir esses proveitos fiscais na reabilitação e tratamento de quem procure um novo rumo.
Talvez assim não existissem buracos negros espalhados pela cidade que sugam a vida de quem neles se pára, nem Apolos em semáforos.














segunda-feira, 10 de março de 2014

Até já





Tenho tanto, tanto, para pôr em dia por aqui!


Prometo que em breve o farei.


Já sorrio. Já ouço música. E, o meu apetite, que andava pelas ruas da amargura, até já deu sinal de vida quando ferrei o dente num mega muffin de chocolate com pepitas... Oh, os poderes mágicos do chocolate!


Um abraço e até já! :D







quarta-feira, 5 de março de 2014

Ainda doente...





Quando fiquei doente pela primeira vez este Inverno, lá para Novembro, consegui não perder o optimismo.  Em termos de intensidade não passava de uma gripezita, demorou imenso tempo, mas consegui exterminá-la sem recorrer a consultas nem antibióticos.


Desta vez é diferente.


Lembram-se do episódio, em meados de Fevereiro, em que fui babysitter de duas crianças "à força"?
(aqui)


Pois, os miúdos eram o verdadeiro Kinder Surpresa. Traziam um belo de um belo de um brinde, deixem que vos diga!


A minha imunidade estava em baixo, e por falta de hábito em lidar com crianças, o meu organismo não estava minimamente preparado para as estirpes que as crianças trazem dos infantários - "infectários".
Também não tomei as precauções devidas, (como dizer um redondo não!, por exemplo), porque só me apercebi do facto, através de um comentário da mãe das crias, quando as veio buscar, e nesse momento pensei "Já foste!"


E fui! E estou-me a sentir uma indía. Não porque é Carnaval. Mas porque aconteceu lembrar-me das tribos sul-americanas que encontraram o seu fim após o contacto com os conquistadores espanhóis e os seus vírus. (Sim, estou-me a sentir tão mal, que este é inevitavelmente o meu estado de espírito).


Respirei fundo, inspirando uma nova dose de paciência e optimismo. Retomei a rotina dos cházinhos e infusões e tentei convencer-me que tal como anteriormente, tudo iria correr pelo melhor.


Passadas duas semanas, após uma noite em que não conseguia respirar, porque ia jurar que existem híbridos meio ninjas, meio lutadores de sumo, que se sentam em cima do nosso peito, precisamente para o efeito, para além de dores musculares intensas em todo o corpo, calafrios e farfalheira, o meu optimismo foi pelo ralo.


Existe sempre uma porção de medo latente quando nos sentimos mal, doentes, quando a recuperação tarda. Tinha chegado ao ponto em que esse medo vem ao de cima, com questões como "e se errei no diagnóstico? Encarei isto com demasiada ligeireza? Será que arranjei um 31?".
Reconheço que estou suficientemente mal quando o meu lado dramático, virginiano, e algo hipocondríaco vem ao de cima.


É o tal lado que tentei domar enquanto me dirigi ao Centro de Saúde, para não focar os meus pensamentos no facto de também estes locais serem tão, mas tão prolíficos em patogéneos. É o lado que me leva a procurar um lugar o mais longe possível de qualquer outra pessoa na sala de espera, que enquanto sou auscultada torce para que o estetoscópio tenha sido devidamente desinfectado.


Na verdade, sinto-me assim porque estou mesmo cansada de estar doente. Não, dizer que estou cansada é pouco. Estou exausta de estar doente, de me sentir doente, desta fragilidade que atormenta, de não me conseguir rir sem que logo a seguir tenha um monumental ataque de tosse, de ter os dias estragados por esta condição!


Fecho os olhos à lista enorme, (e assustadora, confesso!), de possíveis efeitos secundários e contra-indicações que li na bula do antibiótico. Só quis confirmar que os dois medicamentos que trouxe não reagiriam negativamente um com o outro, e nem vou pensar mais nisso. Só quero ficar boa, voltar à rotina normal, ao riso e a tudo o resto.




Como aviso para o futuro, peço-vos que, se me virem a interagir com crianças (vossas ou não), equipada de luvas e máscara, a besuntar-me com gel anti-bacteriano após contacto com as mesmas, ou a fugir como o diabo foge da cruz caso desconfie que estas estejam doentes, não levem a mal.
Não é que não goste de crianças. Gosto, (a sério!), mas gosto ainda mais da minha saúde, e farei tudo para evitar ficar doente nos próximos tempos.
Fugirei igualmente de vós, caso vos veja a tossir ou a espirrar, por isso...






sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

coisas de pensar: EDP - a partir de que limite são as margens de lucro imorais?





Todos os dias, desço até à mesma esplanada e, enquanto tomo o pequeno-almoço aproveito para ler as notícias.


É um dos rituais que fazem parte de uma rotina que me é aprazível e da qual muito dificilmente abdico.


Hoje, deparei-me com esta parangona:
"EDP reduz lucros em 0,7% para 1.005 ME em 2013".


(podem ler o artigo aqui )




Não posso deixar de pensar nesse número. Mil milhões de euros é um senhor número!


Sim, ter lucro é bom. Aliás, espera-se que todas as empresas o sejam capaz de gerar, caso contrário estará em causa, não só a sua sobrevivência, mas a sua raison d'être.


De todas as categorias que podemos utilizar para compartimentar bens e serviços, escolho agora uma: a que separa os essenciais dos não-essenciais.


A energia eléctrica é um bem essencial de consumo, tão indispensável a qualquer cidadão como é a água, a habitação, a mobilidade (seja através de transporte próprio ou público), o acesso à educação ou à saúde, e por aí fora.


Em Portugal, (em comparação com os restantes países da UE), aufere-se dos mais baixos salários, (quer numa perspectiva de salário minímo ou médio), mas o preço que pagamos pela eletricidade é o 4º mais elevado.


E é por isto que falar em mil milhões de lucro, deixa um sabor amargo na boca, uma sensação de imundície e palavrão.


Fossem números de uma qualquer empresa de bens ou serviços de luxo, uma Ferrari, uma Rolls Royce, a coisa era diferente. Continuaria a ser uma demonstração grosseira do quão profundo é o fosso entre as diferentes classes, e o seu desigual poder de compra, mas mesmo assim, não tão mau, como um astronómico lucro realizado à conta de um bem de consumo essencial à sobrevivência.




Portanto, senhores accionistas da EDP, proponho que escolham uma das seguintes opções:


a) Reduzem em 50% o preço da electricidade. Os consumidores agradecem, (eu bem que ficaria feliz com a minha factura reduzida em metade!), e ainda se podem lambuzar com uma perspectiva anual de lucro de 500 milhões, seus lambões!


b) Ou investem metade dos vossos lucros, todos os anos, em coisas de real valor e interesse para toda a sociedade - como na saúde, na educação, com quem realmente precisa.


Bale?








segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

sabedoria dos intas em 10 segundos #25



Diz-se que não há escola como a Vida. Que um dos grandes papeis da Existência é permitir-mo-nos a Evolução.
Que esta escola não é como as outras: não existem cadernos, manuais, aulas agendadas, horários e programas pré-definidos com objectivos e conteúdos como existe para o Português ou a Matemática.


Nesta Escola, existimos nós e os outros, simultaneamente ocupando o papel de aluno e professor. Onde a imperfeição de todos, apresenta a cada erro, uma lição, repetida uma e outra vez, tantas quantas forem necessárias à aprendizagem.


Na maioria das vezes, aqueles que nos trazem a oportunidade de aprender, estão longe de incorporar os traços dos guias espirituais que esperaríamos para tal tarefa. Não são monges simpáticos e serenos, nem velhotes curandeiros, sorridentes e desdentados, de um qualquer destino exótico.
São as pessoas do dia-a-dia, iguais a nós: as que erram connosco, que nos tiram do sério, que nos causam desconforto, que nos fazem recorrer aos padrões de comportamento menos benignos que vivem em nós, (porque são mesmo esses que precisam de ser notados e corrigidos), que nos levam a reagir como furacões.


E, após o furacão, vem a Consciência. E isso é não é bom, é excelente!

É o primeiro grande passo: perceber que estamos perante uma lição. Que esta é, invariavelmente sobre, em e para nós. Obriga-nos a parar, a reflectir, a reviver o sucedido como observadores de nós próprios, não para nos censurarmos, (devemo-nos Amor e Compaixão), mas entender a razão do nosso comportamento, das nossas acções.


É partir do fruto e navegar por folhas, ramos e tronco, até alcançar a raiz.
Tantas vezes, ao longo da vida e das vidas, quantas forem necessárias, para que a nossa árvore só beba da mais pura e cristalina fonte. E aí... o potencial é infinito!










sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Você abusou...





Há anos, tive que estar em frente a uma câmara de vídeo, a falar sobre o que mais me irritava. Talvez fosse efeito do close-up, mas senti-me tão pouco à-vontade, que respondi algo sem nexo.
Hoje diria que, se me quiserem elevar à quinta potência da exaltação, basta demonstrarem falta de bom senso, e abusarem da boa vontade.


São princípios que me foram incutidos pelos meus pais de tal forma que se tornaram numa espécie de movimento reflexo, automático.


Para que percebam melhor, um exemplo:


Quando entrei para o liceu, o pai de uma amiga, que tomava o mesmo caminho para o emprego, tinha disponibilidade para levar a filha à escola de manhã. Havendo espaço no carro, teve a gentileza de extender a cortesia a mais miúdas. Entre elas, eu.
Os meus pais agradeceram-lhe e deixaram bem claro que se porventura um dia me atrasasse a chegar ao ponto de encontro, não deveriam esperar por mim. Que "amigo não empata amigo". Que chegar atempadamente e não pesar a quem nos faz uma gentileza é um dever que não deve ser descurado. Que quem abusa da boa vontade não é merecedor de favores.
Por acaso, eram eles que se atrasavam. Mas lá está, segundo os meus pais, isso não interessa nada, porque devemos ser cumpridores, independentemente do que os outros façam.
E que como favores nunca serão obrigações, se assim preferisse, a Rodoviária Nacional nunca deixava de ser uma belíssima hipótese.


Isto ilustra o ambiente em que cresci. Fez de mim uma pessoa tão imperfeita quanto outra qualquer, mas quiçá, um bocadinho mais consciente.




Ora, há dias, poucos minutos depois de acordar, tocam à porta. Era um vizinho.
Com os sentidos ainda turvos, qualquer conversa me soa a  "blá blá blá whiskas saquetas".
Fui conseguindo apanhar alguns vocábulos como: carro... reboque... viatura de substituição... coisa rápida... blá blá blá... um favor.
Com muito custo, e a pensar que não percebo nada de mecânica, inquiri: "favor?".
"Sim... blá blá blá... crianças". Aí foi como se tivesse tomado um primeiro café. "Quê? Olhar pelas crianças? Eu?! Quando?!"
"Agora." - disse ele. E eu posso jurar que soltei um guinchinho. Não me ter saído um "fo...go!" ou um "c'um carago!"...


Reticente, argumentei que a minha experiência com crianças era nula, (ao longo da minha vida vi amigas a trocarem fraldas, prepararem biberões e noutros rituais com as suas crias, uma dúzia de vezes, o que faz de mim alguém tão entendida na matéria como em física quântica), que nunca tinha mudado uma fralda, que era uma enorme responsabilidade. E pensei para com os botões do meu pijama "demasiada responsabilidade, para se entregar a quem não se tem intimidade para além da usual troca de cumprimentos quando nos cruzamos".


Não desarmaram, e num espaço de dez minutos tinha uma mãe a deixar-me duas crianças, um menino de 1 ano e uma menina de 5, em casa.
Sorri-lhes, ainda atordoada, e pensei para mim mesma "respira fundo, vai tudo correr bem, afinal é só por um par de horas".


Começámos por cumprir o meu ritual de ir tomar o pequeno-almoço ao sítio do costume. Sim, portei-me bem e pedi um ucal e uma sandes mista para a miúda, mesmo após a insistência desta sobre como preferiria um gelado ou chocolates.
Já em casa, meti-os a ver um daqueles canais de tv infantis. Fui buscar papel, lápis de cor e de cera.
Tudo tranquilo. Até que...


... as horas começaram a passar, as coisas começaram a fazer falta, e dentro das mochilinhas que tinham vindo com os miúdos não havia rigorosamente nada mais do que fraldas e toalhetes!


- "O que é que o mano papa?" - "Leite no biberão."
- "Está onde? Na mochila?" - "Não. Está em casa."


O primeiro de muitos momentos de apoplexia nervosa.
Valeu-nos a experiência de vários amigos, que foram respondendo às minhas dúvidas através do facebook, e a carne picada que tinha no frigorifico, pensada para o jantar dessa noite, acompanhada com arroz branco, e creme de legumes. Por precaução, com pouco tempero.
Tudo servido em pratos de sopa e colheres para evitar acidentes, e uma oração minha pedindo a quem me ouvisse que nenhum dos petizes tivesse alguma alergia a algum dos ingredientes.


Na hora de mudar a fralda, faltava o creme para passar no rabiosque. E onde estava este? Em casa, pois claro!




- "Tens algum telemóvel para ligar à mãe?" - "Sim. Em casa."


Pois, que entre o meu estado sonolento e surpreendida, e a pressa da mãezinha de aproveitar o ocorrido para ir laurear a pevide com a cara metade e sem putos atrás, (que eu entendo, a sério que entendo! Mas há maneiras mais correctas de agir!), nem trocámos contactos.


O périplo durou 7 horas. Teria durado mais certamente se, por obra do acaso, não encontrasse quem me desse o número deles.


- "Daqui fala ... Como é?! Já viram as horas?!"
- "Ah... Olá... Já não demoramos muito, ainda temos de..."
- "Pois, isso não me interessa. Não estava preparada para ficar com os miúdos tantas horas. Tenho coisas para fazer. Quanto tempo demoram?"
- "Já só falta blá blá blá... 40 minutos."
- "40 minutos? Certo. Então, prestem atenção, os 40 minutos começaram a contar agora."


Desliguei.


Apareceram a horas. Os miúdos estavam cobertos de migalhas do lanche, sorridentes. É uma imagem gira ver um miúdo de 1 ano a rir-se com uma bolacha em cada mão, ou apanhados a pintar a cara com lápis de cera. Tive direito a abraços e beijinhos. Vários durante o dia, que retribui e soube-me bem.
A experiência com eles foi boa, teria sido exponencialmente melhor se não fossem os pais.
As atitudes próprias de quem quer agarrar o braço e o corpo todo a quem oferece uma mão.
Talvez o problema seja também meu, porque me abespinho com essas coisas, fico ofendida e olho para as pessoas com outros olhos.
É mais forte do que eu deduzir que quem age assim, fá-lo em muitos outros contextos.




O casal agradeceu, diversas vezes. Mas não colocou nenhuma questão. Iniciei eu a vomitar o relatório, o que comeram, quando, quem dormiu a sesta.
Teria ficado bem se me tivessem perguntado se me deviam alguma coisa. Não que tivesse aceite, mas teria gostado de ouvir. É uma questão de educação.


Para além dos agradecimentos, repetidos muitas vezes, só uns comentários sobre como o miúdo em casa não dorme a sesta, que significa que gostaram de ficar comigo. Que deveriam voltar mais vezes!


Não reagi. Quando fechei a porta, fechei todas as portas.
Gastaram todos os cartuchos de boa vontade de uma só vez.


Repeti entredentes, só para mim, que à primeira todos caem, à segunda só cai quem quer.