quinta-feira, 3 de julho de 2014
Se fosse um fruto...
... seria decididamente uma noz.
Porque sou uma "casca-grossa".
Porque chegar ao miolo implica trabalho e empenho, e sobretudo fé no facto de que este existe, embora escondido.
As pessoas mais importantes da minha vida, as "minhas pessoas" são-no por merecimento. Viram para além da casca e fizeram por chegar ao miolo.
O melhor de mim é delas, incondicionalmente.
quarta-feira, 2 de julho de 2014
cromices #17
Um dos milhentos pontos em comum com o meu marido, é que ambos embirramos com quase todos os musicais.
O facto de gostarmos igualmente de desenhos animados cria um problema: é que há sempre momentos cantantes, então se for da chancela Disney é um pesadelo.
Só para dizer que não conseguimos acabar de ver o Frozen. A overdose musical era tanta que já espumávamos da boca, e só se via o branco dos olhos.
Desemprego: IEFP, solução ou parte do problema?
Se a memória não me falha, foi entre o bacharelato e a licenciatura, a primeira vez que me dirigi a um Centro de Emprego. Na minha ingenuidade, pareceu-me que se os organismos existem, e pressupondo que funcionam, que seria uma forma tão válida quanto outra para procurar emprego na minha área de formação.
Dias depois da minha inscrição, recebo uma convocatória pelo correio. Uma missiva de discurso grave, exigindo a minha presença no dia e à hora tal, sem atrasos or else.
Foi assim que fiquei a perceber o porquê de meio mundo fazer fila à porta daquele edifício muito antes deste abrir as portas. Qual Cândido de Voltaire, o meu optimismo irradiava no meio daquele mar de gente estremunhada.
Pois se me tinham contactado, com tanta rapidez e gravidade, é porque tinham algo para mim, e isso era bom, muito bom! - Ah, ingenuidade!
As portas abrem-se finalmente, mostro a minha documentação e convocatória a quem de direito e sou encaminhada, com mais algumas pessoas, para uma sala de reuniões num piso superior.
Ninguém faz ideia do que esperar.
A técnica que nos acompanha, (meia dúzia de gatos pingados), para o interior da tal sala, começa a debitar questões:
- quem não tem a escolaridade obrigatória ponha o braço no ar; quem está interessado em frequentar um qualquer curso que lhe dê a equivalência à escolaridade obrigatória ponha o braço no ar; e que tal uma formaçãozita para ensinar a redigir um currículo?
E eu paciente, sem tugir nem mugir, à espera da minha vez, observadora da forma como a técnica despachava todos os outros, com um à-vontade magistral em fazer mais do que orientar, pois tomava as decisões por eles, encaixava-os onde lhes era mais conveniente.
- " E você, não está interessada em nada do que acabei de apresentar?"
Tinha ficado claro que toda a informação que se cede aquando a inscrição não serve na prática para nada. Tivesse lido o meu processo, até na diagonal, e saberia que não.
Reapresentei-me.
Foi a emenda pior que o soneto: após segundos de reflexão, saca de um dos montinhos de papéis que havia trazido consigo, e tenta impigir-me à força toda o pacote de "criação da própria empresa". E eu a explicar-lhe que seria, no meu caso e naquela altura, um colossal erro da minha parte enveredar por algo assim.
O mesmo que falar para uma parede! Porque se Deus e todas as soluções do mundo estavam naqueles montes de papéis, de soluções pré-formatadas a que as pessoas se moldam para que estas sirvam sempre mesmo que não solucionem nada, então como recusar?
Acabei por trazer a legislação só para me ver livre dela. É que a senhora já derrapava na maionese, a meter os carros em frente dos bois, a falar-me dos benefícios em empregar pessoas, especialmente se estas fossem portadoras de deficiência. Fosse impressa em papel higiénico e teria tido mais utilidade.
De seguida fui enviada à presença de um senhor cuja função é encontrar a nomenclatura e o código da profissão do candidato, pelo menos foi essa a sensação que tive. Basicamente é alguém sentado num micro escritório tipo bengaleiro, rodeado por todos os lados de imensos volumes que faziam lembrar as páginas amarelas.
- "Área profissional?" - "Publicidade"
- "Propaganda?", retorque sisudo. - "Não. Publicidade."
- "Tem a certeza?" - "Por acaso até tenho, o curso que frequento até é de marketing e publicidade."
- "Função?" - "Copywriter"
- "Ah! Desculpe lá mas isso não existe! Não encontro nada disso aqui."- vocifera enquanto folheia freneticamente os tais livros - " Isso não existe! Você está enganada. Chegam aqui e nem sabem o nome da profissão!"
Mais tarde, tive a minha última experiência com o IEFP, desta vez enquanto estagiária. A ideia de seguir o pacote estabelecido pelo organismo tinha sido do meu empregador, e na minha ingenuidade, pareceu-me bem que houvesse entre nós uma espécie de mediador. Que tal poderia assegurar que ambos cumpríssemos as nossas obrigações, segundo uma conduta já estabelecida. Ah, ingenuidade, raios te partam!
Por vários motivos, sendo o IEFP um deles, foi das piores experiências da minha vida. Transtornante até mais não. Daquelas coisas em que a pessoa deseja de todo o coração, voltar atrás no tempo e partir uma perninha no momento em que toma aquela ínfame decisão de vida.
Decidi cortar permanentemente a minha ligação a este organismo. Da minha experiência concluí que, sobretudo por incapacidade humana, esta é uma ferramenta que ao invés de ser utilizada para resolver um problema, adensa-o.
Anos depois, quando o universo de pessoas que conheço, muito ou pouco, e que estão ligadas ao IEFP pelos motivos mais infelizes é maior do que alguma vez poderia imaginar ou desejar, e ouço os seus relatos a minha conclusão mantém-se. Um dia falo um pouco mais disto.
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segunda-feira, 30 de junho de 2014
Coisas da casa #9: o segundo quarto
Para a maioria das pessoas, a aquisição da habitação será o maior investimento das suas vidas.
Nós não somos excepção.
Há cerca de 12 anos atrás, quando decidimos começar a procurar casa, não éramos muito diferentes de todos os jovens casais quando passam pelo mesmo estágio de vida. Éramos simultaneamente inexperientes, e com algumas ideias fixas sobre o que queríamos.
Um desses pontos, sobre os quais era absolutamente irredutível, era sobre a tipologia: menos que um t2 estava fora de questão.
Hoje continuo a defender a lógica desse argumento, e acho que foi das melhores decisões que poderíamos ter tomado. É que neste tipo de coisas mais vale ser como o Marquês de Pombal aquando a reconstrução de Lisboa, com a louca mas visionária implementação de um Passeio Público com 90 metros de largura, onde hoje é a Avenida da Liberdade.
Acho não podemos olhar para a primeira casa somente como uma casa de transição, tem que ser um espaço capaz de evoluir e crescer connosco, uma espécie de organismo. O nosso mantra quanto a isso era e continua a ser algo como "quer fiquemos por aqui, ou mudemos um dia para a "tal casa de sonho", em ambos os casos, felizes da vida".
Um quarto extra era uma das características fundamentais a esse espírito, por tantos motivos. Porque há mil utilidades que este pode ter, porque a família poderia crescer, e também porque somos preguiçosos e pacatos, e não quisemos correr o risco de ter que voltar a lidar com imobiliárias e afins antes de nos passar as naúseas que ainda sentiamos após todo o processo de comprar casa.
Logo nos primeiros tempos, quando nos perguntaram se iríamos transformar aquele espaço num quarto de hóspedes, a resposta foi um automático e redondo não, em uníssono e sem ser ensaiado.
Houvesse um terceiro quarto, (e mais uma casa de banho), e até poderia ser. Mas assim não. Porque embora, em boa verdade, sejamos ambos arraçados de bichos do mato, a quem serviria esse hipotético quarto de hóspedes quando o círculo intímo de família e amigos moram nas proximidades?
Para todos os outros, com imenso amor e carinho, tenham lá paciência, mas não vale mesmo a pena ficarmos desconfortáveis na nossa própria casa, quando a oferta hoteleira abunda na região, para todos os gostos e preços.
Durante anos, tantos quantos os de vida dos nossos bichanos, esta divisão foi conhecida como o "quarto dos gatos". O espaço era totalmente deles e dedicado a eles, com as suas camas, esconderijos, ginásios felinos, brinquedos e brincadeiras mil e muito sol durante todo o dia.
Com a sua partida, o nosso luto também se reflectiu neste canto da casa, e durante algum tempo este foi o "quarto da desarrumação".
Até há cerca de duas semanas, em que decidimos finalmente intervir e remodelar este espaço.
As paredes foram corrigidas por quem sabe o que faz, que está visto que não sou eu. É que eu quis adiantar serviço, e toca de andar a passar massa nas paredes para tapar rachas e fissuras. Pelo resultado parecia que um pasteleiro tinha andado a passar cobertura de merengue nas paredes.
Hoje temos um escritório / sala de leitura bastante aprazível. O resultado ainda ficou melhor do que esperavamos.
Como se trata da divisão que mais sol recebe durante o dia, escolhi para as paredes uma tonalidade laranja.
O laranja é uma cor que desperta alegria, vitalidade, capacidade criativa e de expressão, que rejuvenesce. Que recarrega as baterias, afasta tristezas, nos faz mais destemidos e joviais. É também uma cor associada à família.
Podem pensar que o laranja é demasiado forte para colocar em todas as paredes. Mas juntem-se apontamentos em branco, (como as cortinas, candeeiros, e no nosso caso, também a secretária e as capas das almofadas do sofá), e está criado um contraste perfeito que ajuda a suavizar este tom quente.
O laranja também funciona bem quando complementado com tons terra, o castanho do chão de madeira e das estantes, e os materiais naturais como o rattan da estrutura do sofá, a verga dos cadeirões da secretária, contribuiram para um ambiente bastante acolhedor.
domingo, 29 de junho de 2014
To do list #1: Revisitar Lisboa
Há dias, a Vespinha falou sobre como é maravilhoso ser turista na própria cidade. (aqui)
É um tópico no qual me revejo. Adoro ser turista em Sintra: dispensar o carro, caminhar ao sabor do improviso, revisitar os monumentos tentando envergar os olhos de quem os visita pela primeira vez, conhecer o comércio local, palmilhar o verde da Serra.
A Vespinha fala de como é (igualmente) maravilhoso ser turista em Lisboa, e por incrível que pareça, andamos há que tempos para revisitar Lisboa como turistas. E é algo que temos mesmo que fazer, o quanto antes!
Quando era miúda, ir a Lisboa não significava propriamente lazer e diversão. Na maioria das vezes ia-se a Lisboa pelos motivos mais chatos: uma ida a um médico especialista, uma qualquer burocracia morosa.
Anos depois, eu faria parte do imenso movimento pendular de milhares de pessoas que entram e saem de Lisboa, todos os dias, por obrigação. O nosso país é lindo, e Lisboa contribui sem dúvida para tal, mas sinceramente achei difícil apaixonar-me pela cidade naquele contexto, em que todos parecemos o coelho branco da Alice no País da Maravilhas, sempre apressados, presos no trânsito ou reféns de um frustrante sistema de transportes públicos, em que olhos são alheios à beleza porque o cérebro está focado em toda uma lista de afazeres.
Portanto, urge despir-me desses velhos hábitos, e ser turista também em Lisboa, assim como faço na minha terra. Descobri-la finalmente.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Pessoas de quem gosto #3
Não conheço os adoptantes do Touché, mas não preciso de os conhecer para gostar deles. Sei que salvaram este patudo e tornaram-se a família que ele sempre mereceu. E isso basta-me.
Sabedoria dos intas em 10 segundos #29
Dizem que no Universo tudo é energia, que é essencial que esta flua, se mova incessantemente, que nunca estagne.
Daí a imensa importância da reciprocidade. Dar e receber são dois gestos que coexistem para que possa haver a tal troca de energia, o tal movimento que garante a harmonia e o equilíbrio de todo este sistema.
E mesmo quando damos, anónima e gratuitamente, o Universo trata de devolver a energia que haviamos dispensado, tantas vezes em forma de cordiais pormenores que vamos percebendo com maior acuidade com a prática.
Há momentos assim que já reconheço instantaneamente. Como hoje, quando no meio de uma imensa confusão, onde a circulação automóvel parecia impossível, nos ofereceram, assim do nada, o melhor (e único) lugar de estacionamento.
E nestas alturas, sorri-se e agradece-se. E têm-se a certeza que tudo o que se dá ao Mundo é dos melhores investimentos possíveis.
terça-feira, 24 de junho de 2014
coisas que gosto #6
De ir à praia, em dias da semana como hoje. Haver estacionamento e espaço na areia com fartura.
De adormecer com o barulho do mar. Estar suficientemente perto da água para levar com algumas gotículas, lançadas pelo efeito de rebentação.
De ir tomar algo a uma esplanada. De ser interpelada por um cão amistoso de cauda a abanar.
sábado, 21 de junho de 2014
caixa de ressonância
terça-feira, 17 de junho de 2014
PDI #1
Sacar do cartão multibanco com a maior naturalidade, afinal trata-se de um gesto repetido diariamente.
Congelar na altura de marcar o código. Não ser capaz de o recordar nem que a própria vida dependesse disso.
Portugal - Alemanha
Uma derrota é apenas uma derrota. Coisa pouca. As competições são mesmo assim.
Aos olhos de uma optimista incansável, como eu, as batalhas perdidas têm o seu lado bom: quando aproveitadas há lições aprendidas e uma descarga de energia que nos impele a fazer mais e melhor, a dar tudo por tudo, para não voltar a sentir aquele amargo na boca.
Em todos os jogos, a competição acontece em dois planos: no marcador e na atitude.
Haja fair play, profissionalismo, desportivismo, cortesia, entrega, mestria no que se faz, trabalho em equipa por parte de ambas as equipas e em boa verdade, ambos sairão vencedores do recinto.
Isto é o que penso. Mas que sei eu, que nem gosto de futebol, nem via um jogo há anos?!
segunda-feira, 16 de junho de 2014
caixa de ressonância
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Máquina do tempo #2
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