terça-feira, 23 de dezembro de 2014
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Vida de cão #8: das gracinhas que enchem o coração
Sentamo-nos no chão com a pernas cruzadas.
Atiramos a bola.
O kiko corre. Com velocidade e destreza apanha-a. Corre na nossa direcção, de bola na boca. Lança-se no ar para aterrar no nosso colo.
Ajeitamos-lhe a postura. Ele ali fica, enroscado, a mordiscar a bola e a fazer barulhinhos de satisfação.
O melhor de tudo é perceber que não é a bola nem o elogio a recompensa. Somos nós.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Cromices #64: Este poderia ser um post sobre moda...
Facto #1: Sou friorenta.
Facto #2: Gosto de roupa desportiva, acima de tudo confortável, tipo o que se encontra na secção de caminhadas da Decathlon.
Facto #3: Estou-me cagando para modas. Mais que defeito é feitio.
Como é que as pessoas reagem ao meu sentido fashionista?
- "Ai tão gira! Parece que vem da neve!" - isto digo pela senhora da esplanada da praia onde fomos tomar o pequeno-almoço.
E é isto.
caixa de ressonância
cromices #63: a bela música que vem dos canos!
Somos uns privilegiados: quando queremos água é só abrir a torneira.
E o gesto é tão reflexo, automático, que aposto que é coisa rara qualquer um de nós pensar no quão somos realmente uns privilegiados por isso.
Até ao momento em que falta a água, como hoje. Momentos que volta e meia têm que acontecer porque existem contratempos, manutenção que tem que ser feita, mas que nos apanham sempre de surpresa.
E dou por mim a maldizer a louça por lavar, a aguentar sem ir ao wc até ao inevitável momento em que parece que a bexiga vai rebentar, a fazer render a água que ainda existe no autoclismo, a lavar as mãos naquele fiozinho de água tão estreito que por sorte ainda escorre da torneira.
Até que de repente se ouve uma sinfonia nos canos, sinal que a água voltou. É uma melodia desarmónica, mas soa tão bem!
Vida de cão #7: o acessório mágico
Sabem aqueles sopradores que servem, lá está, para soprar quaisquer impurezas ou partículas das lentes das máquinas fotográficas?
Acreditem ou não é um acessório extremamente útil nisto do treino canino.
Dizem que quando os cães estão a ter um daqueles momentos muito chatos, em que não entendem um "não", (por exemplo se exercem demasiada força com os dentes na interacção com os humanos ou outros momentos similares), uma das técnicas aconselhadas é borrifá-los com um spray ligeiro de água no focinho.
Mas, como não queremos que ele ganhe aversão à água, (gostar de banho é fundamental), encontrámos neste acessório de fotografia a resposta.
Ainda agora mesmo, depois de uma boa sessão de brincadeira para lhe dar atenção e gastar energias, o Kiko não estava a querer compreender que tinha chegado o momento de acalmar, o que também é uma lição importante. Então sentei-me aqui, à secretária, e lá estava ele a tentar subir-me pelas pernas, (que unhas, senhores!).
Como o "não" não estava a fazer efeito, fui buscar o soprador. Duas borrifadelas de ar foram suficientes.
Acalmou e foi para a cama fazer uma sesta. Daqui a um bocado vou recompensá-lo por ter entendido e respondido da melhor forma com ração e mais uns mimos.
O ar é obviamente inofensivo, não o magoa de forma alguma, e nem sequer o assusta. Esta deve ter sido a segunda ou terceira vez que utilizei o borrifador no Kiko, mas recomendo. Bate aos pontos, pela eficiência e grau de humanidade, outras técnicas como elevar o tom de voz, (o que é fácil de acontecer quando nós humanos começamos a ficar frustrados), e especialmente as palmadas por mais suaves que sejam.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
caixa de ressonância
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
caixa de ressonância
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
cromices #62: Garanto que tinha sucesso!
Espanta-me que a internet traga soluções para tudo. Existem sites e app's especializadas em tudo e mais um alho, algoritmos mágicos para encontrar o tal emprego, a cara metade, o alojamento perfeito para as férias, a peça de roupa ou o corte de cabelo que assentam mesmo bem, etc.
Espanta-me ainda mais que não tenham pensado em aplicar esta alquimia algorítmica ao universo dos condomínios e vizinhança. É que tinha futuro e ainda se habilitavam a serem nomeados para o Nobel da Paz.
Ora tenham a gentileza de acompanhar este meu raciocínio:
Uma pessoa compra ou aluga uma casa e, em termos de vizinhos, não sabe ao que vai. E isso é receita garantida para que a coisa corra mal, asseguro-vos eu.
Sublinho que em tudo se aplica a lei da reciprocidade, também quem já lá estava não sabe quem lá vem.
É claro que "mal" é um conceito demasiado vago, há todo um degradé da coisa, que vai do "mal que mal se nota", o grau 1, ao "inferno na terra", o grau 10 (vamos manter as coisas simples).
Eu diria que me encontro, conforme os dias, numa variação entre o grau 2 - "mal menor" e, vá lá o sexto nível, que já causa arritmias ligeiras e cabelos brancos, o que dá uma média aceitável, ao nível do Cândido de Voltaire, em que ainda nos vamos conseguindo convencer que, se olharmos para a floresta e não focarmos nas árvores, somos uns sortudos. Que poderia ser bem pior, e que "vivemos no melhor dos mundos possíveis".
Basicamente são mecanismos do cérebro humano que nos fazem crer nessa linha prateada em todas as coisas. Uma espécie de ferramenta biológica para a adaptação e a sobrevivência, que impede que caiamos que nem tordos de ataque cardíaco fulminante ao mínimo contratempo.
Ora se alguém se desse ao trabalho de desenvolver o tal site ou aplicação, a coisa seria bem melhor, acredito.
Imaginem a cena: Agente imobiliário acompanha casal a visitar um apartamento. Durante a visita, falam-se não só de tipologias, acabamentos e preços mas também do perfil da vizinhança.
- Olhe, o tipo de pessoas que aqui vivem são moderamente anais, têm um elevado grau de responsabilidade, logo pagam o condomínio a tempo e horas, (saca do powerpoint com gráficos sobre pagamentos de condomínio e presenças em reuniões referentes a cada fracção). A média do grupo em termos de quociente de inteligência emocional é bastante razoável. Poderia ser mais elevada não fossem as tendências passivo-agressivas do vizinho do apartamento X, e o gosto pela cusquice do casal do Y.
É um grupo que prefere actividades diurnas, logo não se esperam farras pela noite dentro. Quando questionados sob polígrafo, não há ninguém que use saltos altos em casa, que atire beatas pela janela ou pendure a roupa a pingar.
Ah, vejo aqui as suas indicações... Estejam descansados, segundo o grupo de perguntas sobre gostos pessoais ninguém escolheu música pimba. Se vos acordarem é mais provável que seja ao som de Foo Fighters ou Mozart do que de Dino Meira ou algum dos Carreira. E gostam de animais.
domingo, 14 de dezembro de 2014
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Vida de cão #6: uma simples caixa de cartão
O nosso lema tem sido "uma no cravo, outra na ferradura".
É importante indicar ao Kiko que não deve roer sapatos, nem roubar meias, nem arranhar isto ou aquilo, sobre quando pode e não pode subir para o sofá ou para a nossa cama. Enfim, tem sido bombardeado com uma série de regras...
A verdade é que criatura alguma neste mundo, inclusive nós e especialmente um bicho que ainda nem tem três meses de idade, aguenta um mundo só de regras e "nãos".
Para o compensar e fomentar uma espécie de equilíbrio tivemos que lhe arranjar algo que ele pudesse arranhar, destruir, o diabo a quatro.
A solução foi uma caixa de cartão, daquelas usadas nas mudanças, que comprámos no Leroy por tuta e meia.
O marido montou-a. Recortou-lhe uma entrada, e fez daquilo uma espécie de toca. Ele entra, arranha-a, arranca-lhe pedaços, espalha cartão por toda a divisão e está tudo bem. É para isso que inventaram um artefacto chamado vassoura.
Quanto esta precisar de reforma, temos outra de reserva.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Ode às relações falhadas
Quando penso nestas coisas do Amor, chego à conclusão que o Destino foi bem mais generoso e célere comigo do que alguma vez esperei.
Aliás, se me tivessem dito, jurado a pés juntos até, que iria conhecer a "tampa do meu tacho" quase no início da minha vida adulta, teria agido qual descrente, assumiria que estaria diante de alguém incrivelmente tolo.
Acho que em miúda tinha uma visão muito própria destas coisas amorosas. Lembro-me de ter lido, ainda bastante nova, vários clássicos como "Romeu e Julieta" e de concordar com Frei Lourenço, naquilo do amor dos jovens estar nos olhos e não no coração.
Embora acreditasse, ou melhor, quisesse acreditar no conceito de almas gémeas, amor eterno com todos os requintes românticos, a minha teoria era que, enquanto jovens, não estamos aptos para nada além de relações transitórias, experiências passageiras, sem grandes contornos de compromisso.
Que se ainda somos uma obra em construção, de barro mole, de matéria volátil ainda a descobrir a sua forma, entrar numa relação de cabeça, a pensar que é para sempre seria algo tremendamente irracional.
Depois fui arrebatada tão mais cedo do que antevia, e ainda bem. E só tenho a agradecer a quem nos bastidores do universo tenha puxado os cordelinhos para isso acontecer, mesmo que se tenha apressado para dar uma grande lição a uma miúda demasiado segura de si, das suas opiniões e certezas e dar uma boa gargalhada à minha custa. Acredito num Deus com sentido de humor.
Continuo sem feitio para coisas muito lamechas, mas tornei-me uma crente nesta coisa do Amor.
Não vos conto estas minhas coisas para esfregar em cara alheia a minha felicidade. O objectivo é precisamente o contrário: dar-vos esperança se esta vos falta, garantir-vos que há uma certa ordem cósmica que se disfarça de caos, assegurar-vos que tudo vai ficar bem se vos falha essa certeza.
Mesmo enquanto miúda, com as minhas teorias mirabulantes, a falta de experiência e maturidade próprios da idade, os instintos certos estavam presentes.
Já naquela altura eu olhava para todas as relações sem futuro como oportunidades de aprendizagem.
Hoje, quase nunca penso no passado, mas quando o faço é com gratidão. Não existem relações falhadas, existem relações que nos preparam para a certa, que nos ajudam a ter algumas certezas sobre quem somos e o que procuramos no próximo, as características que desejamos e aquelas que já sabemos serem incompatíveis.
caixa de ressonância
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