domingo, 20 de outubro de 2013

Os Direitos da Criança



Ainda sobre o tema "natalidade" e o post anterior (este):

Agora que já falei um pouco, (porque haveria tanto mais para dizer), sobre esta questão num contexto mais individual, posso passar para uma abordagem que considero muito mais interessante.

O objectivo, ou pelo menos um deles, do tal estudo, referenciado aqui, é conhecer quais os principais factores que levaram ao decréscimo da taxa de natalidade, e talvez concluir sobre o que pode ser feito para reverter esse processo.

E este é um assunto que me é caro. Porque providenciar as melhores condições possíveis para aumentar o número de nascimentos, é igualmente avançar na construção de uma sociedade com maior qualidade de vida, mais igualitária e evoluída, capaz e feliz.

Porque no que toca à natalidade é desejável que todas as pessoas sejam livres nas suas opções. Ou seja, que ter ou não ter filhos, ou ainda quantos, seja uma expressão do seu desejo e bom senso, e não fruto das condicionantes impostas pela vida em sociedade. Assim o vejo.

Acredito igualmente que, ser pai/mãe é assumir o papel de Guardião da criança, garatindo-lhe os seus direitos, e de seu Guia, incuntido-lhe os princípios, os valores, os ensinamentos necessários para que aquele Ser se torne na melhor pessoa possível, por si próprio e pelo mundo.

Logo aqui, começam os entraves.
Num país com tamanha taxa de desemprego, onde aqueles que trabalham são cada vez mais a fazê-lo em situações de precariedade, onde as fileiras daqueles cujo salário é demasiado baixo para fazer face à sobrevivência engrossam todos os dias, quem pode, em boa consciência e sem medos, assumir-se enquanto Guardião?

Numa sociedade que retrocede à mesma velocidade em que aumenta o fosso das desigualdades que separam os muitos que têm pouco, dos poucos que têm muito, em que os espécimes sobreviventes da classe média estão colocados numa corda bamba sobre o abismo. Em que essas desigualdades notam-se sobretudo na qualidade dos direitos basilares da Democracia, que já foram para todos, como a Saúde e a Educação, e que agora se apresenta para uns e outros de forma tão distinta. Aí, como podemos garantir, em boa consciência, a todas as crianças os seus Direitos?

Numa época em que se luta por um novo paradigma, em que se levantam tantas questões e estamos num barco sem rumo certo, em que se luta também para que a pobreza não seja sobretudo de espírito, é preciso recomeçar, redesenhar tudo isto que nos rodeia.


Começar por onde?