segunda-feira, 17 de novembro de 2014

cromices #56: Anita e os acidentes domésticos





O marido diz que eu sou "muita bruta", e eu dou a mão à palmatória. Também admito que sou meio descoordenada e que é com a maior das facilidades que a cabeça se me descola do pescoço, para ir pairar, feito balão, no "mundo da lua".
Conheço-me bem, mais vale admitir a verdade!

Ora esta mistura é meio caminho andado para alimentar uma propensão à ocorrência de acidentes domésticos.


De vez em quando, lá se ouve um "pum catrapum zás pás". É uma daquelas coisas que ocorrem com uma regularidade não assim tão frequente, mas as vezes suficientes para deixar o homem da casa "vacinado". Já não vem a correr, sobressaltado, como há uma década atrás. Já evoluimos para o estado em que isto, tendo em conta que raramente ocorre algo sério, dá material para "private jokes".

- "O que é que partiste?!" - berra ele de outra divisão. E eu respondo, entre risos, que "Está tudo bem! Nada, não foi nada... de especial". Ao que ele replica, gozão como só ele, "Já tinha saudades!"


E ele sabe que se for algo sério, eu trato de dar o alarme. Como no outro dia, em que calhou mal estar distraída enquanto lavava o maior e mais afiado facalhão cá de casa.


Cortei dois dedos. Nada de especial. Pareciam aqueles cortes de papel. Durante dois segundos pensei "Meh, coisa pouca. Está tudo bem", e continuei com o que estava a fazer.
Até que um dos dedos começa a sangrar. Muito. E eu entro no modo "drama queen": é de ver todo aquele sangue. Porque com queimaduras até me porto bem: água fria, pomada com fartura, e siga a marinha.
E acabamos na casa de banho, com ele a fazer-me o curativo, e eu a fazer beicinho e a queixar-me que tenho um "dói dói".