segunda-feira, 23 de maio de 2016

coisas de opinar: Os reais problemas da Educação



Quanto à questão dos contratos de associação ainda há muito para ser feito, mas nada mais para ser dito que possa acrescentar valor ao debate.

No entanto, para quem andou de cabeça no ar, fica aqui a explicação mais clara e sucinta, com direito a ilustrações e tudo, que encontrei.





Eu gosto de debates, especialmente quando inteligentes, sérios e quando existe uma real intenção de fazer uma análise profunda, alcançar a raiz dos problemas e encontrar possíveis soluções. Tipo um brainstorming.

Eu gosto muito dos debates que incidem sobre os pilares da sociedade. A Educação é um desses pilares, assim como a Saúde, a Segurança, entre outros. Há sectores, temáticas, tão, mas tão importantes, que são a espinha dorsal de qualquer nação. A qualidade de quem e do que somos, a capacidade de aspirar a mais e melhor, depende directamente da força dos nossos pilares, como acontece com qualquer edifício.

Talvez ainda carregue traços de ingenuidade, mas a cada debate que vai surgindo renova-se a minha esperança de que seja finalmente esta a vez que se esmiúce o tema como deve ser, se escarafunche o furúnculo doa a quem a doer, e se inicie a cura da doença e não só o alívio da sintomática.

A Educação é uma causa muito importante para mim, assim como é tudo aquilo que considero um pilar da sociedade. E deveria ser para todos, não só para quem tem miúdos em idade escolar ou é profissional da área. Simplesmente porque de uma fraca educação, resultam fracos cidadãos, fracos indivíduos. E o mundo precisa urgentemente de melhores pessoas, de novas gerações que ultrapassem sempre a anterior no barómetro da evolução, e não que fiquem aquém.

A Escola é um conceito que tem que ser repensado e redesenhado. A que existe, a meu ver, não satisfaz os propósitos mais elevados.
Merecemos melhor do que crianças dopadas com Ritalina porque pais, pediatras e educadoras não sabem, e provavelmente nem lhes apetece lidar com crianças enérgicas, normais, expressivas, quanto mais intervir com aquelas que necessitam de ser disciplinadas.

Merecemos um sistema de ensino de excelência, que se dedique em primeiro lugar à formação de indivíduos de valor, com princípios e bom carácter, e em segundo à transmissão de conhecimentos e matérias. Se há que definir prioridades, esta é a ordem que defendo.

Se é possível fazê-lo hoje em dia? Nem pensar! E porquê? Onde reside o problema?
Maldita cabecinha pensadora que disseminou, anos atrás, o conceito que a educação das crianças é tarefa única dos pais. Que a escola serve somente para ensinar matérias, fazer cumprir programas e avaliar. Talvez seja um conceito possível de aplicar nas universidades, mas o resultado de se seguir este dogma em todos os anos de escolaridade está à vista: bullying, desrespeito para com o pessoal docente e auxiliar, roubos, agressões físicas e verbais, insegurança, consumo de álcool, tabaco e cannabis, e até preservativos usados se encontram nos recintos escolares.

A Educação começa em casa, sim senhor, mas deve ser continuada nas escolas e em todos os locais frequentados por jovens. Diz o adágio e muito bem que é necessária toda uma aldeia para criar uma criança, portanto é dever de todo o adulto intervir quando se depara com uma qualquer situação que não siga os conformes dos bons princípios.

Da mesma forma que os pais passam muitas horas no emprego, também os alunos passam muitas horas na escola. Em todo esse tempo existem mil janelas de oportunidade para que algo aconteça.
Os pais confiam os filhos às escolas. Não só esperam que estes aprendam de forma bem sucedida um conjunto de matérias, mas que estejam num ambiente seguro e que lhes seja exigido um comportamento dentro de parâmetros aceitáveis. De preferência que se lhes seja dada a oportunidade, como pais, de ver a prole florescer em todos os sentidos. Algo só possível quando há trabalho de equipa entre pais, escola e sociedade.
É errado a todos os níveis que as escolas se dissociem desta responsabilidade. Enfurece-me e preocupa-me haver quem tenha escolhido a área da educação sem a noção, sem querer aceitar, que é uma vocação que envolve meter as mãos na massa em relação ao desenvolvimento de um ser, em todas as suas dimensões, não só a intelectual.
Perdoem-me a franqueza, mas se é só debitar matéria que vos enche as medidas, ide escrever artigos para a wikipédia.

Se disserem que não estão reunidas as condições para tal, que faltam pessoas, meios, etc, isso é bem diferente do discurso do "não quero saber, não é problema meu".
Aí, é função do Estado providenciar os meios necessários para o sucesso.

Acredito que este é um dos mais sérios e reais problemas do nosso sistema educativo. Afinal, as mais belas rosas surgem sob o olhar atento do jardineiro. Só as ervas daninhas se dão bem ao deus dará.