sexta-feira, 25 de julho de 2014

cromices #25: Amor de mãe





Temos muita sorte com a nossa família.


Os nossos pais foram "avós de gatos" exemplares. Embora nunca nos ausentássemos por muito tempo, sempre estiveram disponíveis para passar diariamente pela nossa casa e tratar do Ulisses, do Eros e do Zeus.


Serei sempre grata por isso. Não só pelo dinheiro que nos pouparam em hóteis para animais, mas sobretudo porque não há nada que se compare ao deixar os animais, especialmente felinos, no seu habitat, onde se sentem confortáveis, e ao cuidado das pessoas que mais nos merecem confiança no mundo.


É ainda de salientar a pachorra que tiveram connosco, (cough cough, comigo especialmente...), que foi santa!


É que eu era uma mãe galinha para com os meus meninos, e eles, uns autênticos meninos da mamã.
Só para que entendam a dimensão da coisa, o Eros, (um Bosque da Noruega que cresceu tremendamente, passando de caganito, que precisava da protecção do irmão Zeus, a uma fera enorme e majestosa), olhava-me com tanto, mas tanto amor, que entortava os olhos e babava-se enquanto ronronava.


(Eu, que havia sido uma miúda com medo de gatos (tudo depende da personalidade do primeiro gato que se conhece), dava beijinhos e fazia "brummmmmmm" na barriga dos meus meninos, sem qualquer temor.)


Como em tudo, as primeiras vezes são as mais complicadas.


De vez em quando, dávamos por nós a falar deles, que esperávamos que não sentissem a nossa ausência, que estivessem bem.


Da primeira vez, parti muito mais descansada para o aeroporto depois de deixar um documento redigido com especificações sobre cada um deles, notas sobre alimentação e detalhes sobre a saúde de cada um. Que ia tudo correr bem, claro! Mas só para o caso de o avião cair, nunca se sabe...


Ligavam-nos uma vez por dia, "só para picar o ponto" como dizia a minha sogra. E não interessa a confiança que se tenha com alguém, há-de sempre ser estranho, perguntar sobre a qualidade e quantidade dos cócós.