segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A melhor empresa do mundo #2: O transporte de e para a empresa







A quantidade de automóveis que circulam diariamente são um problema.
Segundo dados de 2006, o número total de veículos a circular no nosso país são cerca de 5,6 milhões. Diz-se, igualmente, que Portugal é dos países da Europa com mais automóveis por habitante.


Lisboa e Sintra são os dois municípios com maior densidade populacional do país. O primeiro com cerca de 519 mil habitantes, e o segundo com cerca de 419 mil, (dados de 2005).
Não será então de estranhar que a IC 19 seja das vias com maior tráfego. Aliás, até já foi considerada das mais congestionadas da Europa, para além de ser apelidada igualmente a "mais perigosa" a nível nacional.


Outras vias, como a A5 não são excepção.
Qualquer pessoa que já tenha experimentado qualquer um dos trajectos saberá bem a frustração de estar parado no trânsito a caminho do emprego, por exemplo.




Esta situação é um problema que se reflecte:


- No bem estar do indivíduo. O stress que resulta de vivenciar o trânsito regularmente tem custos para a saúde. Na óptica de interesses das próprias empresas, esse stress afecta perniciosamente o desempenho do trabalhador, como é natural. Outra manifestação são os possíveis acidentes, e as suas consequências.


- No meio ambiente. Pela poluição gerada pela quantidade de gases libertados para a atmosfera. Pelo gasto de recursos finitos como o combustível fóssil.


- Na economia. Cada veículo significa um pacote de custos para o seu proprietário, que engloba desde os custos de aquisição, manutenção, seguro, combustível. Um imenso desperdício quando verificamos que, a bordo de cada automóvel, vai geralmente uma só pessoa.


- No tempo. É um despedício infeliz de vida, (porque tempo é vida), o tempo que cada pessoa passa no trajecto casa-trabalho / trabalho-casa. Chegam a ser horas diariamente.




1 - Não serão os transportes públicos a solução?


Infelizmente, (ainda) não.
Em muitos casos, a nossa rede de transportes públicos entende-se mais propriamente como parte do problema do que da solução.
Há pessoas que não podem abdicar da viatura própria porque não existe transporte público que sirva aquele trajecto, ou porque não há compatibilidade com os horários praticados, ou ainda porque a viagem entre os pontos A e B implicam uma série surreal de transbordos que resultam numa perda inacreditável de tempo.
Quem não tem outra hipótese, conhece esta realidade, para além dos atrasos, greves e afins.
Hoje em dia, os preços dos transportes são também tão elevados que, este torna-se um bom argumento para não abdicar do conforto do próprio automóvel.


Embora sejam muito bons quando comparados com o que existe noutros países, ainda não se tornou possível desenvolver um modelo de transportes públicos suficientemente rápido, dinâmico, eficiente, confortável, de modo a ser visto como uma excelente alternativa ao carro para a maioria da população.




2 - A bicicleta


Nos últimos tempos houve um "boom" em relação ao interesse para com a bicicleta. Indo mais além da prática desportiva, há quem a use como meio de transporte, e nota-se o interesse de mais pessoas em querer usá-la para esse fim.


A bicicleta é o meio de transporte mais barato. Por 500 ou 600 euros adquire-se um modelo bastante decente. Quantia que significa apenas alguns meses de passe dos transportes públicos.


É também o mais saudável, e não polui.


Se não aumenta já de forma exponencial o uso da bicicleta para este fim é porque as empresas não possuem condições para tal.






A melhor empresa do mundo teria um estacionamento para bicicletas.


Onde estariam abrigadas das condições climatéricas, e em segurança.






A melhor empresa do mundo teria balneários completos.


Estes estariam equipados com zona de cacifos, duches, e sanitários.






3 - Mas decerto que nem todas pessoas pensam locomover-se em bicicleta. E as outras?




A melhor empresa do mundo possui um serviço de transporte colectivo para os seus funcionários.


Um autocarro de dois andares transporta simultaneamente cerca de 90 pessoas. Isso significa menos 90 viaturas na estrada, ou tornar disponíveis, para outros utentes e em determinado momento, 90 lugares nos transportes públicos.


Um autocarro de dois andares tem a mesma pegada ecológica que um autocarro de um só piso, que transporta  cerca de 40 pessoas. Portanto é uma solução amiga do ambiente.


Significa uma solução económica, porque mesmo que cada trabalhador pagasse somente 50 euros pelo passe combinado dos transportes públicos, (que os há bem mais caros), uma empresa não gastaria 4500 euros por mês neste serviço.
Isto fazendo a conta a 50 euros por apenas 90 trabalhadores. Quanto mais pessoas a utilizarem o mesmo autocarro, maior a poupança.


Significa igualmente menos stress na vida dos funcionários. Como não vão a conduzir podem aproveitar a viagem para relaxar, ouvir música, ler, dormir.
Para os que teriam que andar de transportes, significa o fim das esperas ao sol, chuva e frio, dos atrasos, do perder os transbordos por um par de minutos.






4 - Como gerir os custos destes benefícios?




Reduzir custos é fundamental.


O primeiro passo, em relação aos autocarros do serviço de transporte colectivo de funcionários, é diagnosticar se é mais vantajoso para a empresa a aquisição dos mesmos, ou o aluguer.


Depois, a melhor estratégia para reduzir custos é rentabilizar esses benefícios.


Como?


Vendendo esses benefícios como serviço a outras empresas próximas geograficamente.
No caso do autocarro, significaria colocar à disposição das mesmas, o serviço de transporte colectivo dos seus trabalhadores, mediante pagamento. Praticando um preço per capita competitivo, mas que ainda assim, ajudaria a diminuir os custos com os benefícios que apresentamos aos nossos funcionários. Quem sabe até mitigá-los por completo, e gerar lucro.








Imaginem se todas empresas aderissem a este sistema. Autocarro a autocarro, viagem a viagem, estariamos a retirar centenas, milhares de veículos automóveis das estradas.


Que acham? Gostam da ideia? Gostariam de a ver implementada na vossa empresa?