quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A minha maior regra de vida é...



... nunca, mas nunca duvidar do meu instinto.

Aprendi, a meu próprio custo, que duvidar deste ou ignorá-lo só resulta em asneira.


Hoje, na volta da hora de almoço com o Kiko, passou por nós um indivíduo que me deixou qualquer coisa cá dentro a remoer.

Embora não tivesse um aspecto muito cuidado, não foi isso que agitou as minhas borboletinhas. Aliás, quem sou eu para julgar pela aparência se saio à rua para passear o cão nuns preparos em estilo indigente chic, com uns toques de hipster e lumberjane?!

Também não foi da barba crescida e por aparar.

Mas havia qualquer coisa ali...

Quando regressávamos pelo mesmo caminho, o que passa em frente da casa da D. M., uma das minhas octogenárias favoritas de todos os tempos, vi-o sair do pátio da senhora.

Voltei a olhá-lo nos olhos, que é assim que olho para as pessoas, e voltei a dar-lhe os bons dias. Desta vez respondeu, com uma voz meio sumida.
Prosseguiu caminho e eu fiquei à frente do portão da casa a tentar perceber qual a pecinha ali que não se enquadrava bem. Qual o pormenor que tinha mexido com o meu instinto?

Aí, fez-se luz. Tinha sido o capuz. Da primeira vez que nos cruzámos, em que o olhei nos olhos e o cumprimentei, como faço com toda a gente, ele não me respondeu, colocou o capuz e baixou os olhos.

Vim pôr o Kiko em casa e saí directamente até à casa da D. M.

Quando me abriu a porta, contei-lhe o sucedido, disse que só queria ver se estava tudo bem, que preferia correr o risco de julgar alguém erradamente pela aparência do que ignorar o meu instinto.

Ela agradeceu-me a preocupação e o gesto. Realmente tratava-se de um rapaz da localidade, toxicodependente, com um historial um bocadinho complicado, que volta e meia tem por hábito lá passar para pedir para o vício, embora já tenha sido avisado por familiares da D. M. que não o deveria fazer.