segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

cromices #116: As galinhas, senhores, as galinhas!



O meu avô João, embora já não trate dessas coisas, sempre teve um enorme dom para a flora. O meu avô Francisco tinha igual dom, mas para a fauna.

Se, em grande parte, a explicação para o que somos estiver na genética, talvez o meu amor pelas coisas verdes e os animais seja uma herança. Talvez por isso dê por mim a fantasiar, com mais frequência do que deveria, numa vida com prados, jardins e bichos.

A casa da minha ama tinha um grande quintal. Nele existiam oliveiras que davam para trepar, um pomar com árvores de citrinos onde também cresciam azedas, horta, um cão, e um enorme galinheiro.
Numa época em que a televisão não era grande entretém, nem existiam consolas nem nada que se parecesse, quando não tinha a companhia de algum miúdo da vizinhança com quem fazer tortas de lama ou andar de trotinete, passava o tempo em frente ao galinheiro, a cantar e a dançar para as galinhas.

Delirava quando conseguia prender-lhes a atenção e se punham a olhar para mim, naquele menear de cabeça típico.

A minha avó Maria contava como, todos os dias, à mesma hora, o seu bando de galinhas saía do quintal e subia a rua para esperarem o meu avô e acompanhá-lo até casa.
Essa história alimentou em mim a crença que as galinhas não são estúpidas como a maioria das pessoas acredita.

Gosto imenso de galinhas e mal posso esperar para um dia viver num espaço onde finalmente as possa ter como animais de estimação.

A minha escolha irá recair nas raças autóctones portuguesas como a Pedrês, a Preta Lusitânica ou a Amarela do Minho. É necessário sensibilizar os criadores para as raças portuguesas, em especial quando a Pedrês está em risco de extinção, falando-se da existência de apenas 2000 fêmeas de raça pura.

Adoraria criá-las desde o primeiro momento de vida, treiná-las como se faz com os cães, dar-lhes a capoeira mais luxuosa e confortável de sempre, baptizá-las com nomes como Mari Carmen, Esmeralda, Ephigénia, Eugénia...