terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Do registo onírico #1


Porque talvez seja um exercício interessante registar a memória que trago dos sonhos.

Esta noite foi assim:


Estou sentada em almofadões bordados num azul egípcio, numa divisão que estaria totalmente em penumbra, não fossem os raios de sol que chegam do exterior. Não há portas nem janelas. Apenas colunas e arcos num edifício todo feito de arenito.
Fumo de incenso sobe lentamente pelo ar. A atenção prende-se no jogo de luz e sombra desenhado pelos sol que bate nas colunas.
Muito lentamente levanto-me e caminho, pé ante pé, descalça, até ao grande pátio. É um pátio interior, enorme, totalmente ladeado de colunas. Monocromático. Deserto.
Cada passo dado é quase teatral pela sua morosidade. Sabe bem sentir o chão de pedra morna na planta dos pés.
Sente-se uma leve brisa. Os véus brancos do vestido oscilam gentilmente e destapam os tornozelos. Um cheiro adocicado a calor, temperado com um toque de maresia.
Os braços desnudos. Pulseira douradas, como as dos legionários romanos, cobrem metade do antebraço. Os braços caídos, levemente afastados do corpo. As palmas das mãos abertas, olhos fechados e rosto levantado para o sol. Inspirações longas e ar expirado em suspiros de satisfação. Felicidade. Apenas a passagem de uma ave de rapina quebra o silêncio.