quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Vida de cão #48: Dar comprimidos.



Uma das inegáveis e mais distintas diferenças entre ter cães e gatos, pelo menos no que toca à minha experiência, refere-se ao momento em que lhes temos que dar algum medicamento.

Com os gatos era um absoluto inferno. De cada vez que os levava, por um qualquer motivo, a uma consulta, rezava cá para os meus botões para que qualquer coisa que eles tivessem que tomar fosse dado mesmo ali, no consultório, e de preferência pelas mãos da veterinária.
Levar qualquer tipo de medicamento para dar em casa ia ser o cabo dos trabalhos, uma aventura que só visto.

O Zeus então era do pior. Aquele sacaninha nem para tomar a pasta de malte para bolas de pêlo, que a maioria adora, dava tréguas. Tinha que colocar uma bolinha desta em cima das patas para que ele sentisse a necessidade de se limpar e a acabasse por ingerir assim.

Mas isso não era nada. Inferno, inferno, mesmo a valer, foi quando lhe foi diagnosticada a trampa da insuficiência renal. Há pouca coisa mais horrível nesta vida que ter um animal doente, em natural sofrimento, que não entende que tem que tomar os medicamentos para se sentir melhor, e ter que prender aquele ser na sua altura mais frágil entre as pernas e segurá-lo pelo cachaço para lhe forçar a medicação goela abaixo, e este num estado totalmente feral e assanhado.

Em comparação, o Kiko é um paz de alma para tomar seja o que for, desde picas a comprimidos.
Por exemplo, para lhe dar o comprimido da desparasitação interna, basta ir com ele à clínica, comprar a coisa, e dar-lha ali mesmo que ele engole em menos de nada e ainda abana a cauda de contente.

Nestes dias ele anda a tomar uma cápsula e parte de um comprimido por dia. O truque, ao contrário do que me contam sobre outros cães, é não o tentar enganar. Ele é demasiado esperto, topa as coisas e fica sentido e desconfiado quando o tentam enganar. Foi algo que aprendemos.
Basta pegar num pedaço de queijo. Mostramos o comprimido numa mão e o queijo noutra. Mostramos que estamos a enrolar o pedacinho de queijo à volta do comprimido e ele engole-o sem qualquer alarido nem dificuldade.