quinta-feira, 12 de novembro de 2015
sabedoria dos intas em 10 segundos #38
Sempre achei que, aquela situação de alguém colocar em cima da mesa as opções A e B para que façamos a escolha entre uma e outra é limitativo, no seu melhor, e uma armadilha, no seu pior.
Considero-o uma chantagem intelectual e conforme me dita o senhor meu pensamento posso até responder "nenhuma" ou "ambas".
A questão ou problema pode ser único, mas haverá sempre, sempre, sempre, múltiplas soluções, abordagens. Pelo menos, de A a Z e só porque não nos lembrámos de estender o alfabeto. Ainda.
Isto não tem que causar pânico algum, é um dado: enquanto houver uma caixa, haverá sempre "o fora da caixa".
Limitar as opções a A e B, ou até C, é travar a imaginação, o intelecto, o pensamento. E com estes tudo pára, nada avança.
Como temos a mania de passar pela vida em modo automático (e autómato), apercebi-me, com todo o meu foco, desta minha forma de pensar no início desta trampa de crise. O assunto ainda era suficientemente fresco e não totalmente assimilado e digerido, de forma que em qualquer ponto, hora e local se discutia a actualidade.
Mais tarde ou mais cedo surgiria o que para mim, liberdade de opinião à parte, são uma espécie de peidos vocais, entoando a cantiga de que "antigamente é que era bom", "que este governo é tão mau que o Salazar deixa saudades", e afins, já deu para perceber...
Quando nem me lembro quem se vira para mim, mando A e B às urtigas. Um mal presente não beatifica os males do passado. A cordialidade social que faz que um filho da puta passe a santo quando morre só se aplica às gentes, não à história, nem às sociedades. Regressar aos erros não gera sucessos. Há que imaginar novos paradigmas. Pensar a realidade C, e depois D, e se for necessário até ao Z 2.0.
Portanto, vão por mim, os horizontes do mundo não cabem numa binomial. Ana dixit.
Vida de cão #35: Dizem que as mulheres são intrometidas e desbocadas...
... e eu não sou excepção.
Quer dizer, muitas vezes fujo a esta "regra", que está longe de ser exclusiva ao sexo feminino. Quantos de nós já meneámos a cabeça com um sorrisinho amarelo, sem emitir qualquer som, simplesmente porque depois de ouvir uma qualquer alarvidade, preferimos deixar a coisa morrer na praia a dar-lhe corda? Talvez tantas ou mais vezes em que fomos nós a lançar baboseiras para o ar e, disto ninguém se livra. Faz parte.
Contudo há ocasiões em que ficar calada, mesmo quando não nos diz respeito, não é opção.
Há dias cruzei-me com Pessoa X num dos meus passeios com o Kiko aqui pelo burgo. Estava com cara de quem não estava nos seus melhores dias, o que deu inicio à conversa.
Na véspera, tinha levado para sua casa o cão da Pessoa Y e não me parecia muito convicta.
Começou-me por dizer que Y tinha há tempos arranjado uma cadela, de porte bem menor, e que temia que o cão a engravidasse, o que seria muito perigoso para a saúde da bicha pela diferença de tamanho. E, que por isso, muito impulsivamente, aceitou ficar com cão. Decisão que andava a remoer naquele momento.
Franzi o sobrolho e sem que me pudesse controlar sai-me um "Ouve lá, isso é uma estupidez, mas porque é que Y não leva a cadela ao veterinário para ser esterilizada?"
Esbugalhei os olhos quando de troco levo um "Ah pois é, isso tinha resolvido a situação", e volto a fechar a expressão quando, logo a seguir levo com "Ah e tal... diz que não quer gastar mais dinheiro... blá blá... a cadela... blá blá... fazer criação."
Nesse momento, juro que não foi por mal, mas passou-me uma coisinha à frente da vista e antes que conseguisse fechar a boca já tinha arremessado algo como "Conseguiu dar-te a volta e passar-te a batata quente! Se mudaste de ideias, o melhor que tens a fazer é devolveres o cão ou encontrares alguém que realmente o queira."
Em menos de nada estavam lançados todos os torpedos. Gastei todas as munições na enunciação de todos os trabalhos, responsabilidades e despesas que envolvem cuidar de um cão, que vão desde apanhar cocó e catar pulgas, a ter todas as vacinas em dia, assim como a enumeração das alegrias, que é possível um cão ser feliz e dar-se bem num apartamento, mas se era para o ter na varanda que não tivesse, arranjasse antes um peluche.
Quis o destino, que no dia seguinte me cruzasse com Y que me contou que X tinha ficado com o cão e que os filhos deveriam estar em êxtase com o bichinho.
E eu, (que maldição pá!), podia ter ficado calada, não o fiz. Disse-lhe que já tinha ouvido a novidade através de X, que poderia ser do período de adaptação mas que não me parecia assim tão satisfeita com a decisão. Perguntei-lhe porque não tinha esterilizado os animais. Pelo menos a ele, que até poderia ficar mais calmo e tudo.
Assegurou-me que tinha deixado X à vontade para lhe devolver o bicho caso mudasse de ideias. Que se isso acontecesse o iria castrar. Sorri, despedi-me e prossegui o meu passeio na direcção oposta.
Fui-me a vergastar mentalmente por ser intrometida e desbocada, mas na verdade, e digo-o agora depois de olhar nos olhos do Kiko que me observa, dengoso, deitado no sofá, quando é por eles é perdoável e valerá sempre a pena.
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Vida de cão #34: Trabalho de equipa é...
... usar as nossas qualidades para colmatar os defeitos do outro, num regime de solidariedade, parceria e reciprocidade.
Saber disso é reconhecer, dar valor. É sentir gratidão e uma vontade de retribuir.
E eu que continuo incapaz de deixar o Kiko socializar com outros cães quando saímos só os dois, ou de lhe tirar a trela, mesmo que a minha vida dependesse disso, de tão nervosa que fico, sou imensamente grata ao meu marido por providenciar ao petiz tudo aquilo que eu não sou capaz. E por isso nada lhe falta, nem o êxtase das sessões de brincadeira e correria com outros cães, que é tão importante também pelo prazer que lhe dá.
Quando regressam, descontraio e ouço com satisfação o relato das diabruras, quem conheceram, com quem brincou. Rimo-nos os três. Digo os três, porque o cão olha para nós com um daqueles sorrisos caninos bem abertos que não se desmancha e lhe dá um ar ainda mais tonto. Tonto de felicidade.
Se confesso, meio cabisbaixa, que não sou capaz de fazer o que ele faz, que gostaria mas não sou, a única coisa que me aponta é aquilo que faço bem.
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Edição Natal: Sugestões de prendas até 5€
Ainda estamos em Novembro mas o Natal já é tema, seja através da decoração de alguns espaços, seja dos sazonais almoços e jantares de Natal entre amigos e colegas, onde o "Amigo Secreto" continua a ser tradição.
Porque um dos grandes desafios do "Amigo Secreto" é encontrar uma prenda engraçada e útil com o mínimo dinheiro, deixo umas sugestões que não passam dos 5€. O desafio que me impus foi encontrar uma mão cheia de boas opções por preços ainda mais baixos que 5€. Vamos lá ver como me saí:
1 - Da Vassourinha Rústica, escolho este suporte curvo de garrafa, em pinho natural, por apenas 1,75€.
Para o automóvel existem 10 fragâncias distintas. Já experimentámos o de maçã e o de frutos vermelhos e estamos fãs. Os sachets perfumados para armários apresentam-se em 11 fragâncias.
4 - Da Kasa, marca própria de têxtil-lar do Continente, elejo uma manta, super macia, que custa exactamente 5€.
5 - A última sugestão vem da Ikea, e é um dos muitos peluches que lá se encontram à espera de dono e, que são possíveis de trazer por menos de 5€. Por exemplo, o Vandrig Uggla, o mocho simpático que escolhi como imagem custa 4,99€.
O grande motivo por trás desta sugestão é que de 1 de Novembro a 27 de Dezembro, por cada peluche vendido, a Ikea Foundation doará 1€ para financiar projectos educativos em todo o mundo.
100 motivos para não ter filhos #1: A introdução ou o grande motivo para se ter filhos
Decerto já estão carecas de saber que não temos filhos, e que se trata, não de uma imposição, mas de uma opção.
Talvez um dia mudemos de ideias. Talvez não. É bom sentir a liberdade das opções em aberto.
Antes que fiquem totalmente horrorizados com o título desta nova rubrica deixem-me contar-vos o seguinte: um dia passeava-me numa livraria quando, me deparei com um livro que aos meus olhos me pareceu totalmente inovador e excêntrico quando comparado ao que esperamos encontrar relacionado com a temática "filhos". Prometia o título exactamente isto: a enumeração de n motivos para não se ter filhos.
A autora, (não me recordo do nome), confessava que após anos a sentir que tinha que justificar a sua opção perante os muitos que se indagavam sobre esta, decidiu meter mãos à obra e esmiuçar o tema.
Quer se concorde ou se discorde da opção em si, assim como dos argumentos que a sustentam, acho que a exposição desses mesmos argumentos são uma grande mais valia. A existência de pessoas que não se identificam com o papel de progenitores causa verdadeira estranheza a muitos dos que optaram pela outra via. Dessa estranheza resultam sempre algumas elações mal fundamentadas e longe da verdade, como a ideia que as pessoas que optam por uma vida sem filhos simplesmente não gostam de crianças, o que poderá aplicar-se a algumas, mas certamente não a todas.
Igualmente não podemos depreender que todos aqueles que são Pais gostam de crianças. Alguns gostam, outros não. Assim como nem todos os que são Pais têm vocação para a coisa. Lá está, não existe universalidade em todas as premissas.
Agora que olho para o título o número 100 enche-me os olhos e parece-me uma tremenda empreitada. A escolha foi ditada de forma aleatória e pelo meu gosto por números redondos. Logo se vê no que isto vai dar.
Quanto aos motivos para se ter filhos, para mim há um único que é de valor e o único que seria o nosso guia, caso mudássemos de via: o Amor.
Poderão vocês pensar: "Dah, mas existe outro?!" - e eu responder-vos-ia que certamente o mundo é hoje mais permissivo para com o Amor, mas que ao longo da História da Humanidade, (incluindo o tempo presente), somam-se mais crianças que foram geradas com outros motivos e para com outro fim do que pelo mais nobre dos motivos.
Ao longo dos tempos gerar filhos sempre foi uma das formas predilectas para se obter mão-de-obra barata, quer fosse para a Agricultura da Idade Média ou para as fábricas da Revolução Industrial, etc.
Durante o Império Romano, as famílias com três ou mais filhos tinham benefícios fiscais. Três filhos significaria um número suficiente para responder à elevada taxa de mortalidade, garantir a continuação da linhagem da família e engrossar o exército de Roma.
Até a China, no presente, revê a política do filho único simplesmente porque precisa de mão-de-obra.
Já houve quem, indagando sobre a nossa opção, se saísse com "quem cuidará de vós quando forem velhos?". As imensas histórias sobre idosos ao abandono só ilustram que ter filhos não assegura a presença destes enquanto cuidadores. No entanto, o medo da velhice e de certa forma o egoísmo de se querer garantir que, por obrigação filial, haverá um providenciador/ cuidador foi por incontáveis gerações, (e ainda é), um grande motivo para gerar descendência.
Ainda ontem vi o filme "Como água para chocolate" e lá estava um excelente exemplo disto mesmo: a mãe que não permitia que a filha mais nova casasse porque o seu papel seria cuidar dela na velhice.
Ainda há quem seja gerado por uma sede de poder, como se passa no caso das famílias reais. Porque se imiscuiu na mente de muitos, e por demasiado tempo que, existem linhagens especiais que, por tal, devem ocupar um lugar cimeiro de supremacia em relação aos outros, e que esse hábito terá continuidade havendo descendência.
Há muitos, mas muitos mais, exemplos. Mas acho que já consegui ilustrar suficientemente bem a minha perspectiva, na qual defendo o Amor como o único motivo nobre para se gerar filhos, e que ao longo da nossa existência enquanto espécie muitos têm sido gerados por motivos que considero mui pouco ou nada nobres.
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segunda-feira, 9 de novembro de 2015
cromices #92: A pequena acumuladora
O meu marido partilha uma característica com a minha mãe que, volta e meia, causa faísca com a minha personalidade. Embora nenhum de nós os dois chegue aos calcanhares da minha mãe no que toca a limpeza e organização, de vez em quando dá-lhe na cabeça fazer uma espécie de purga cá por casa que resulta em sacos e mais sacos de coisas que vão fora.
Mora em mim o gérmen recalcado de uma pequena acumuladora. "Ainda está em bom estado" e "Pode dar jeito" são dois dos argumentos que me saem amiúde boca fora nos dias de Grande Purga, normalmente sem grandes resultados.
A minha mãe dava em doida comigo porque colecionava resmas de papéis e revistas, especialmente científicas, que se iam amontando numa pilha num canto do meu quarto, já que as estantes estavam totalmente prenhes de livros. Aquilo mexia-nos com os nervos: a ela causava-lhe uma espécie de urticária entrar no meu quarto e não poder satisfazer o ímpeto de levar aquilo tudo para o contentor do lixo. E a mim porque bem lhe notava aquele desejo no olhar, e temia um dia entrar nos meus domínios e dar conta que o Furacão Mãe tinha feito das suas, mesmo depois de termos acordado que um pouco de caos me seria permitido, desde que não fosse além daquele monte.
Até que um dia deixou de haver razão para a tal pilha existir. Já havia internet, fácil, acessível, e com ela findou a necessidade de guardar informação no formato daquela resma que tanto desagrado causava.
Já por aqui comecei a colecionar revistas, especialmente edições da National Geographic e de decoração. Mal notei os primeiros sinais de humidade foi tudo para a reciclagem. Deixei de colecionar revistas e até de comprá-las. Exaspera-me a curta validade de muitas das coisas que consumimos, a ideia de gastar tantos recursos para algo ser descartável, acabar rapidamente como lixo, das quais as publicações são um bom exemplo. Sou adepta das edições online.
A pequena acumuladora em mim nunca se tornará uma grande acumuladora, acima de tudo porque mais coisas implicam mais trabalho, e afinal de quanta tralha precisamos na nossa vida?!
E se já viram um ou outro episódio de "Hoarders", aquilo é tipo filme de terror que nos faz pensar duas vezes antes de guardar seja aquilo que for.
Não são muitas as coisas que guardo por valor sentimental, nem sou pessoa de ter ataques de consumismo, bem pelo contrário. O que a mim me custa é a noção de desperdício que associo ao acto de nos desfazermos de coisas em bom estado, que ainda carregam o potencial da utilidade. Vale o facto de muitas dessas coisas encontrarem nova vida na mão de outros.
Já não respingo tanto nos dias de Grande Purga. Consegui o hábito de deixar o marido só com o seu discernimento. Mas mantenho o direito de barafustar alto e a bom som, com todas as asneiras que me der gana, nos momentos em que afinal, "aquilo" agora até dava jeito.
sábado, 7 de novembro de 2015
coisas de opinar: O mundo louco dos pequenos imperadores
Na década de 70, foi implementada na China a que ficou conhecida como a Política do Filho Único.
Mesmo com esta medida que, julga-se ter ajudado a prevenir cerca de 400 milhões de nascimentos, a China continua a liderar a tabela dos países com maior densidade populacional, com cerca de 1,3 mil milhões de habitantes, seguida da Índia com um valor bastante aproximado.
Para terem ideia de quão enormes são estes valores, o terceiro lugar é ocupado pelos Estados Unidos com "apenas" 300 milhões de habitantes.
Eu concordo com esta medida. Pode parecer cruel e uma afronta à liberdade pessoal haver alguém que estipula por nós o número de filhos. Neste caso não fazê-lo seria bem pior. A grande preocupação dos dirigentes chineses seria que, sem controlo de natalidade, a China caminharia a passos largos para uma realidade de pobreza generalizada e irreversível, sem a possibilidade de construir um sistema de saúde, educativo, emprego, etc, que incluísse todos os cidadãos, o que significaria mais tarde ou mais cedo, um panorama de caos social e falência.
O envelhecimento da população é uma consequência natural e esperada, pelo menos durante algumas gerações até ao padrão de densidade populacional normalizar.
O grande revés desta Política, e que até serviu para fundamentar um estudo conduzido pela Academia Chinesa de Ciências Sociais, é o enorme desequilíbrio entre sexos. Conta-se que o homens excedam as mulheres em cerca de 24 milhões.
Esta não é uma consequência directa da tal Política do Filho Único, mas da tradição medíocre que persevera em alguns países onde se prefere descendência do sexo masculino. Há muitos anos, através da televisão, entravam-nos pela casa adentro imagens dos horríveis dos chamados Quartos da Morte, onde bébés, maioritariamente do sexo feminino eram deixados para morrer, para além dos incontáveis abortos selectivos. Esta prática tornou-se de tal forma um problema que o próprio Estado proibiu a realização de ecografias que revelassem o sexo do bébé.
Pois hoje, graças a estas atrocidades cometidas pelos próprios progenitores, existem os tais 24 milhões de "pequenos imperadores" - alcunha dada aos filhos únicos - sem imperatrizes.
Avança o citado estudo que se trata de um grave problema demográfico, com consequências temíveis, desde o rapto e tráfico de mulheres, e até prostituição forçada, nas regiões onde o rácio entre sexos é mais desequilibrado. Um cientista chinês aconselha o Estado Chinês a liberalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a prática da poligamia.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
coisas de opinar: Dois novos "hábitos" que me fazem torcer o nariz.
Aproveitando a embalagem do post anterior, vou continuar a falar um pouco mais de compras, de espaços comerciais e de algumas características que não me agradam muito. Especificamente trago-vos duas inovações que me fazem franzir o sobrolho.
Talvez eu seja uma velha do restelo, mas não simpatizo nada com os novos Tpa's , (Terminais de Pagamento Automático), que vão aparecendo em algumas lojas. Estas possuem a tecnologia Contacteless e permitem efectuar pagamentos até ao valor de 20€ passando simplesmente com cartão junto do visor. Esta ideia surgiu com o intuito de diminuir o tempo gasto com pagamentos, mas este pró, na minha opinião, não é suficientemente bom para suplantar os contras.
Os contras são pelo menos dois. O primeiro relaciona-se com segurança: se não é preciso digitar código, então se perdermos ou nos for roubado o cartão quem andar com ele poderá facilmente usá-lo, mesmo com a limitação de ser a 20€ de cada vez. Pelo menos até o Banco ser avisado do extravio, o que se acontecer durante um fim de semana dá tempo mais que suficiente para haver danos consideráveis.
O segundo contra tem a ver com a gestão de conta: como o pagamento dessa forma é tão rápido e imediato, não há tempo para o sistema confirmar que existem fundos na conta associada. O sistema vai sempre aceitar o pagamento, e se a pessoa for distraída pode acabar com saldo negativo.
O segundo "hábito" é algo de que já tinha ouvido falar, mas que até este fim de semana nunca se tinha passado comigo. Lembro-me que, há anos atrás, quando me dirigia a uma loja e não havia determinado item, o funcionário consultava no sistema o stock de outras lojas e, dependendo do resultado, perguntava se o cliente preferia deslocar-se a determinada loja, ou se lhe daria mais jeito mandar vir o produto para a presente loja, sem custos associados.
Hoje em dia o protocolo é bem diferente e não me agrada. Como se já não bastasse, de cada vez que se compra algo, termos que levar, de forma mais ou menos insistente, com uma tentativa de venda de extensões de garantia do produto, quando não existe o item que se pretende no espaço onde estamos, o funcionário realmente vai consultar o stock de outras lojas, mas já não é para cordialmente nos apresentar as opções acima referidas. Agora, depois de nos informar que o produto X existe na loja B, tentam-nos convencer a pagar o produto ainda na loja A, para depois ser o cliente a ter que se deslocar até à loja B, tudo porque as empresas têm como objectivo assegurar a facturação o quanto antes.
Já ouvi histórias sobre este não ser um sistema à prova de erro, bem pelo contrário. Acho que é como diz o velho ditado: "Quem paga adiantado..."
Para mim, estas são alterações que não me agradam, e às quais não conto aderir.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
coisas de opinar: As promoções e, as promoções...
Por todo o lado, durante todo o ano, em tudo o que é comércio, abundam as promoções, de todos os valores, formas e feitios. De tal forma que nos é habitual, numa base quase diária, trazer um produto que tenha sido bafejado pelo espírito dos descontos e ofertas.
Nestes últimos dias cruzámo-nos com duas promoções, bem distintas entre si, que por terem sido experiências duais, servem para dizer que relativamente a este tema, nem tudo o que reluz é ouro, mas que mesmo assim compensa continuar a garimpar.
A primeira, e a que recebe o título indubitável de experiência positiva, foi o desconto que houve nas lojas Rádio Popular: 20% de desconto directo em todos os produtos da marca HP, que é o melhor tipo de descontos que há pois dispensam aquelas tretas com os cartões da loja, talões e afins, e a obrigatoriedade associada de voltar para uma nova compra.
E nós que falávamos em trocar o meu pc velhinho por um portátil há que tempos, aproveitámos com grande satisfação a oportunidade de o fazer com tão significativo desconto.
A segunda, que serve para representar o outro lado da moeda, ocorreu hoje numa normal e rotineira ida às compras. Não é o nosso híper habitual, mas aconteceu aproveitarmos estar na proximidade de um Pingo Doce para irmos fazer umas compras. Perto da secção da peixaria, um cartaz chamava a atenção para um expositor "leve 3 produtos da marca X e receba uma geleira", com imagem dos mesmos e da oferta. Os produtos eram cuvetes onde se apresentavam lombos de bacalhau e salmão previamente temperados segundo diversas receitas. O produto parecia interessante, mas faltava informação sobre o preço. Bastou perguntar, e uma solícita funcionária resolveu a coisa. Decidimos levar três, e a segunda funcionária que questionámos sobre a geleira de oferta estava a leste. Agarrámos na coisa e fomos para a caixa: "Ah é promoção e tal, mas mesmo assim tenho que passar no sistema e depois é subtraído e coiso e tal".
Um hábito que adquirimos há um bom tempo e que havemos de manter porque nos serve bem é o de conferir o talão de compra, linha por linha, antes de sair da loja. Neste caso valeu a pena, porque o valor da geleira de oferta havia sido efectivamente cobrado, nunca subtraído do total.
Resolveu-se mas não sem antes ter dado por mim a pensar no desperdício de tempo que me estava a causar aquele item pouco interessante, que nunca traria se não estivesse publicitado como oferta.
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
caixa de ressonância
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Gostaria de tomar um café com... #4
A Família Stewart.
Ele, Jon Stewart, tornou-se pelos seus 16 anos à frente do Daily Show, um ícone americano reconhecido e respeitado globalmente que dispensa apresentações.
Ela, Tracey Stewart, a sua companheira, é autora, defensora dos animais, e como tal, diria eu que é também a grande influência na tomada de decisão em relação ao novo projecto de vida do casal, a construção de um santuário animal para animais de quinta, em New Jersey.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Falar de Saúde #2: A acne e a rosácea (conclusão)
Uma das consequências de ter passado toda a adolescência nessa rotina de consultas e cuidados dermatológicos é a apreensão de alguns hábitos, conselhos dos médicos especialistas que ficaram incutidos.
Um deles é preferir sempre, no contacto directo com a pele, roupa de algodão. Os tecidos sintéticos não fazem bem. Hidratar sempre a pele, mesmo que esta seja oleosa é fundamental. Ser gentil com a lavagem e secagem do corpo. O uso de força vai irritar a pele e aumentar a actividade das glândulas sebáceas. Evitar lavar a pele mais que duas vezes por dia pelos mesmos motivos e usar produtos pouco ou nada abrasivos para esse fim. Beber muita água. Usar rabo de cavalo para evitar o contacto constante dos cabelos com o rosto. Evitar o stress. Evitar exposições solares prolongadas e em horas de maior intensidade. Usar sempre protector solar.
Outro conselho que se tornou hábito é o facto de não usar maquilhagem. Lembro-me da dra. Marília me dizer que, quando e se começasse a usar maquilhagem, fosse bastante selecta na escolha dos produtos, que estes deveriam ser da melhor qualidade para causar o mínimo dano à pele.
A questão é que o uso de cosméticos mesmo os considerados de boa qualidade, especialmente numa pele como a minha, implica uma possível regressão no seu estado. Como é que algo a que nunca estive disposta, quando me apetece, prefiro jogar pelo seguro e ficar-me por um pouco de côr nos lábios e pálpebras.
O fim da adolescência marcou também o encerramento de toda esta rotina relacionada com consultas médicas, análises ao sangue, toma de antibióticos...
Estava bastante satisfeita com o resultado atingido. A situação estava controlada e a minha pele limpa, razoável, livre de inflamações, cistos e todas essas coisas. Fiquei com algumas cicatrizes, especialmente no tronco, mas nada que me incomode. A textura da minha pele nunca há-de ser perfeita, mas comparando o antes e o depois, existe um triunfo inegável.
Não precisei de voltar a entrar num consultório por questões dermatológicas até aos meus vinte e muitos anos.
Quando voltei foi porque notei o regresso de alguma inflamação e outros sintomas que lembravam o acne, como o reaparecimento de pequenos cistos. Também tinha episódios em que a minha pele parecia arder ou picar, mas convenci-me que tal era um efeito secundário da toma do Roacutan. Desde a toma deste que a minha pele ficou muito mais sensível e frágil e reagia à mais pequena coisa. Pensei que bastaria fazer um qualquer tratamento durante um par de meses, uma coisa rotineira, para tudo voltar ao normal.
Lembro-me que a paciente que saiu do consultório antes de mim era uma senhora idosa, já com mais de 80 anos. Lembro-me deste pormenor porque depois de relatar o meu caso à dra. Cristina, esta disse-me que eu tinha exactamente o mesmo problema que a senhora que havia acabado de sair, que não tinha cura, que era para toda a vida e que me iria receitar o mesmo tratamento. Tive uma espécie de sensação extracorpórea, custou-me a entender o que a médica me dizia à primeira, acho que ainda a corrigi: que não, que tinha tido acne e que só precisava de alguma "manutenção".
Ela manteve-se firme no seu diagnóstico: rosácea.
A rosácea não é acne, embora tenha, por vezes, sintomas similares. É uma doença dermatológica distinta, crónica, que tende a agravar com a idade. Tal como acontece com a acne, desconhecem-se ainda as suas causas, se o seu aparecimento se deve a uma questão genética, hormonal, ou qualquer outra. Logo, é impossível de prevenir e pode atingir qualquer pessoa. Até ao momento também não é conhecida nenhuma cura. O tratamento desta baseia-se somente na atenuação dos sintomas e através de um estilo de vida o mais saudável possível, mas fazê-lo é tremendamente importante porque é uma doença que, nos casos mais extremos, pode levar ao desfiguramento (rosácea fimatosa), que obriga a uma intervenção cirúrgica, e à cegueira (rosácea ocular).
Nesse dia saí do consultório com advertências em relação à exposição solar e uma receita para um antibiótico.
Algum tempo depois registei uma reacção bastante adversa à toma deste: após a depilação com cera apareciam-me muitas borbulhas nas pernas. Não aquela reacção normal que passa poucas horas depois da depilação, mas todo um enxame que me causava uma incessante comichão, cujo desconforto só era atenuado durante alguns minutos com a aplicação de creme hidratante e que demoraram meses a desaparecer.
Tomei a decisão de parar com o antibiótico. Decidi arriscar por esta reacção e também porque ao lembrar-me da tal senhora idosa ocorria-me um pensamento quase gritado sobre não querer passar o resto da minha vida a ingerir químicos e mais químicos.
Mesmo assim foi preciso passar mais de um ano para que a pele não reagisse de forma tão adversa à depilação, e ainda hoje não voltou à boa forma inicial, pois aparecem-me sempre umas poucas.
Tenho aprendido bastante sobre a rosácea em vários sites, como este aqui. O desconhecimento sobre a doença faz com que a informação partilhada pelos pacientes seja de grande valor, através de testemunhos tentam encontrar um padrão sobre os factores que despoletam o agravamento da condição, e que tratamentos têm dado mais resultado.
Já existem algumas certezas e estas têm a ver com a abordagem holística ao problema, a importância de adquirir certos hábitos que formam um estilo de vida mais adequado como não usar cosméticos, ter uma alimentação o mais livre possível de alimentos processados, evitar o consumo de álcool, café e tabaco, ter extremo cuidado com a exposição solar, não abusar do exercício físico, evitar temperaturas muito baixas ou elevadas, e fazer o possível por se manter num registo feliz, satisfeito e livre de stress.
Embora fume e beba café faço por seguir todas as restantes indicações. Em termos de produtos tenho usado somente um detergente e um tónico de limpeza à base de chá verde e uma loção hidratante de aloé vera e acho que tem funcionado muito bem no meu caso. Nos dias em que a minha pele está mais calma é praticamente impossível adivinhar que tenho rosácea, o que é muito bom e espero que se mantenha assim.
Estou tentada a procurar um qualquer creme ou gel à base de rosa mosqueta pelas suas propriedades cicatrizantes, regenerativas e hidratantes. Especialmente agora para a chegada do Inverno em que a pele se ressente do frio.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Falar de Saúde #1: A acne e a rosácea (parte 1)
Poderia vir aqui falar de qualquer coisa mas, hoje apetece-me iniciar uma nova categoria dedicada à saúde. Porque ao contrário do que o ditado diz, a ignorância raramente é uma benção, especialmente no que toca ao bem estar.
Pareceu-me ter mais valor iniciar esta nova categoria com dois males que conheço extremamente bem: a acne e a rosácea. Proliferam na internet informações sobre ambos os padecimentos. A nível científico há pouco ou nada que eu possa acrescentar, mas posso partilhar um pouco da minha história pessoal enquanto pessoa que tem tido contacto, ao longo de anos, com estas doenças, o que poderá ter algum significado para outros pacientes.
Se a memória não me falha estaria ainda na minha primeira década de vida quando me apareceram os primeiros sintomas de acne. A área afectada não se limitava à face, mas estendia-se ao tronco, (costas e peito). Sem grandes grafismos, o grande incómodo residia sobretudo no facto em que acordar com a camisola do pijama suja era rotina. A vermelhidão, por vezes bastante acentuada, na zona T do rosto, também era um sintoma muito pouco simpático e talvez o que mais contribuiu para um mal estar psicológico.
Embora a acne atinja cerca de um décimo da população mundial, tornando-se a oitava doença dermatológica mais comum, não é muito habitual que esta dê sinais tão agressivos antes da puberdade.
A primeira consulta a que os meus pais me acompanharam foi junto de um médico de clínica geral. Creio que este também ficou bastante confuso por alguém de tão tenra idade demonstrar tais sintomas.
Saímos do consultório com uma receita - um cocktail de alguns remédios, para ver no que a coisa dava. Hei-de sempre lembrar-me desse primeiro tratamento, de tão bizarro que era: todas as noites, antes de me deitar, a minha mãe passava-me nas costas e peito uma pomada com uma consistência espessa e peganhenta, com um cheiro horrível e enjoativo a banana e depois polvilhava as mesmas áreas com uma qualquer espécie de pó de talco que havia sido receitado. Era um ritual que pela sua estranheza nos sacava caretas, mas se o médico diz...
Se já era desconfortável dormir com todas aquelas borbulhas chatas que faziam do meu torso um tabuleiro de minesweeper, imaginem-se numa versão croquete de banana!
O tratamento "croquete" não fez milagres e não tardou muito que nos dirigíssemos ao consultório de uma médica especialista que me acompanhou durante praticamente toda a minha adolescência.
Uma das coisas que me lembro da minha primeira consulta é a médica ter-me dito que "iria piorar antes de surgirem melhoras", desta vez graças aos medicamentos. Que era essencial seguir o tratamento à risca. Lembro-me de ter pensado como seria possível ficar pior. Sobretudo de ficar assustada com essa ideia: "o que é que ela quer dizer com pior?!"
O meu caso de acne não era dos piores de sempre, mas suficientemente grave para recorrer a um tratamento agressivo com base na isotretinoína, um derivado da vitamina A, mais conhecido no meio como Roacutan. Trata-se de um antibiótico tão, mas tão agressivo, que a gravidez durante e algum tempo após a toma é uma contraindicação absoluta e deverá ser terminada, pois existe a certeza de malformações graves no feto. A lista de possíveis reacções, contraindicações e advertências quanto ao Roacutan é extensa e assustadora, podendo afectar negativamente praticamente todos os sistemas do organismo, por vezes de forma permanente.
Hoje, ao ler a bula deste medicamento pela primeira vez em muitos anos, com outra maturidade e sapiência, considero altamente provável que haja uma correlação directa entre outras questões de saúde de que já padeci e/ou padeço e a toma do Roacutan, embora já tenha cessado esta há muitos anos.
Enquanto adolescente e jovem adulta era vulgar a inclinação para me sentir deprimida. Dar de caras com estudos que indicam haver uma relação causal entre a isotretinoína e a depressão é um abre-olhos!
Obviamente, os pacientes de acne, particularmente os casos graves não serão propriamente as pessoas mais alegres, sociáveis e com mais alto astral que por aí andam, visto ser uma condição que abala a autoestima, mas não pode ser descartada a responsabilidade de um medicamento que inibe a produção de serotonina e que mexe com o sistema nervoso - já se fala no papel dos retinoides no desenvolvimento de Alzheimer e esquizofrenia.
Igualmente no meu caso creio que a toma prolongada deste medicamento possa ter contribuído para o aparecimento ou agravamento de alguns padecimentos a nível de pele, gastrointestinal, músculos, articulações e até visão.
Se valeu ou não a pena é uma questão complicada de responder. Já vi o Roacutan ser chamado de "veneno milagroso". É terrível, mas na verdade acaba por funcionar. E embora não tenha uma pele perfeita, as suas imperfeições neste momento são uma fracção do que tive nos piores momentos da minha condição.
Quando se inicia um tratamento "à séria", coordenado por um médico dermatologista, gasta-se uma pequena fortuna em consultas e em remédios vários que se compram em catadupa. A minha rotina mensal/ bimensal consistia em análises ao sangue, seguidas de mais uma consulta médica, e uma nova remessa trazida da farmácia. O armário dos medicamentos enchia-se de caixas de Roacutan, Dalacin-T, outros antibióticos e muitos cremes e produtos de limpeza caríssimos à base de água termal cujo papel era acalmar a pele e ajudar a diminuir os efeitos secundários da parte mais agressiva do tratamento como a vermelhidão, a escamação, etc, que embora fossem receitados para tratar de um problema de saúde não tinham direito a comparticipação.
Um desses efeitos era a hipersensibilidade à exposição solar logo sempre que saía de casa tinha que aplicar na face um protector solar, espesso como uma base, num tom cinza esverdeado que dava à minha tez um resultado pouco feliz. Talvez ao gosto dos góticos e amantes de estórias vampirescas.
A acne não é somente uma questão estética, é também fisicamente dolorosa. Nos meus piores surtos tive cistos subcutâneos cuja presença me causou desconforto ao nível de uma dor de dentes, das más. Isto para não abordar exaustivamente todos os 50 graus de desconforto e dor que as diversas manifestações da acne são capazes.
Quando a fase pior do tratamento passa e começamos a ver resultados no espelho, a sensação é indescritível. É como se finalmente nos estivéssemos a conhecer pela primeira vez, como se nunca na verdade tivéssemos visto o nosso próprio rosto pois este estava camuflado por toda uma camada de lesões e inflamações. Retirada finalmente essa máscara é possível prestar a devida atenção a todos os traços de que somos feitos: do zigomático ao maxilar, da mandíbula à glabela, e como é agradável, elegante e até distinto aquele reflexo!
(continua...)
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