segunda-feira, 7 de março de 2016

coisas de opinar: O imposto sobre o tabaco


Há muitos anos atrás, no tempo da Maria Cachucha, quando era uma miúda e fumava às escondidas, se me dissessem que um dia pagaria quase mil escudos por um maço de tabaco nunca teria acreditado em tal profecia.

Mil escudos equivaliam a duas semanadas naquela época. Sim, que eu recebia 500 escudos por semana. Não era muito, mas dava para ir tomar café todos os dias com as amigas.

Lembrei-me disto quando se começou a falar do Orçamento de Estado e de como se esperava mais um agravamento no imposto sobre o tabaco.

Sim, o fumo é um vício nojento, como todos os vícios. Faz mal à saúde, tanto à própria como à alheia, e à carteira. Obviamente que concordo que, na obrigatoriedade de aumentar os impostos que estes incidam sobre aquilo que é supérfluo, não tocando na lista de bens que são realmente essenciais.

Contudo, como fumadora, estou fartinha que sempre que haja uma revisão dos impostos, se opte por mais uma violação à minha carteira, deixando incólumes muitos outros produtos que são igualmente supérfluos e que fazem tanto ou mais mal que o tabaco.

Esta coisa do IVA e do Imposto sobre o Tabaco sempre teve contornos que me deixam cismada.

Há coisas que para mim são incompreensíveis, como o facto das publicações periódicas pertencerem ao escalão mínimo de imposto, (6% no continente), e um caderno não. Segundo este prisma um jornal sobre futebol ou uma revista cor-de-rosa cheia de mexericos é um bem mais essencial do que um caderno para levar para as aulas.

Os refrigerantes, que todos sabem que são só gás e açúcar, estão na lista do bens essenciais, enquanto por exemplo, uma massa recheada ou um peixe fumado são considerados, em comparação, bens de luxo.

Volto a dizer, impostos sobre vícios, sim senhor, moralmente é muito correcto. Desde que se incluam todos os vícios. Quero ver o álcool e o jogo a levarem o mesmo tratamento que o tabaco. Não dizem que umas das intenções destes elevados impostos é incentivar os fumadores a largarem o vício?
E desde quando e com que bases é que o tabagismo é ou pode ser considerado um vício mais maléfico que o alcoolismo?!
Que eu saiba nunca ninguém, por fumar um cigarro a mais, começou uma cena de pancadaria num bar, ou deixou de estar em condições para conduzir, ou foi para casa bater na mulher e nos filhos.

Não são situações destas, tão comuns que já são consideradas património sociológico e cultural, muito mais dignas de um discurso de incentivo à moderação e até à erradicação do vício?!

Ide-vos mas é foder, pá!