quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
coisas do armário: Fatos de banho
Apeteceu-me começar a busca por roupa de praia. Bem sei que ainda estamos longe da época de veraneio, mas apeteceu-me simplesmente, vai-se lá fazer o quê!
Para falar a verdade nem é uma má ideia: é que as novas coleções ainda não saíram em muitas lojas, e as marcas estão a tentar despachar o stock que restou dos anos passados, o que resulta em descontos muito significativos: em alguns sites há peças que originalmente estavam à venda por quase 100 euros, e que agora estão a menos de 30.
Ah e tal, é da coleção do ano passado! E depois?! Acompanhar as tendências é algo que não me aquece nem me arrefece, não é essa a base das minhas decisões. Aliás, adoro estar "fora de moda", especialmente quando pelo preço de uma peça, posso comprar quatro!
Se gostar do produto, claro está!
Para a praia sempre optei por biquíni, ficando o fato de banho reservado para a prática desportiva em piscina.
Nos últimos anos a minha busca tem sido por calções de praia, porque acima de tudo são mais práticos e confortáveis. Para quem, como eu, não fica imóvel na toalha a torrar ao sol, mexe-se e caminha ao longo do areal, não há nada mais irritante que andar a ajeitar a cueca de dois em dois passos.
Não sendo a maior das tendências, o que me salvou foram as marcas de surfwear.
Este ano apetecia-me mudar para fato de banho. Felizmente os fatos de banho andam mais giros de ano para ano. Já não são somente aquele trapo ultraconservador procurado por senhoras de mais idade, ou por quem quisesse esconder o seu corpo porque sentia vergonha de umas estrias, ou de umas curvas mais generosas.
Especificamente procuro um fato de banho com mini saia, com um corte e um padrão giro. Encontrei padrões e cores fantásticas em fatos de banho com cuecas tão, mas tão cavadas, que uma pessoa deverá precisar de uma intervenção cirúrgica para as retirar do rego, e o modelo ideal, lindo de morrer, de fato de banho com mini saia… mas em preto.
Ainda bem que ainda estamos em Fevereiro, porque acho que vai demorar a encontrar o que quero, ou a mentalizar-me que tenho que me ficar pelo que aparece.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
Vida de cão: dos cães que adoram ir ao vet
Seriam quase 10 da manhã quando me mudo para "roupa de passear o cão".
Sim, que uma pessoa tem mudas de roupa específicas para ir com o canino à rua. Nada de transcendente: roupa suficientemente confortável para caminhar, brincar e correr se necessário, com bolsos - de preferência daqueles com fecho - onde meter os saquinhos do cocó, chaves de casa, fácil de lavar, e que não sejam demasiado boas para não ficarmos tristes de cada vez que lhes acontece alguma coisa.
Nos pés os ténis mais velhos que tiver em casa, pois se é para correr o risco de pisar merda de outros cães cujos donos não sabem o que é civismo, de certeza que não vai ser com um qualquer par xpto, ainda novinho.
Ou seja, ter um cão é também ganhar coragem, em nome da practicidade, para sair de casa feita mendiga, ou lá perto.
Sei que este estilo, mais shabby que chic, não é para todos, que também me cruzo com pessoal de fato e gravata, ou de saltos altos a passear os bobbies, mas é a minha opção.
O Kiko que é um puto esperto, começa a girar o focinho para um lado e para o outro, como quem pergunta o que se passa. E com toda a razão! Normalmente não há passeio aquela hora, muito menos com a "mãe".
Bastou dizer-lhe que íamos ver a doutora para ficar excitado. Para quem duvida que os cães percebem "humanês" na perfeição só vos digo: o puto arrastou-me até à clínica veterinária feito um husky de corridas de trenó. De cada vez que tínhamos que parar para atravessar uma rua com os devidos cuidados, quando arrancava era com o dobro da pujança. Arre, cão!
Fomos pela vacina da raiva, que estava na altura, e aproveitámos a ocasião para despachar já também o comprimido da pulga e o desparasitante interno.
O Kiko só fica nervoso quando o coloco em cima da bancada. Treme de tal modo que a auscultação é uma missão quase impossível.
Felizmente, dar injeções e comprimidos ao Kiko é a coisa mais simples do mundo. Basta a veterinária ter o jarro de biscoitos à mão, espalhar alguns em cima da bancada, o miúdo entra em modo aspirador, numa gula desenfreada que nem sente a pica, e os comprimidos nem são mastigados, mas engolidos. Mesmo aqueles que têm um sabor intragável e costumam ser cuspidos pelos outros cães, que não o Kiko em modo aspirador.
Sempre de cauda a abanar, feliz da vida.
Assim o que na minha percepção é uma ida ao médico, para pôr as vacinas em dia, para ele é simplesmente uma visita a amigos, para comer biscoitos e receber mimos.
coisas da casa: das máquinas de café
A máquina de café tornou-se um apetrecho tão usual em qualquer casa, quanto os mais comuns electrodomésticos.
Em Portugal o café é, sem qualquer dúvida, uma das bebidas mais populares e apreciadas, se não a mais popular. Portanto não é de admirar que as máquinas de café se tornassem um produto com tanta saída.
Os argumentos de ter uma máquina em casa são irresistíveis: a possibilidade de beber um bom café expresso, galão, cappuccino, etc, a qualquer hora, sem ter que sair de casa, e a um preço mais económico que num qualquer estabelecimento. Comodidade, qualidade e economia.
O advento do café em cápsula veio aumentar em muito o factor comodidade. Quem já teve uma máquina de café daquelas com manípulo, como nós, sentiu esse upgrade.
No entanto, se pudesse voltar atrás nunca teria aderido à moda das cápsulas, pelo simples motivo que se tornaram um grave problema ambiental.
"Em abril de 2014, a Deco Proteste também se debruçou sobre o assunto e fez as contas: se cada pessoa beber dois cafés por dia, em 350 dias, consome cerca de 700 cápsulas, o que pode chegar a 700 g de alumínio, 5,7 kg de plástico ou 4,2 kg de papel."
John Sylvan, o inventor das cápsulas que transformaram a forma como se bebe café, arrependeu-se da sua invenção, defendendo que o preço para o ambiente é demasiado elevado, e "sente-se mal" por ter inventado algo com estas características.
Há poucos dias decidimos que iremos trocar a nossa máquina de café de capsulas por uma mais amiga do ambiente: uma máquina expresso automática, daquelas que moem o café no momento, o que trará não só a vantagem ecológica, como também aumentará a qualidade do café que bebemos.
Já tivemos uma Nespresso, e de momento temos uma Dolcegusto.
O preço de cada cápsula, (quando se adquire café da marca e não substitutos), varia entre 0,34€ e 0,44€. Os fabricantes de máquinas expresso automáticas argumentam que um quilo de café em grão rende até 100 cafés. Ora se estivermos na disposição de gastar o mesmo, acredito que por 34 ou 44 euros o quilo, compraremos cafés de uma óptima qualidade, com grãos com poucos defeitos, e uma torra recente.
Para quem o factor economia é o mais importante, há nas grandes superfícies cafés em que o quilo fica a cerca de 6 euros, o que dá 6 cêntimos por cada café.
Já fomos dar uma breve vista de olhos à oferta de um par de lojas, e se não trouxemos já uma para casa é pelo preço: é que o preço destas máquinas exige uma compra mais atenta e informada já que oscilam entre os 350 e os quase 2000 euros.
Há que ver mais reviews, perceber melhor as características do produto, escolher uma marca e um modelo, e também não é mal pensado esperar por uma qualquer promoção.
Mas uma coisa é certa: mais tarde ou mais cedo deixaremos de contribuir para o problema ambiental causado pelas cápsulas de café.
domingo, 24 de fevereiro de 2019
coisas de comer: Salmão
Adoro peixe, e o salmão está definitivamente no topo da minha preferência. Em todas as suas formas.
Em sushi ou sashimi? Adoro.
Embora confesse que não como sushi regularmente. Esta vertente gastronómica tornou-se uma moda tão grande, que por todos os lados apareceram restaurantes de sushi, muitos low cost, o que me faz logo à partida ficar desconfiada com a qualidade da matéria-prima, e sobre os conhecimentos de quem a confeciona. Mexer em alimentos é uma imensa responsabilidade, especialmente quando se serve proteína crua - não há espaço para erros.
É que as técnicas do itamae levam doze anos a dominar. Não me digam que tínhamos dezenas de sushimen escondidos debaixo de rochas!
Em posta, grelhado? Se bem feito é uma maravilha. Especialmente quando não se despreza os acompanhamentos, como uma boa batata cozida com pele, feijão verde salteado, esparregado, grelos, etc, etc, etc, uma salada fresca é obrigatória.
Ao vapor? Sim! Colocado na panela de vapor, (ou outro utensílio com o mesmo fim), com rodelas de limão e ervas aromáticas.
Em cannelloni ou lasanha? Sem dúvida! O trio salmão, espinafres e requeijão é uma escolha famosa para a confecção de qualquer um destes pratos.
Em lombo, salteado na frigideira? Um dos favoritos cá de casa! Em primeiro lugar pelo corte: prefiro mil vezes lombo ou filete a posta, que é muito mais gordurosa e pode ficar muito enjoativa se não existir o cuidado de a confecionar no ponto, e de a acompanhar com elementos que combatam essa sensação. Outra vantagem do lombo é que vem sem espinhas.
São poucos os sabores que não casam bem com salmão, portanto estou sempre a experimentar novos acompanhamentos e receitas: seja com cogumelos, com cebolada, molho de mostarda e mel, ou simplesmente com limão, etc.
Em pizza? Definitivamente! Ainda hoje o almoço foi pizza de salmão e é tão boa!
Em saladas? Seja salmão fresco ou fumado, é um ingrediente que dá origem a super saladas, quentes ou frias, mais ou menos leves, adequadas para o Verão ou Inverno, para entrada ou prato principal.
Em tacos? Delicioso! Sabem que gosto, quando almoço sozinha, de optar por refeições leves que não deem trabalho. Há um par de dias peguei em duas tortilhas integrais e recheei-as com uma dose generosa de salada, (daquelas que se compram ensacadas), e uma embalagem de salmão fumado, salpicado com um pouco de molho de iogurte e funcho. Em conjunto com um sumo de beterraba, e fruta, foi o tipo de almoço leve que me agrada.
Tipo pequeno-almoço nórdico, com ovos mexidos? Para sempre um dos meus favoritos! O meu pai trouxe esse hábito do tempo passado entre vikings. Desde miúda que, por vezes, me preparava o "pequeno-almoço nórdico" com salmão fumado salpicado com limão, ovos mexidos, torradas e um galão.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2019
coisas que gosto: o espírito de aldeia
São os traços próprios de uma vida simples e serena que desenham muitos dos momentos que mais me fazem transbordar o peito de felicidade.
Adoro ir passear com o Kiko após o almoço, subir e descer a avenida do costume, que é coisa que nos leva meia-hora - eu cá aprecio rotinas desde que tenha sido eu a decidi-las.
Nada bate os dias em que olho em redor e verifico que temos o percurso só para nós. Tal permite-me afastar da equação possíveis encontros caninos de terceiro grau, abrandar a pulsação, respirar fundo e simplesmente desfrutar.
Cumprimos esta exacta rotina há mais de quatro anos, todos os dias, com poucas falhas ou nenhumas. Esta assiduidade com o quase rigor de um relógio suíço faz com que praticamente todos os que habitem ou trabalhem ao longo da avenida nos conheçam, o que dá origem a momentos de interação tão salutares que naquele momento acredito que adoro pessoas.
Há conhecidos que passam por nós de carro e apitam e acenam, há condutores de autocarros que por se cruzarem connosco todos os dias nos acenam também, atestado que a partilha de espaço e tempo é chão comum suficiente para germinar uma ligação, há troca de acenos com quem está sentado à varanda ou alpendre, troca de cumprimentos e algumas palavras com quem está a jardinar, um jovem pai que segura o pequeno ao colo para ele ver o "ão-ão", a senhora octogenária que conhecendo a nossa rotina abre a porta à nossa passagem para um dedo de conversa, até senhores das obras em cima de andaimes com quem trocamos "boas tardes", e de vez em quando fala-se deste cordial espírito de aldeia:
"Que bom que é viver numa aldeia!"
"É mesmo, vizinha! É mesmo."
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
100 coisas que diria a uma criança: sobre os dentes de leite
Posso não parecer a melhor pessoa do mundo para dar conselhos sobre saúde oral, até porque pertenço ao grupo de pessoas para quem basta mencionar a palavra dentista para sentir calafrios.
Como toda a gente que não habite debaixo de uma pedra, sei perfeitamente que deveria seguir minuciosamente o conselho de marcar uma consulta de seis em seis meses, e por mais que prometa fazer acabo por nunca cumprir.
Depois de se ganhar a tal fobia é difícil dar a volta à coisa, e para além da minha sensibilidade à dor, as ferramentas do médico dentista apavoram-me mais que agulhas, o que é dizer muito!
Tento compensar com bons cuidados de higiene em casa: escovar após as refeições, e usar um suplemento para maximizar os efeito de limpeza, quer seja elixir ou outro. De momento a minha opção é o Elugel - um gel com elevado poder antisséptico e cicatrizante, à base de clorexidina que é um potente bactericida, que impede a proliferação de microorganismos na boca e como consequência a formação de placa bacteriana, mau hálito e afins.
Se pensarem em experimentar fica apenas o alerta que não é adequado a crianças menores de seis anos, e não deve ser ingerido. De resto é simples: aplica-se uma "ervilha" numa escova suave ou na ponta de um dedo, e aplica-se massajando suavemente os dentes e as gengivas.
A Ordem dos Médicos Dentistas lança anualmente os resultados de um barómetro sobre o saúde oral em Portugal. Fica um excerto da reflexão sobre os resultados referentes a 2018, retirado da página da Ordem:
"Mais de 30% da população revela que nunca vai ao médico dentista ou apenas vai em caso de urgência. É uma subida de 3% face ao ano passado, sendo que 41% dos portugueses não vão a uma consulta de medicina dentária há mais de um ano. São dados do Barómetro Nacional de Saúde Oral elaborado pela consultora independente QSP para a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD).
53,6% dos inquiridos afirmam não ter necessidade de ir a consultas de medicina dentária, um valor que subiu face aos 44,5% da edição anterior do Barómetro. 31,7% Diz não ter dinheiro, valor que contrasta com os 42,8% registados no ano passado. Há ainda 11,6% que considera não ter problemas de dentes.
No entanto, 70% de portugueses têm falta de dentes naturais (excetuando os dentes do siso) e, destes, 35% já perdeu seis ou mais dentes. Há ainda 8,2% da população portuguesa que não tem qualquer dente natural. E, entre aqueles que têm falta dentes, há 55,5% que nada tem a substituir.
O Barómetro revela também que 37,4% dos portugueses nunca marcam consulta para check-up. Apenas 29,7% dos inquiridos pelo Barómetro marcam uma consulta por ano e 13,3% marca quando o médico dentista recomenda.
41,6% Dos portugueses não visitam o médico dentista há mais de um ano e analisando as 4 edições do Barómetro está a aumentar o número de utentes que não vai ao médico dentista há mais de 2 anos. 3,6% Confessa que nunca foi a uma consulta de medicina dentária.(…)"
Há tanto ainda por fazer pela saúde oral dos portugueses. E se por um lado isso passa por tornar a medicina dentária cada vez mais presente e acessível a todos, o outro passo fundamental é ensinar desde a mais tenra idade como o nosso organismo funciona, qual a melhor forma de tratar dele, especificamente neste caso, os cuidados de higiene oral a ter em casa e os benefícios da medicina preventiva.
Felizmente nunca tive nada mais grave que uma cárie, e a "pior" intervenção a que já fui sujeita foi a extração dos sisos, mas mesmo assim se pudesse voltar atrás no tempo até à minha meninice, nunca teria saído de casa sem um "kit de higiene oral", um simples estojo com escova, pasta de dentes, fio dental, elixir ou gel, para poder lavar os dentes após as refeições mesmo estando na escola.
O facto das crianças passarem o dia inteiro na escola faz com que esse gesto tenha uma importância fundamental, em conjunto com a venda de alimentos mais saudáveis nas escolas, com mais fruta e vegetais e menos produtos processados e açúcares.
Não custa nada ir ao wc lavar os dentes após a ingestão de alimentos, e a repetição desse gesto diário, ano após ano, é um investimento na saúde cujos benefícios se notarão. Essa é a mensagem que gostaria de fazer chegar aos mais novos.
No caso das crianças creio que ainda muita gente tende a menosprezar a primeira dentição, os chamados dentes de leite. Acho que nunca vou apagar da memória a avó e o mui jovem neto que vimos na sala de espera da clínica dentária, que já tinha os dentes de leite numa lástima. A avó confessava que o miúdo era guloso e que comia açúcar à colher, coisa que se a nós nos fazia benzer, tamanha irresponsabilidade por parte do círculo de adultos daquela criança fazia saltar fagulhas dos olhos da minha dentista.
Os dentes de leite não deixam de ser importantes por serem temporários: são eles que nos acompanham na introdução à alimentação sólida e nos permitem a mastigação e a adequada retenção de nutrientes, que orientam os dentes permanentes para a sua correcta posição no futuro, a sua presença é fundamental para o crescimento correcto das articulações, dos ossos e dos músculos da face, são eles que ajudam ao desenvolvimento da fala. Por tudo isso merecem um tratamento com o máximo rigor.
Portanto, toca a preparar uma pequena necessaire com produtos de higiene oral para todos aí por casa, pequenos e graúdos, para que os dias passados na escola e nos empregos não sirvam de desculpa para descurar os cuidados com os dentes.
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
coisas de ver: "Ray Romano: Right here, around the corner."
Começa a ser uma tendência ver veteranos da comédia a regressarem às suas origens de stand-up, para um especial da Netflix.
Considero que, na grande maioria das vezes, é uma boa tendência, e este especial de Ray Romano, mais conhecido pela sitcom "Everybody loves Raymond", é um exemplo feliz.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
coisas de ver: "Maigret"
"Maigret"
Embora seja uma série que já passou na televisão britânica em 2016, só agora chegou cá, através do Fox Crime.
As minhas séries favoritas sempre foram as de crime e mistério, - o universo de personagens como Holmes, Poirot, - portanto não poderia deixar escapar Maigret.
É Rowan Atkinson - o famoso "Mr. Bean" - que encarna a personagem, e muito bem, posso afiançar.
domingo, 27 de janeiro de 2019
coisas da casa: Ode ao Led, ou como diminuir a factura da electricidade.
Por norma, as lâmpadas, cá por casa, duram uma vida. O que faz com o processo de as trocar por lâmpadas mais eficientes vá demorando um bocadinho mais.
Finalmente ontem foi necessário fazer a troca no candeeiro do tecto da cozinha. três lâmpadas dicroicas convencionais por três dicroicas led.
A diferença de consumo é abismal: só com esta troca passámos a gastar 5w por lâmpada, ao invés de 35. Ou seja, 15w no total, e não 105.
Lembrem-se que estamos somente a falar de um único ponto de luz, o que só vem acentuar a ideia do quanto é importante e significativo o uso de lâmpadas eficientes em toda a casa, pelo bem que faz tanto às nossas finanças como ao meio ambiente.
Inclusive, trouxemos uma luz de presença que para além de só ter custado um único euro, consome somente 0,5w, com a vantagem de ter um interruptor, logo não é preciso tirá-la da tomada para a desligar.
Colocámo-la numa zona de passagem e, embora só tenha passado um dia, estamos rendidos a mais esta ideia, pois fornece iluminação mais que suficiente para transitar entre divisões, sem acender a mão de cheia de focos de luz do corredor.
Não se trata de viver de forma espartana. longe disso.
A gestão inteligente de todos os recursos à nossa disposição permite-nos reduzir a factura, inclusive a ambiental, sem ter que diminuir o nível de conforto.
Sempre tivemos o cuidado na compra de electrodomésticos e aparelhos electrónicos de optar pelos que são mais eficientes. Começámos há anos a ganhar o hábito de desligar da corrente os aparelhos que não estão a uso, para evitar os consumos inerentes ao stand-by. Depois a troca progressiva para a tecnologia Led, não só em lâmpadas, mas também no televisor, por exemplo.
Abdicámos de vez do velhinho radiador a óleo como solução de aquecimento.
Não abdico de usar o forno várias vezes por semana, nem a secadora de roupa, pois é um item que me dá qualidade de vida e me evita preocupações. Temos sempre computadores ligados, tv, box, consolas e outros mais, e com os pequenos e indolores gestos que acima citei a nossa factura chega a ser vinte euros mais baixa, por mês, que no passado.
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
Anita no tinoni e o agradecimento devido
Estes últimos 2-3 anos têm sido, (qual o melhor termo?), algo "desafiantes" em termos de saúde.
Caso para dizer que não mata, mas mói. Mesmo com toda a positividade que me é inata.
Digamos que ainda ontem estava a ver um episódio de "72 dangerous places to live", que não é mais um top de locais em redor do globo largamente afectados por cheias, tornados, poluição, terramotos e todo e qualquer cataclismo que vos ocorra.
Estranhamente são lugares muito populares entre turistas em busca de adrenalina, que acham que correr riscos vale a pena para assar marshmallows em rios de lava ou passear por Chernobyl, e dei por mim a pensar "Que gente mais estúpida! Dar tão pouco valor à própria vida quase que é gozar com quem está doente!".
Para ajudar à festa, no início da semana passada comecei a sentir algumas tonturas. Nada de especial.
Vamos ser razoáveis - pensei eu - e dar uns dias a ver se isto passa, que não estou preparada para me tornar uma coninhas hipocondríaca que consulta um médico por tudo e por nada.
Já basta quando tal é inevitável. Se há coisa que me causa profundo desconforto é ir a centros de saúde, hospitais e afins e começar a pensar no universo de germes, vírus e bactérias que por lá vivem, para além dos tempos de espera, e da minha fobia de agulhas e outras ferramentas do ofício.
Chegou quinta-feira e as tonturas deram lugar a um episódio de vertigens tão dramático como nunca havia experimentado.
Depois de passar toda a manhã a tentar levantar-me sem sucesso, com a cabeça a rodar vertiginosamente em cada movimento por mais ligeiro que fosse, a única solução que me ocorreu foi telefonar para o meu marido a pedir que me chamasse um médico ao domicílio, já que nem conseguia ler a lista de contactos para ser eu própria a fazê-lo.
Em menos de nada comecei a ouvir o barulho de uma sirene a aproximar-se, e pouco depois estava acompanhada pelo meu marido e dois técnicos do INEM, de pijama, em jejum, sem sequer ter conseguido ir ao wc, a vomitar para dentro de um balde que me trouxeram após terem-me ajudado a sentar e eu ter tido o reflexo imediato de tapar a boca. Faziam-me perguntas, picavam-me o dedo, mediam-me a tensão, iam falando sempre num tom bastante sereno e tranquilizador, enquanto o meu marido me calçava meias, ténis, me vestia um casaco, lhes passava o meu cartão do cidadão...
Eu que não estou habituada a estas coisas, perguntava pelos meus óculos, lenços de papel para me limpar, indicava que queria outros ténis que não aqueles, que queria levar comigo o saco com todas as análises e exames que fiz nos últimos meses, queixava-me de ter que sair de casa naquelas figuras, (embora mais tarde tenha chegado à conclusão que não há melhor roupa que um confortável pijama e um casaco quentinho se tiverem que passar horas a fio numa maca, podem acreditar em mim). Tudo isto entremeado com mil e quinhentos "obrigadas" e "desculpem lá".
À entrada da ambulância comecei a hiperventilar: ocorreu-me que não gosto mesmo nada de hospitais, nem de picas nem nada dessas coisas.
Lembro-me de repetir uma meia dúzia de vezes ao meu marido, que assomava pela porta da viatura, quase tão pálido quanto eu: "Eu fico bem, cuida do cão."
Embora durante uma boa parte da experiência não tenha tido uma correcta noção do tempo devido ao mal estar, tive a sensação que chegámos ao destino num ápice, especialmente porque quando comecei a vomitar para dentro do saco que me deram, ligaram as sirenes e senti que íamos muito mais rápido, o que por instantes me pregou um cagaço, porque uma pessoa não é de ferro e dá por si a pensar "Ai, "Jasus"! O que é que eles pensam que eu tenho?! Mau!!!"
Voltei a vomitar na entrada para a triagem, que as macas abanam mesmo muito. Não deixa de ter alguma comicidade, (ou talvez não tenha, eu é que a procuro insistentemente porque o sentido de humor é o meu mecanismo de eleição), a situação em que o médico me vai questionando sobre o meu nome, os meus sintomas, e são os técnicos do INEM a responder por mim, porque naquele momento estava numa relação de grande proximidade com o saquinho de enjôo, ou quando me quiseram passar para uma segunda maca e eu ainda demorei um minutinho a perceber que eu é que tinha fazer esse movimento.
Se apreciarem tanto como eu este tipo de comédia iriam achar hilariante as minhas figuras durante os episódios em que me enfiaram agulhas e cateteres, - eu não estava a brincar quando disse que tinha fobia a essas coisas, (então quando tive que refazer a análise para reconfirmar os valores de potássio para me darem alta foi de gritos)!
E a dança contemporânea/ contorcionismo que fiz num dos wc do hospital para urinar dentro do copinho sem tocar em nada?!
Pouco depois de ter dado entrada, o meu marido encontrou-me deitada na maca, num corredor onde macas ocupadas por pacientes faziam fila e os acompanhantes tinham que se encostar o mais possível para dar passagem a todo o tráfego hospitalar, tapada com um lençol, a mão esquerda a agarrar o saco do enjôo, não fosse ainda precisar dele; a mão direita a segurar o cartão do cidadão, o telemóvel, guardanapos, e o saco com os exames que trazia comigo em cima das pernas, por debaixo do lençol.
Aprendi que a minha capacidade de fechar os olhos, abstrair-me e até dormitar em quase qualquer lugar é um dom maravilhoso, que me foi tremendamente útil durante as primeiras 3 horas, em que não fiz nada senão estar deitada na maca à espera. Uma habilidade tão útil quanto a capacidade de rir com tudo.
Das 14h30 às 15h30 há o período de troca de turnos, em que os acompanhantes ficam proibidos de passar para além da sala de espera, e só os doentes podem permanecer junto da área de enfermagem.
Insisti com o meu marido que durante essa altura fosse para casa, afinal que lógica tinha ele ficar afastado de mim e continuar a respirar "ar de hospital"?!
Durante essa hora a azáfama é algo diferente: há médicos e enfermeiros que passam por nós já sem bata, pois acabaram o seu turno, e caras novas que passam em sentido contrário. Enfermeiras aos pares que conversam entre si, passando informações sobre os doentes. Um grupo de pessoas de bata branca e estetoscópios no bolso ou ao pescoço que passam por todas as macas enquanto um lê para o grupo a informação sobre cada paciente, auxiliares que trocam sacos de lixo.
Mais ou menos por essa altura tive um pico de impaciência: estava em jejum, tinha sede e vontade de ir ao wc, já que a última vez tinha sido em casa, antes de ir dormir na noite anterior. Tinha alertado a duas ou três pessoas, das muitas que passaram por mim, que precisava de beber água e em breve precisaria de ajuda para ir ao lavabo, sem efeito, o que me fez sentir ignorada e irritada.
Duas macas à frente da minha estava uma senhora que também pediu para ir ao wc. Na resposta que lhe deram discerni os termos arrastadeira e fralda, e decidi que afinal não estava assim tão aflitinha e que podia muito bem aguentar.
A irritabilidade também diminuiu consideravelmente quando se aproximou a simpática senhora com o carrinho da alimentação que me deu um chá açucarado e um pacotinho de bolachas.
Deveriam ser 16h quando uma médica cruzou as portas da ala de enfermagem e chamou o meu nome. Acenei e respondi freneticamente,- "Aqui! Sou eu! Aqui, na maca!" - honestamente com um nadinha de medo que não desse por mim ali estacionada numa fila indiana de macas ao longo do corredor.
O meu marido ajudou-a a empurrar a maca para um gabinete de observação, um daqueles compartimentos delimitados por cortinas.
Leu os exames e análises que levei comigo, fez as questões da praxe quanto aos sintomas, a outros problemas de saúde e medicação, e perguntou-me se já havia tido síndrome vertiginoso.
Ora bem, já, mas há quase vinte anos! Tanto que na altura custou-me um chumbo ao exame de Auditoria de Marketing, e consequentemente à cadeira.
Pelo que me disseram, esta coisa filha da mãe, a partir do momento que ocorre uma vez, é certinho garantido que voltará mais vezes para chatear.
Explicou-me que os vómitos haviam sido fundamentais para poder assumir que era síndrome vertiginoso. A certeza era suficiente para tomar algo imediatamente, mas que se iriam fazer análises à mesma.
Mais tarde, quando já estava sentada num cadeirão na sala de tratamentos, rodeada maioritariamente por idosos, apercebi-me o quão os mais pequenos pedidos, como uma ida ao wc, são complicados naquele cenário: havia somente uma ou duas cadeiras de rodas disponíveis, claramente insuficientes. O processo de preparar cada uma daquelas pessoas para uma ida ao wc implica a chegada de uma enfermeira ou auxiliar que meta as botijas de ar a que a maioria daqueles doentes estavam ligados na cadeira, e que um acompanhante ou auxiliar estivessem disponíveis para os empurrar, já que o pessoal de enfermagem era claramente escasso e por isso essencial que continuassem a dar prioridade a outro tipo de tarefas.
Senti-me imensamente sortuda por naquele momento já ser capaz de andar, ainda que amparada pelo meu marido por uma questão de segurança, e capaz de usar os lavabos sem apoio, e ufa! sem fraldas nem arrastadeiras.
Um pouco antes das nove da noite estava a sair pelo meu próprio pé, mil vezes melhor do que entrei, na companhia do meu marido, aquele que digo há anos, e com toda a razão, que é o melhor do mundo.
No caminho para casa passámos pela farmácia de serviço, e por aquela altura já não me fazia impressão nenhuma andar em público em pijama polar às estrelinhas, ténis e kispo cor-de-rosa.
Só no dia seguinte é que contei aos meus pais do sucedido. É claro que levei um raspanete por isso, mas não gosto de os ver aflitos e preocupados. Talvez eu seja demasiado pragmática, mas havia decidido que só em caso de ter que ficar lá internada é que os avisaria, caso contrário que bem traria a algum de nós coloca-los num estado de nervos e ansiedade?!
As oito horas que estive no hospital permitiram-me observar muita coisa.
Sim, vi sistemas informáticos a crasharem e a colocaram os médicos numa pausa forçada, impedidos de ver resultados de análises, de iniciar ou terminar consultas, de passarem receitas; vi escassez de macas, de cadeiras de rodas, de lugares sentados na sala de tratamentos, de pessoal, vi casas de banho imundas, vi pessoas a desesperarem com os tempos de espera, com as dúvidas, com a fraca qualidade do sistema de chamadas de pacientes, cujo som era tão fanhoso que ninguém conseguia discernir o que era dito, vi máquinas que mal funcionavam, vi salas de espera a transbordar de gente e todos os buraquinhos ocupados por macas, como num tetris humano.
Mas, apesar de tudo isso e acima de tudo vi pessoas e as suas qualidades: vi dois bombeiros que tudo fizeram para ajudar a sua paciente e não a perderam de vista um segundo, vi uma médica que ficou mais meia-hora só para receber as minhas análises e dar-me a tão desejada alta, vi técnicos de laboratório que deram o seu melhor para refazer análises em tempo recorde, vi enfermeiras que se mantém serenas e tentam chegar a tudo e todos, mesmo com dez pessoas a rodeá-las, sedentas de atenção, em todos os momentos; que tratam os pacientes por "queridos", nos perguntam se estamos bem, e nos dizem coisas como "preocupe-se só em ficar bem" ou "se precisar de alguma coisa, chame", que nos cobrem com um lençol e nos perguntam se estamos bem assim depois de nos aconchegar; vi aquele que só pode ser o segurança mais simpático do mundo e arredores, e pessoas doentes e seus acompanhantes que precisando eles próprios de ajuda, estão sempre atentos aos seus semelhantes.
Saí de lá com a certeza que quando os meios materiais, as ferramentas disponíveis, atingirem o nível dos muitos exemplos de salutar humanismo que assisti, para comigo e para com outros, a saúde do SNS ficará irrepreensível.
Hoje mandei uma mensagem de agradecimento tanto ao Hospital, como ao INEM. Eu cá não esqueço quem me faz bem, e sinto que é nosso dever agradecer e assim motivar a quem tem como missão estar por nós, nas alturas em que estamos mais frágeis.
terça-feira, 8 de janeiro de 2019
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
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